Universo da obra
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Certa vez, em terra Fanti, vivia um homem chamado Pai Anansi. Ele possuía toda a sabedoria do mundo. As pessoas vinham diariamente a ele em busca de conselho e ajuda.
Um dia, os homens do país tiveram a infelicidade de ofender Pai Anansi, que resolveu imediatamente puni-los. Depois de muito pensar, decidiu que o castigo mais severo que poderia impor seria esconder deles toda a sua sabedoria. Pôs-se logo a trabalhar para reunir de novo tudo o que já havia dado. Quando conseguiu, como pensava, recolhê-la toda, colocou-a num grande pote. Selou-o cuidadosamente e decidiu colocá-lo num lugar onde nenhum ser humano pudesse alcançá-lo.
Ora, Pai Anansi tinha um filho, cujo nome era Kweku Tsin. Esse menino começou a suspeitar que seu pai tramava algum plano secreto, por isso resolveu observá-lo com atenção. No dia seguinte, viu seu pai sair de mansinho [ 34 ] de casa, com o precioso pote pendurado ao pescoço. Kweku Tsin o seguiu. Pai Anansi atravessou a floresta até deixar a aldeia muito para trás. Então, escolhendo a árvore mais alta e de aparência mais inacessível, começou a subir. O pote pesado, pendurado à sua frente, tornava a subida quase impossível. Uma e outra vez tentou alcançar o topo da árvore, onde pretendia pendurar o pote. Ali, pensava ele, a Sabedoria estaria de fato fora do alcance de todos, exceto dele próprio. Contudo, não conseguiu realizar seu desejo. A cada tentativa, o pote balançava em seu caminho.
Por algum tempo, Kweku Tsin observou as tentativas inúteis de seu pai. Por fim, incapaz de se conter por mais tempo, gritou: “Pai, por que o senhor não pendura o pote nas costas? Assim poderia subir facilmente na árvore.”
Pai Anansi virou-se e disse: “Pensei que tivesse toda a sabedoria do mundo neste pote. Mas vejo que você possui mais do que eu. Toda a minha sabedoria não foi suficiente para me mostrar o que fazer, e ainda assim você foi capaz de me dizer.” Em sua raiva, atirou o pote ao chão. Ele bateu numa grande rocha e se quebrou. A sabedoria contida nele escapou e se espalhou por todo o mundo.
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Seleção de contos de Ananse/Anansi da tradição akan, a figura astuta da aranha narradora, em edição brasileira do Literunico para a Copa do Mundo.
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