Capítulo 7 - O Almoço de Domingo Foram quantos beijos? · Capítulo 7 de 10
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Capítulo 7 - O Almoço de Domingo

Clara fez a lasanha de berinjela no sábado à noite e errou o sal.

Percebeu antes de montar a segunda camada. Provou o molho, ficou parada com a colher na mão e pensou em jogar tudo fora. Renato estava na sala, dobrando roupas tiradas do varal. Fazia isso mal, mas com uma paciência que Clara nunca tinha. As camisetas ficavam com mangas desiguais, as toalhas com cantos fora do lugar. Antes, ela implicaria. Naquele sábado, ficou olhando da cozinha e sentiu uma ternura quase dolorida.

— Ficou salgado — ela disse.

Renato apareceu na porta.

— Quanto?

— Nível sua mãe percebe.

— Então é grave.

— Muito grave.

Ele pegou outra colher, provou e fez uma expressão pensativa demais.

— Dá para salvar com mais berinjela.

— Você não sabe isso.

— Eu vi num programa.

— Você dorme em programa de culinária.

— Meu subconsciente cozinha.

Clara riu. Renato abriu a geladeira e procurou uma berinjela extra como se procurasse um órgão para transplante. Encontrou meia, já escurecendo na ponta.

— Temos uma candidata cansada.

— Serve.

Fizeram juntos. Clara cortou, Renato grelhou, os dois montaram a travessa sem conversar sobre o domingo. O almoço na casa de Dona Sônia acontecia uma vez por mês, às vezes duas, dependendo de aniversário, visita ou culpa. Clara gostava da cozinha barulhenta da sogra, do jeito como Dona Sônia chamava todo mundo pelo nome errado quando estava com muitas panelas no fogo. Gostava menos de Paula, irmã de Renato, que dizia verdades como quem descascava laranja com faca afiada.

No domingo, foram de carro com a travessa no banco de trás. Renato dirigia. Clara segurava no colo uma sacola com queijo ralado, guardanapos e um pote de sobremesa que Dona Sônia não pedira e aceitaria com gravidade familiar.

— Se eu ficar estranha lá... — Clara começou.

— Você sempre fica um pouco estranha lá.

— Obrigada.

— Estou dizendo para te tranquilizar.

— Péssima técnica.

Renato sorriu sem tirar os olhos da rua.

— A gente fica duas horas. Come. Ajuda a lavar alguma coisa. Vai embora.

— Duas horas na casa da sua mãe não existem. O tempo dobra.

— Então quatro horas subjetivas.

Clara olhou para ele. Havia um esforço bonito naquela organização prática, como se tempo, comida e saída pudessem ser alinhados em defesa dos dois.

— Você não precisa me proteger de tudo.

— Eu sei.

— Sabe?

— Não. Mas estou treinando a frase.

Ela quase encostou a mão na dele, no câmbio. Parou antes. Renato percebeu e abriu os dedos, só um pouco. Clara pousou a mão por cima. Ficaram assim até o semáforo.

Dona Sônia morava num sobrado antigo, de piso frio e corredor estreito. A porta estava aberta quando chegaram. O cheiro de alho, carne assada e desinfetante de lavanda vinha até a calçada. Da sala, a televisão falava alto de um jogo que ainda nem tinha começado. O pai de Renato estava no sofá, controle na mão, camisa polo listrada, cumprimentando sem levantar.

— Chegaram os artistas — Dona Sônia gritou da cozinha.

— Trouxemos lasanha salgada — Renato respondeu.

— Então trouxe lasanha de família.

Clara entrou na cozinha e recebeu um beijo no rosto, uma colher para mexer arroz e uma reclamação sobre a falta de espaço na geladeira, tudo no mesmo minuto. Dona Sônia era baixa, forte, de cabelo preso com piranha marrom e olhos que viam a panela fervendo antes da água subir.

— Clara, põe essa travessa ali. Não, ali não, amor, ali é onde eu vou apoiar a salada. Ali. Isso.

Paula chegou vinte minutos depois, com o marido e uma sacola de refrigerante. Beijou Renato, beijou Clara, elogiou a blusa dela e olhou por meio segundo a mais para o rosto dos dois.

— Vocês estão com cara de quem dormiu pouco.

— A gente viu filme até tarde — Renato disse.

Clara estava segurando a saladeira. Quase deixou cair.

— Filme ruim — acrescentou.

— Todo casamento precisa de filme ruim para testar limites — Paula disse, largando a bolsa numa cadeira.

Renato pegou a saladeira da mão de Clara.

— Vou levar para a mesa.

A frase não era necessária. A saladeira já estava indo. Mas ele levou, e Clara ficou na cozinha com Dona Sônia e Paula. A sogra abriu o forno. O calor subiu, embaçando os óculos que ela usava pendurados no pescoço.

— Clara, essa lasanha sua sempre salva almoço.

— Hoje talvez ela precise ser salva.

— Bobagem. Renato come até pedra se tiver queijo.

Paula abriu uma garrafa de refrigerante na pia.

— Renato é fácil. O problema é homem difícil que a gente inventa de consertar.

Dona Sônia fez um som de concordância cansada.

— Está falando de quem agora?

— Da Denise. Você não soube?

Clara pegou pratos no armário. Conhecia Denise de nome, amiga de Paula, presença ocasional em aniversários. Uma mulher de cabelo curto, riso alto, dois filhos pequenos.

— O marido aprontou de novo — Paula disse. — E ela ainda está pensando se perdoa.

Dona Sônia desligou uma boca do fogão.

— Com filho pequeno é complicado.

— Complicado é uma coisa. Ser feita de idiota é outra.

Clara sentiu o prato escorregar um pouco na mão. Segurou melhor.

— Cada casal sabe onde aperta — Dona Sônia disse.

— Sabe nada. Tem mulher que chama humilhação de amor porque tem medo de ficar sozinha.

Renato voltou à cozinha nesse momento. Clara sentiu a mudança do ar antes de ver a entrada dele. Paula continuou, animada pela própria tese.

— E tem umas que também não se dão ao respeito. Aí depois querem que o mundo trate como vítima.

Clara colocou os pratos sobre a bancada com cuidado demais.

— Paula — Renato disse.

— O quê?

— Dá uma respirada.

Paula olhou para ele, surpresa.

— Estou falando da Denise.

— Está falando alto o suficiente para servir em muita gente.

Dona Sônia mexeu no arroz sem olhar para ninguém.

— Ih, começou.

Paula cruzou os braços.

— Não sabia que agora a gente não podia mais dizer que traição é falta de caráter.

Renato apoiou a mão na bancada. A outra estava fechada junto ao corpo.

— Pode dizer o que quiser. Só não precisa transformar almoço em tribunal.

— Nossa. Está sensível.

— Estou.

A palavra saiu simples. Paula perdeu um pouco do impulso. Clara ficou imóvel, querendo desaparecer atrás do armário de pratos. Renato olhou para ela só um instante. Não era pedido de socorro. Era aviso: estou aqui.

— Almoço na mesa — Dona Sônia anunciou, encerrando o assunto pela força das panelas.

Sentaram-se nos lugares de sempre, menos Clara, que hesitou e acabou ficando ao lado de Renato. O pai dele aumentou o volume da televisão até Dona Sônia ameaçar jogar o controle dentro do feijão. A lasanha salgada recebeu elogios demais, o que confirmou o erro. Renato serviu arroz no prato de Clara antes de servir no próprio. Paula notou. Clara também.

Durante alguns minutos, o almoço conseguiu parecer almoço. Falaram do preço do mercado, de uma infiltração no quarto dos fundos, da vizinha que adotara um cachorro que uivava quando tocava moto. Renato respondeu ao cunhado sobre futebol. Clara mastigou devagar, tentando parecer apenas educada.

Paula voltou ao assunto pela lateral.

— Mas eu falei para Denise: uma vez a gente até entende, dependendo. Agora, repetição é escolha. A pessoa mostra quem é.

O garfo de Renato parou.

Clara sentiu o estômago fechar. Paula não sabia de nada, e justamente por isso parecia saber tudo.

— Às vezes a pessoa está perdida — Dona Sônia disse.

— Perdida a gente acha no shopping, mãe. Na cama de outro é safadeza.

— Paula — Renato repetiu.

— Ah, pronto.

— Já deu.

O silêncio na mesa chegou antes da vergonha. O pai de Renato abaixou o volume da televisão. O cunhado de Paula olhou para o prato. Dona Sônia serviu mais salada em si mesma, sem necessidade.

— Eu só acho curioso — Paula disse — que homem que trai todo mundo quer matar, mulher que trai todo mundo passa pano com discurso moderno.

— Ninguém está passando pano — Renato disse.

— Parece.

— Parece porque você gosta de frase pronta.

Paula abriu a boca, fechou, riu sem humor.

— Está defendendo bonito. Tomara que nunca precise usar em casa.

A frase atravessou a mesa e bateu em Clara antes que qualquer pessoa entendesse que tinha batido. Renato levantou.

— Vou pegar água.

— Tem jarra na mesa — Dona Sônia disse, tarde demais.

Ele foi para a cozinha. Clara ficou sentada por três segundos, depois levantou também.

— Vou ajudar.

Na cozinha, Renato estava parado diante da pia, as duas mãos apoiadas na borda. A jarra de água ficava na mesa, mesmo. Ele não olhou quando ela entrou.

— Desculpa — Clara disse.

— Pelo quê, exatamente? Pela minha irmã ser uma metralhadora ou por eu ter que defender uma coisa que eu mesmo não sei defender?

Ela levou a mão ao peito.

— Eu não pedi.

— Eu sei.

— Você não precisava ter falado.

— Precisava.

— Por quê?

Ele virou. O rosto estava vermelho, de raiva contida ou de vergonha.

— Porque eu não aguento ouvir gente falando de você sem saber que está falando de você.

— Ela não estava falando de mim.

— Estava. Só não sabia.

Clara baixou os olhos. Da sala veio a voz de Dona Sônia mudando de assunto com força: receita de pudim, aniversário de alguém, preço de gás.

— Isso é o custo — Renato disse, mais baixo.

— Que custo?

— Do segredo. Eu fico sentado ali ouvindo minha irmã falar da Denise, e metade de mim quer mandar ela calar a boca porque está te machucando. A outra metade quer concordar com ela porque também está me machucando.

Clara sentiu vontade de encostar nele. Não encostou.

— Eu posso ir embora.

— E inventar o quê? Dor de cabeça? A gente já gastou essa.

Ela ficou quieta.

Renato pegou um copo no armário, encheu de água da torneira e bebeu como se estivesse com sede há horas.

— Eu te defendi lá fora e agora estou com raiva de você por eu ter defendido.

— Eu entendo.

— Não fala isso se não tiver certeza.

— Não tenho certeza. Mas estou tentando.

Ele respirou fundo. O barulho da família continuava do outro lado, mais baixo. A casa inteira tinha aprendido a fingir.

— Vamos terminar o almoço — ele disse.

— Renato.

— Vamos terminar o almoço. Ajudar minha mãe a guardar as coisas. Depois a gente vai embora.

— Tá.

— E não chora no banheiro.

Clara quase sorriu, mas a frase era séria demais.

— Não prometo.

— Então chora pouco.

Ela assentiu. Voltaram para a mesa. Paula não pediu desculpa. Renato também não. A conversa ficou com buracos. Dona Sônia colocou sobremesa nos pratos e caprichou na calda.

Depois do almoço, Clara ajudou na cozinha. Lavou travessas, secou talheres, guardou copos em prateleiras que não eram as certas até Dona Sônia corrigir com delicadeza impaciente. Renato ficou na sala com o pai, mas olhava para a porta da cozinha de vez em quando. Clara sentia cada olhar como uma pergunta sem texto.

Quando a louça diminuiu, ela pediu licença para ir ao banheiro.

— Toalha limpa no armário, amor — Dona Sônia disse.

O banheiro ficava no fim do corredor, depois de um quadro antigo com uma paisagem de rio. Clara entrou, fechou a porta e apoiou as duas mãos na pia. O espelho tinha manchas nas bordas. O rosto dela parecia de outra pessoa: olhos cansados, boca apertada, uma mulher defendida pelo marido daquilo que realmente fizera.

Ela abriu a torneira. Não chorou.

O celular vibrou no bolso.

Clara fechou os olhos antes de pegar. Pensou em Renato na sala. Pensou na regra. Pensou que talvez fosse Janaína, talvez a operadora, talvez nada. Desbloqueou.

André.

O nome veio de uma vida anterior ao casamento, ou quase. Academia antiga, mensagens espaçadas, duas conversas que nunca tinham virado encontro. Clara nem lembrava de ter mantido o contato.

“Você sumiu.”

A frase era pequena. Tinha a indecência das coisas pequenas.

Clara segurou o celular com a mão molhada. A regra dizia antes. Antes de responder. Antes de dúvida virar escolha. Antes de banheiro.

Principalmente antes de banheiro.

Do outro lado da porta, ouviu Paula rindo de alguma coisa. Ouviu Renato responder baixo. A família inteira continuava existindo em volta da pia.

Clara digitou o nome de Renato na lista de chamadas.

Parou.

Se ligasse dali, ele saberia. Viria ao corredor? Perguntaria quem era André no meio da casa da mãe? Ficaria com a mesma cara da cozinha, defendendo-a e odiando-a em silêncio? Clara imaginou a cena inteira antes de tocar no botão.

O celular vibrou de novo.

André:

“Ainda mora perto da academia?”

Ela não respondeu. Também não chamou Renato.

Bloqueou a tela, colocou o celular no bolso e lavou as mãos como se tivesse usado o banheiro de verdade. Quando abriu a porta, Renato estava no corredor.

— Tudo bem?

Clara sentiu o corpo inteiro querer uma mentira rápida.

— Não.

Ele ficou muito quieto.

— O que foi?

— Mensagem.

Renato olhou para a porta da sala, depois para ela.

— De quem?

— André. Um cara da academia antiga. Mandou você sumiu. Depois perguntou se eu ainda moro perto.

O rosto dele mudou devagar.

— Você respondeu?

— Não.

— Ia me ligar?

Ela podia dizer que sim. Tinha aberto a chamada. Isso quase era sim, se a pessoa quisesse uma versão generosa da verdade.

— Pensei. Não liguei.

Ele assentiu. A casa parecia pequena demais para a conversa.

— Por quê?

— Porque eu imaginei você tendo que lidar com isso aqui.

— Então você decidiu por mim.

— Sim.

Renato passou a mão na boca. Do outro lado, Dona Sônia chamou alguém para levar sobremesa ao pai dele.

— Você bloqueou?

— Não. Só bloqueei a tela.

— Me dá o celular.

Clara recuou meio passo.

— Não.

O não saiu antes do medo. Renato olhou para ela.

— Não?

— Eu posso te mostrar. Mas não quero te entregar como se você fosse resolver.

— Agora você lembra disso?

— Agora eu estou tentando lembrar de alguma coisa.

Ele riu pelo nariz, baixo, para não ser ouvido.

— Que hora ótima para amadurecer.

Clara pegou o celular e mostrou a tela. Renato leu as duas mensagens sem tocar no aparelho. O maxilar dele mexeu uma vez.

— Bloqueia.

Ela abriu o contato. O dedo ficou suspenso sobre a opção.

— Clara.

— Eu vou bloquear.

— Então bloqueia.

Ela bloqueou. Depois apagou a conversa. O corredor continuava o mesmo. O quadro do rio, a luz amarela, a parede com uma marca perto do rodapé. Nada ali reconhecia a dimensão daquilo.

— Pronto.

Renato olhou para a sala.

— A gente vai embora.

— Sua mãe vai perceber.

— Todo mundo já percebeu que tem alguma coisa.

— Renato...

— Eu não consigo ficar sentado com minha família e fingir que você não estava no banheiro decidindo se me chamava ou não por causa de outro homem.

Clara guardou o celular no bolso.

— Eu não respondi.

— Eu sei.

— Eu contei.

— Contou depois de não me chamar antes.

Ela fechou os olhos. A regra tinha bordas demais.

— Eu falhei?

Renato olhou para ela. A pergunta parecia injusta com os dois.

— Eu não sei.

Foram embora vinte minutos depois, com a desculpa de que Renato precisava resolver uma coisa do trabalho. Dona Sônia olhou para o filho por tempo demais, mas não perguntou. Paula beijou Clara no rosto e disse que a lasanha estava ótima. Clara agradeceu. No carro, a travessa vazia foi no banco de trás, coberta com papel-alumínio amassado.

Renato dirigiu sem ligar o rádio.

— Eu te defendi hoje — ele disse, depois de três quadras.

— Eu sei.

— E você estava no banheiro com mensagem de outro homem.

— Eu não pedi a mensagem.

— Não. Mas recebeu como quem reconhece a porta.

Clara olhou pela janela. As casas passavam com portões baixos, plantas em vasos, domingos terminando atrás de cortinas.

— Eu contei.

— Eu estou tentando dar valor a isso.

— Parece que não.

— Porque também estou tentando não quebrar o volante.

Ela ficou quieta.

No semáforo, Renato apoiou a cabeça no encosto e fechou os olhos por um segundo.

— Eu não quero virar o homem que te vigia em banheiro de casa de família.

— Você não é esse homem.

— Hoje eu estava no corredor.

— Porque percebeu que eu demorei.

— Escuta a frase, Clara.

Ela escutou. Hoje eu estava no corredor. A frase continha tudo: cuidado, suspeita, vergonha, amor, humilhação.

— Desculpa.

— Eu sei.

— Você quer que eu faça o quê?

— Hoje? Nada. Hoje eu quero chegar em casa e ficar calado.

— Tá.

— E quero que você não transforme meu silêncio em punição para depois pedir perdão por ele.

Clara assentiu.

Em casa, guardaram a travessa sem lavar. Renato tirou os sapatos na entrada e foi para o quarto. Clara ficou na sala, com o celular na mão. Abriu a lista de bloqueados e viu Davi, André. Dois nomes parados num lugar que parecia lixeira e altar ao mesmo tempo. Mauro não estava ali porque nunca tivera número. O homem da fila também não. A ausência dos nomes era quase uma presença.

Renato apareceu na porta do quarto.

— Clara.

Ela levantou os olhos.

— O quê?

— Eu não estou calado porque acabou.

— Eu sei.

— Não sabe. Estou falando.

Ela segurou o celular contra o peito.

— Tá.

Ele voltou para dentro. Clara sentou no sofá. A casa estava quieta demais para um domingo que começara com alho, televisão e família.

Pela primeira vez desde Davi, ela pensou que podia dizer a verdade e ainda assim sair menor dela.

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