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Lira dos Vinte Anos

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Lira dos Vinte Anos

Capítulo 17 · Lira dos Vinte Anos

Crepusculo nas montanhas

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Crepusculo nas montanhas

Pálida estrela, casto olhar da noite,

diamante luminoso na fronte azul do

crepúsculo, o que vês na planície?

OSSIAN

Além serpeia o dorso pardacento

Da longa serrania,

Rubro flameia o véu sanguinolento

Da tarde na agonia.

No cinéreo vapor o céu desbota

Num azulado incerto,

No ar se afoga desmaiando a nota

Do sino do deserto...

Vim alentar meu coração saudoso

No vento das campinas,

Enquanto nesse manto lutuoso

Pálida te reclinas

E morre em teu silêncio, ó tarde bela,

Das folhas o rumor...

E late o pardo cão que os passos vela

Do tardio pastor!

II

Pálida estrela! o canto do crepúsculo

Acorda-te no céu:

Ergue-te nua na floresta morta

Do teu doirado véu!

Ergue-te!... eu vim por ti e pela tarde

Pelos campos errar,

Sentir o vento, respirando a vida

E livre suspirar.

É mais puro o perfume das montanhas

Da tarde no cair...

Quando o vento da noite agita as folhas

É doce o teu luzir!

Estrela do pastor, no véu doirado

Acorda-te na serra,

Inda mais bela no azulado fogo

Do céu da minha terra!

III

Estrela d'oiro, no purpúreo leito

Da irmã da noite, branca e peregrina

No firmamento azul derramas dia

Que as almas ilumina!

Abre o seio de pérola, transpira

Esse raio de luz que a mente inflama!

Esse raio de amor que ungiu meus lábios

No meu peito derrama!

IV

Lo bel pianeta he ad amar conforta

Faceva tutto rider l'oriente

DANTE , Purgatório

Estrelinhas azuis do céu vermelho,

Lágrimas d'oiro sobre o véu da tarde,

Que olhar celeste em pálpebra divina

Vos derramou tremendo?

Quem, à tarde, crisólitas ardentes,

Estrelas brancas, vos sagrou saudosas

Da fronte dela na azulada c'roa

Como auréola viva?

Foram anjos de amor, que vagabundos

Com saudades do céu vagam gemendo

E as lágrimas de fogo dos amores

Sobre as nuvens pranteiam?

Criaturas da sombra e do mistério,

Ou no purpúreo céu doureis a tarde,

Ou pela noite cintileis medrosas,

Estrelas, eu vos amo!

E quando, exausto o coração no peito

Do amor nas ilusões espera e dorme,

Diáfanas vindes-lhe doirar na mente

A sombra da esperança!

Oh! quando o pobre sonhador medita

Do vale fresco no orvalhado leito

Inveja às águias o perdido vôo

Para banhar-se no perfume etéreo...

E, nessa argêntea luz, no mar de amores

Onde entre sonhos e luar divino

A mão do Eterno vos lançou no espaço,

Respirar e viver!

Lira dos Vinte Anos

Sinopse

Leia Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo, grátis no Literunico. Livro de poesia clássico brasileiro em domínio público, publicado para leitura online em HTML, com fonte Wikisource validada e espelhos de conteúdo para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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