Espetáculo de criação da noite - Página 1 Espetáculo de criação da noite · Capítulo 1 de 5
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Espetáculo de criação da noite - Página 1

Espetáculo de criação da noite

Outro dia, solicitava-me uma senhora americana, explicação de Mira-Celi. E, por mais que eu quisesse não consegui fazer-me compreender nem fornecer as chaves de meu poema para o respectivo habite-se que a ilustre professora desejava. Agora, esta mesma erudita me pede um cenário brasileiro para um espetáculo em que entrassem ballet, declamação, música e teatro propriamente dito. Pretendo hoje apresentar a alguns curiosos, um resumo da peça em questão, aproveitando o ensejo para agradecer de público, certos obséquios, auxílios, colaboração e doações que me foram feitos no decorrer do trabalho.

No comêço havia só uma grande árvore cujas raízes imensas e inúmeras, se perdia no céu. A copa, também imensa e de ramos inúmeros, se perdia no céu. A filha da Cobra Grande, bela como os amores, queria se casar com um guerreiro muito frajola que morava dentro de uma das raízes da árvore. Mas a moça que era uma formosura não podia se casar com o moço porque nesse tempo não havia noite. A noite morava nos ramos da árvore onde também a água morava e caía em forma de chuvinha peneirada, sem bombardeios. Porisso a Filha da Cobra Grande - chamada Dununava-gê não se podia casar sem que a noite descesse. No máximo conseguiu fechar um olho ficando o outro debaixo do solão desadorado onde não existia sono possível.

Nesse tempo também não havia bichos na terra, nem pássaros no ar, mas tôdas as coisas falavam.

O cenário deve representar uma grande árvore. Nas raízes dessa árvore devem estar, ora folgando, ora falando do sucedido, os dois namorados: Dununava-gê e Kaxinaua-tau. Deve permanecer aí uma orques-

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