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Lira dos Vinte Anos

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Lira dos Vinte Anos

Capítulo 12 · Lira dos Vinte Anos

Quando fallo comtigo, no meu peito, etc

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Quando fallo comtigo, no meu peito, etc

Só um olhar por compaixão te peço,

Um olhar.... mas bem lânguido, bem terno...

.......................................

Quero um olhar que me arrebate o siso,

Me queime o sangue, m'escureça os olhos,

Me torne delirante!

ALMEIDA FREITAS

Sur votre main jamais votre front ne se pose,

Brûlant, chargé d'ennuis, ne pouvant soutenir

Le poids d'un douloureux et cruel souvenir;

Votre coeur virginal en lui-même repose.

Th. Gautier

Ricorditi di me...............

DANTE , Purgatório

Quando falo contigo, no meu peito

Esquece-me esta dor que me consome:

Talvez corre o prazer nas fibras d'alma:

E eu ouso ainda murmurar teu nome!

Que existência, mulher! se tu souberas

A dor de coração do teu amante,

E os ais que pela noite, no silêncio,

Arquejam no seu peito delirante!

E quando sofre e padeceu... e a febre

Como seus lábios desbotou na vida...

E sua alma cansou na dor convulsa

E adormeceu na cinza consumida!

Talvez terias dó da mágoa insana

Que minh'alma votou ao desalento...

E consentirás, ó virgem dos amores,

Descansar-me no seio um só momento!

Sou um doudo talvez de assim amar-te,

De murchar minha vida no delírio...

Se nos sonhos de amor nunca tremeste,

Sonhando meu amor e meu martírio...

E não pude, febril e de joelhos,

Com a mente abrasada e consumida,

Contar-te as esperanças do meu peito

E as doces ilusões de minha vida!

Oh! quando eu te fitei, sedento e louco,

Teu olhar que meus sonhos alumia,

Eu não sei se era vida o que minh'alma

Enlevava de amor e adormecia!

Oh! nunca em fogo teu ardente seio

A meu peito juntei que amor definha!

A furto apenas eu senti medrosa

Tua gélida mão tremer na minha!...

Tem pena, anjo de Deus! deixa que eu sinta

Num beijo esta minh'alma enlouquecer

E que eu viva de amor nos teus joelhos

E morra no teu seio o meu viver!

Sou um doudo, meu Deus! mas no meu peito

Tu sabes se uma dor, se uma lembrança

Não queria calar-se a um beijo dela,

Nos seios dessa pálida criança!

Se num lânguido olhar no véu de gozo

Os olhos de Espanhola a furto abrindo

Eu não tremia... o coração ardente

No peito exausto remoçar sentindo!

Se no momento efêmero e divino

Em que a virgem pranteia desmaiando

E a c'roa virginal a noiva esfolha,

Eu queria a seus pés morrer chorando!

Adeus! Rasgou-se a página saudosa

Que teu porvir de amor no meu fundia,

Gelou-se no meu sangue moribundo

Essa gota final de que eu vivia!

Adeus, anjo de amor! tu não mentiste!

Foi minha essa ilusão e o sonho ardente:

Sinto que morrerei... tu, dorme e sonha

No amor dos anjos, pálido inocente!

Mas um dia... se a nódoa da existência

Murchar teu cálix orvalhoso e cheio,

Flor que respirei, que amei sonhando,

Tem saudade de mim, que eu te pranteio!

Lira dos Vinte Anos

Sinopse

Leia Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo, grátis no Literunico. Livro de poesia clássico brasileiro em domínio público, publicado para leitura online em HTML, com fonte Wikisource validada e espelhos de conteúdo para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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