Universo da obra
Universo da obra
Numa cidade não muito distante da casa de Anansi vivia um grande rei. Esse rei tinha três belas filhas, cujos nomes eram mantidos em segredo de todos, exceto da própria família. Um dia, o pai delas fez uma proclamação dizendo que suas três filhas seriam dadas como esposas a qualquer homem que conseguisse descobrir seus nomes. Anansi decidiu fazer isso.
Primeiro comprou um grande pote de mel e partiu para o lugar onde as filhas do rei iam se banhar. Chegando lá, subiu ao topo de uma árvore em que cresciam frutos muito bons. Colheu alguns desses frutos e derramou mel sobre eles. Quando viu as princesas se aproximando, deixou cair os frutos no chão e esperou. As moças pensaram que os frutos haviam caído por si mesmos, e uma delas correu adiante para apanhá-los. Ao prová-los, chamou as irmãs pelo nome para exclamar sobre sua doçura. Anansi deixou cair outro, que a segunda princesa apanhou — ela, por sua vez, chamando pelos nomes das outras duas. Desse modo, Anansi descobriu todos os nomes.
Assim que as princesas se foram, Anansi desceu da árvore e correu para a cidade. Foi a todos os grandes homens e convocou-os para uma reunião no palácio do rei no dia seguinte.
Depois visitou seu amigo, o Lagarto, para conseguir que ele atuasse como arauto na Corte no dia seguinte. Contou ao Lagarto os três nomes, e este deveria soá-los em sua trombeta quando chegasse a hora.
Bem cedo na manhã seguinte, o rei e sua Corte estavam reunidos como de costume. Todos os grandes homens da cidade apareceram, como Anansi havia solicitado. Anansi expôs seu assunto, lembrando ao rei sua promessa de dar suas três filhas ao homem que descobrisse seus nomes. O rei exigiu ouvir os nomes; então o Lagarto os soou em sua trombeta.
O rei e os cortesãos ficaram muito surpresos. Sua Majestade, porém, não podia quebrar a promessa que fizera de dar suas filhas ao homem que as nomeasse. Assim, entregou-as ao senhor Lagarto. Anansi ficou muito irritado e explicou que tinha contado os nomes ao Lagarto, de modo que ele próprio deveria ficar ao menos com duas das moças, enquanto o Lagarto poderia ficar com a terceira. O rei recusou. Anansi então suplicou muito, pedindo ao menos uma, mas isso também foi recusado. Voltou para casa de muito mau humor, declarando que se vingaria do Lagarto por lhe roubar as esposas.
Pensou no assunto com muito cuidado, mas não conseguiu encontrar uma maneira de castigar o Lagarto. Por fim, porém, teve uma ideia.
Foi ao rei e explicou que partiria na manhã seguinte para uma longa viagem. Queria sair muito cedo e, por isso, pedia a ajuda do rei. O rei tinha um belo galo, que sempre cantava ao romper do dia para acordar o rei quando este desejava levantar cedo. Anansi pediu que o rei ordenasse ao galo que cantasse na manhã seguinte, para que Anansi tivesse certeza de partir a tempo. Isso o rei prometeu prontamente.
Assim que caiu a noite, Anansi foi por um caminho dos fundos até o lugar onde o galo dormia, agarrou rapidamente a ave e a matou. Depois levou-a à casa do Lagarto, onde todos estavam na cama. Ali, cozinhou o galo em silêncio, colocou as penas debaixo da cama do Lagarto e pôs um pouco da carne num prato perto da mão do Lagarto. Então o perverso Anansi pegou água fervente e a derramou na boca do pobre Lagarto, deixando-o mudo.
Quando a manhã chegou, Anansi foi ao rei e o censurou por não ter feito o galo cantar. O rei ficou muito surpreso ao ouvir que o galo não obedecera às suas ordens.
Mandou um de seus servos encontrar e trazer o galo até ele, mas, é claro, o servo voltou de mãos vazias. O rei então ordenou que encontrassem o ladrão. Nenhum vestígio dele pôde ser encontrado em parte alguma. Anansi então disse astutamente ao rei: “Sei que o Lagarto é um patife, pois roubou de mim minhas três esposas. Talvez ele seja o ladrão.” Assim, os homens foram revistar a casa do Lagarto.
Ali, naturalmente, encontraram os restos do galo, cozido e pronto para comer, e suas penas debaixo da cama. Interrogaram o Lagarto, mas o pobre animal não era capaz de responder. Só conseguia mover a cabeça para cima e para baixo, impotente. Pensaram que ele se recusava a falar, e por isso o arrastaram até o rei. Às perguntas do rei, só conseguia dar a mesma resposta, e Sua Majestade ficou muito zangado. Não sabia que Anansi havia deixado o pobre animal mudo. O Lagarto tentou com todas as forças falar, mas em vão.
Assim, foi julgado culpado de roubo e, como castigo, suas esposas foram tiradas dele e dadas a Anansi.
Desde então, os lagartos sempre tiveram o hábito de mover a cabeça, impotentes, para trás e para diante, como se dissessem: “Como alguém pode ser tão tolo a ponto de confiar em Anansi?”
Seleção de contos de Ananse/Anansi da tradição akan, a figura astuta da aranha narradora, em edição brasileira do Literunico para a Copa do Mundo.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Uma seleção criada para acompanhar a atmosfera, os personagens e os caminhos desta obra.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.