Espetáculo de criação da noite - Página 4
determinado tempo, empunhando-se instrumentos, flautas, clarinetas, clarins, recos-recos, cuicas.
Concluido o armistício e firmadas as bases de uma nova liga, Macobêba ainda meio confundido pega no caximbo e põe-se a fumar fava de cumani:
- Aí! manos, estamos aqui dentro desta paz diáfana, mas estamos é fabricando bombas, estamos é arranjando nova guerra.
- O que? - pergunta a platéia - para que V. está dizendo isto sem necessidade nenhuma?
- Invenção? Vocês são uns inocentes. Nem bispam o que saiu da tucuman, da invenção da noite, dêstes folguedos de Kaxinaua mais Dununava. Vocês são muito burros, meus filhos, inteligência em vocês é manga de colete. Vocês só em campo de concentração até a consumação dos séculos.
Diante destas lancinantes franquezas, a platéia declara-se em guerra pacifica e começa a interpelar Macobêba:
- E's o anti-Cristo!
Macobêba não aguenta; em demasia assarapantado, indignadíssimo, começa uma suite com acompanhamento de mirlitons, kazoos, combs with tissue paper wrapped around it, mas a sua fala está acima da ingratiating cadenza, a sua fala começa a xingar a mãe do pessoal, a velha mãe do pessoal. Nisto, no meio do maior bombardeio, o maior desde o comêço do espetáculo, ouve-se distintamente a voz de Josafá que se levanta de seu sofá eterno deitado sôbre o silêncio dos vales:
- Meus negros, vocês sabem de uma coisa? O melhor é liquidar de