Pingo d’Agua a Surdina Epigramas irônicos e sentimentais · Capítulo 7 de 8
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Pingo d’Agua a Surdina

Pingo d’Agua a Surdina

XLII PINGO D'AGUA TEU companheiro é falso, é duro teu irmão?

Que importa! O mundo é bello, é divina a doçura da terra. A luz do sol paira na altura! Não caminhaste em vão...

XLIII DOÇURA VOA e revoa folha do outono,

sobe com o vento, rola no espaço, em vão! A vida é boa. E é longo o somno,

muito longo o somno que dormirás na sombra debaixo do chão...

XLIV CREPUSCULO TARDE e o silencio... Janelas fechadas, vidraças coloridas no crepusculo vermelho, perola e violeta. Gritos roucos de busina, apitos longinquos de fabricas, murmurio de vozes, aereo murmurio indeciso. Os grilos começam a trilar.

Calaram-se as cigarras nas arvores pesadas... Outra vez a tarde e o silencio... Nas ruas compridas dansa a poeira dourada do crepusculo. Quando virás? Ainda voltarás? Ah! ninguem sabe como é lindo o crepusculo quando ha lagrimas nos olhos! A tarde e o silencio... Dansa a poeira nas ruas compridas. A noite cáe sobre as arvores pesadas...

XLV VERDADE VERDADE é talvez um momento feliz. O teu momento mais feliz...

XLVI INUTIL EPIGRAMMA UMA gota d’Agua que se desvanece, um pobre grão de poeira que dansa na luz, dansa e desapparece... eis a vida!

Brilha um momento, pois, alma desilludida, brilha um momento, emquanto o sol aquece!

Bolha de ar! dansa um minuto, dansa... A vida é bella porque é passageira!

XLVII SURDINA A CHUVA tranquilla, a chuva langue os finos fios alonga no ar. Ha vozes vagas pelo silencio, rumor de tanques, soluços d'agua, e folhas leves turbilhonando na chuva calma, na chuva langue,

que alaga os longes trémula, trémula, e os fios finos alonga no ar...

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