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Histórias de Ananse

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Histórias de Ananse

Capítulo 10 · Histórias de Ananse

Por que as aranhas sempre são encontradas nos cantos dos tetos

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Egya Anansi era um lavrador muito habilidoso. Ele, com sua esposa e seu filho, pôs-se a trabalhar, certo ano, para preparar uma roça muito maior do que qualquer outra que já houvessem cultivado antes. Plantaram nela inhames, milho e feijões — e foram recompensados com uma safra muito abundante. A colheita deles foi umas dez vezes maior do que qualquer outra que já haviam tido. Egya Anansi ficou muito satisfeito quando viu sua riqueza de milho e feijões.

Ele era, contudo, um homem extremamente egoísta e ganancioso, que nunca gostava de dividir coisa alguma — nem mesmo com a própria esposa e o próprio filho. Quando viu que as plantações estavam bem maduras, pensou num plano pelo qual somente ele lucraria com elas. Chamou a esposa e o filho e falou assim: “Nós três trabalhamos muitíssimo para preparar estes campos. Eles nos recompensaram bem. Agora recolheremos a colheita e a guardaremos em nossos celeiros. Quando isso estiver feito, precisaremos descansar. Proponho que você e nosso filho voltem para nossa casa na aldeia e fiquem lá tranquilos por duas ou três semanas. Eu preciso ir à costa tratar de negócios muito urgentes. Quando eu voltar, todos nós viremos à roça e desfrutaremos nosso banquete merecido.”

A esposa e o filho de Anansi acharam aquele um plano muito bom e sensato, e concordaram de imediato. Voltaram diretamente para sua aldeia, deixando o marido ardiloso partir em sua viagem. Desnecessário dizer que ele não tinha a menor intenção de fazer tal coisa.

Em vez disso, construiu para si uma cabana muito confortável perto da roça — abasteceu-a com todo tipo de utensílios de cozinha, recolheu do celeiro uma grande quantidade de milho e legumes, e preparou-se para um banquete solitário. Isso continuou por quinze dias. Ao fim desse tempo, o filho de Anansi começou a achar que já era hora de ir capinar a roça, para que o mato não crescesse demais. Assim, foi até lá e trabalhou nela por várias horas. Ao passar pelo celeiro, aconteceu de olhar para dentro. Grande foi sua surpresa ao ver que mais da metade da magnífica colheita havia desaparecido. Ficou muito perturbado, pensando que ladrões tinham estado trabalhando ali, e perguntou-se como poderia impedir novos prejuízos.

Voltando à aldeia, contou às pessoas o que havia acontecido, e elas ajudaram a fazer um homem de borracha. Quando a noite chegou, levaram a figura pegajosa para a roça e a colocaram no meio dos campos, para espantar os ladrões. Alguns dos jovens permaneceram com o filho de Anansi para vigiar dentro de um dos celeiros.

Quando tudo estava escuro, Egya Anansi — sem saber absolutamente nada do que havia acontecido — saiu, como de costume, de seu esconderijo para buscar mais comida. A caminho do celeiro, viu diante de si a figura de um homem, e a princípio ficou muito assustado. Percebendo, porém, que o homem não se mexia, ganhou confiança e aproximou-se dele. “O que você quer aqui?”, disse ele. Não houve resposta. Repetiu a pergunta, com o mesmo resultado. Anansi então ficou muito zangado e deu na figura um golpe na face com a mão direita. É claro que sua mão ficou presa à borracha. “Como ousa segurar minha mão?”, exclamou ele. “Solte-me imediatamente ou eu baterei em você outra vez.” Então golpeou a figura com a mão esquerda, que também ficou presa. Tentou se desprender empurrando-a com os joelhos e o corpo, até que, por fim, joelhos, corpo, mãos e cabeça ficaram todos firmemente grudados ao homem de borracha. Ali Egya Anansi teve de ficar até o amanhecer, quando seu filho saiu com os outros aldeões para capturar o ladrão. Ficaram espantados ao descobrir que o malfeitor era o próprio Anansi. Ele, por sua vez, ficou tão envergonhado de ser apanhado no ato de ganância que se transformou numa aranha e se refugiou num canto escuro do teto, para que ninguém o visse. Desde então, as aranhas sempre são encontradas em cantos escuros e empoeirados, onde as pessoas dificilmente as notam.

Histórias de Ananse

Sinopse

Seleção de contos de Ananse/Anansi da tradição akan, a figura astuta da aranha narradora, em edição brasileira do Literunico para a Copa do Mundo.

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