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Lira dos Vinte Anos

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Lira dos Vinte Anos

Capítulo 71 · Lira dos Vinte Anos

Malva-maçã

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Malva-maçã

De teus seios tão mimosos

Dá que eu goze o talismã!

Dá que ali repouse a fronte

Cheia de amoroso afã!

E louco nele respire

A tua malva-maçã!

Dá-me essa folha cheirosa

Que treme no seio teu!

Dá-me a folha... hei de beijá-la

Sedenta no lábio meu!

Não vês que o calor do seio

Tua malva emurcheceu?...

A pobrezinha em teu colo

Tantos amores gozou,

Viveu em tanto perfume

Que de enlevos expirou!

Quem pudera no teu seio

Morrer como ela murchou!

Teu cabelo me inebria,

Teu ardente olhar seduz,

A flor de teus olhos negros

De tu'alma raia à luz...

E sinto nos lábios teus

Fogo do céu que transluz!

O teu seio que estremece

Enlanguesce-me de gozo:

Há um quê de tão suave

No colo voluptuoso...

Que num trêmulo delíquio

Faz-me sonhar venturoso!

Descansar nesses

teus braços

Fora angélica ventura...

Fora morrer... nos teus lábios

Aspirar tu'alma pura!

Fora ser Deus dar-te um beijo

Na divina formosura!

Mas o que eu peço, donzela,

Meus amores, não é tanto!

Basta-me a flor do seio

Para que eu viva no encanto

E em noites enamoradas

Eu verta amoroso pranto!

Oh! virgem dos meus amores,

Dá-me essa folha singela!

Quero sentir teu perfume

Nos doces aromas dela...

E nessa malva-maçã

Sonhar teu seio, donzela!

Uma folha assim perdida

De um seio virgem no afã

Acorda ignotas doçuras

Com divino talismã!

Dá-me do seio esta folha

A tua malva-maçã!

Quero apertá-la a meu peito

E beijá-la com ternura...

Dormir com ela nos lábios

Desse aroma na frescura...

Beijando-a a sonhar contigo

E desmaiar de ventura!

A folha que tens no seio

De joelhos pedirei...

Se posso viver sem ela

Não o creio! bem o sei...

Dá-ma pelo amor de Deus,

Que sem ela morrerei!...

Pelas estrelas da noite,

Pelas brisas da manhã,

Por teus amores mais puros,

Pelo amor de tua irmã,

Dá-me essa folha cheirosa...

-- A tua malva-maçã!

Lira dos Vinte Anos

Sinopse

Leia Lira dos Vinte Anos, de Álvares de Azevedo, grátis no Literunico. Livro de poesia clássico brasileiro em domínio público, publicado para leitura online em HTML, com fonte Wikisource validada e espelhos de conteúdo para busca, redes sociais e pesquisa por IA.

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