Espetáculo de criação da noite - Página 3 Espetáculo de criação da noite · Capítulo 3 de 5
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Espetáculo de criação da noite - Página 3

- Tu não podes abrir o coco de tucuman, Macobêba! - grita a moça. - Dá-me o coco, senão tôdas as coisas ficarão mudadas e a grande água descerá nas raízes e nos afogará.

Mas Macobêba não ligando ao pedido da moça, joga no chão o coco de tucuman. O coco abre-se, e a noite desce sôbre o plano inferior da cena. Ouve-se então a orquestra do plano superior tocando no plano inferior, com seus insetos, aves e feras, granadas de mão e metralhadoras. (Bailados dos gênios da floresta, iaras, botos, gênios das águas e das matas, das restingas, alagadiços, salamandras das barrancas de paranãs, boqueirões, lagunas, peraús, bocoinas, massapês, visões dos silêncios largados, dos silêncios fundos, pasmados, imensos, pasmados nos gelos do Cubá, da Noruega e do grande Pico do Itatiaia.

Guerreiro: - Que calorão agoniado estou sentindo no corpo, é uma espécie de preguiça suada, estou me sentindo requebrado, direitinho emboá doente etc. etc. (aqui se segue um longo solilóquio contando as sensações de Kaxinaua-tau). Nisto, o herói bate na testa e exclama:

- Achei!

- Achaste o que? - pergunta a linda Dununava.

- Achei a fórmula.

Ouvindo isto, Macobêba se embravece progressivamente, enquanto a orquestra executa alguns plágios de compositores célebres, (pernas, para que vos quero?), cai no mato, pegando os leit-motivos surripiados e atirando na cara dos músicos, (alguns policiais que não tem nada com a orquestra são mesmo desacatados), porém Macobêba não se incomoda nem com a platéia, nem com os turistas nem com os críticos. Forma-se uma intensa confusão em todos os planos do teatro, combatendo-se durante

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