Universo da obra
Universo da obra
Pequim
Huang Shaoran
É um dia nublado com um clima tenso e chuvoso, parecia que o céu chorava pelo que presenciava em sua frente molhando nós com suas gotas como se quisesse limpar nossas almas. Como se pudesse apagar nossos pecados e fazer toda essa desgraça sumir.
Três anos de guerra contra uma nação inimiga.
Três anos vendo pessoas que não conheço.
Três anos de vidas perdidas e sangue derramado.
Mas tudo é apenas um ato de vingança contra aqueles que ousaram ferir um membro da família imperial e invadiram nossas terras.
Não queria estar aqui, não queria ser responsável por liderar homens para matar uns aos outros. Mas a guerra não se importa com a vontade, ela quer destruição antes de alcançar o fim.
Como General do Exército Imperial é meu dever guiar as tropas e garantir a segurança dos civis. E isso significa sujar minhas mãos com sangue daqueles que são inimigos.
Que os deuses possam nos proteger desse caos.
Avanço em um inimigo que tenta matar meu companheiro, corro pelo campo de batalha decapitando e mutilando os meus adversários. Os sons de lâminas e gritos soam em meus ouvidos enquanto sinto o odor horrível de sangue misturado com suor e sujeira.
Meu corpo está cansado e minha mente também, mas não posso me dar ao luxo de baixar minha guarda no campo de batalha. Um único momento de fraqueza abre margem para que o inimigo ataque, não quero morrer estando fraco.
Respiro fundo voltando a posição, porém me distraio ao procurar os inimigos e sinto uma lâmina cortar meu abdômen fazendo-me soltar um grito de dor. Caio no chão de joelhos colocando a mão na região que começa a sangrar, o gosto metálico do sangue invade minha boca e naquele instante pensei que iria morrer.
Eu esperei pelo próximo golpe, mas nada aconteceu.
Uma figura mascarada aparece ao meu lado pegando minha katana fazendo um grande corte no peito de meu adversário que cai morto no chão, vi o brasão da Guarda Imperial indicando que é um dos nossos. Ao se virar vejo que a máscara que usa é de raposa, ele não disse nada e ficou parado ignorando a guerra que acontecia.
Outros cavaleiros aparecem e sou levado de imediato para fora do campo de batalha em um lugar mais escondido dos olhos inimigos, respiro pesado vendo a pessoa mascarada que abre uma bolsa com ervas secas. Luto para manter a consciência enquanto o soldado a minha frente manipula as coisas de forma habilidosa, o fato de não falar me deixava intrigado.
Em nenhum momento a máscara foi tirada e nenhuma palavra foi dita, a forma como lida com as ervas medicinais mostra uma experiência de alguém que está acostumado com isso. Ele tira um pano amarrando em meu abdômen com força para estancar o sangramento antes de começar a tratar a ferida, seu silêncio começou a me incomodar então pergunto.
— Quem é você?
A pessoa me olha, porém não responde minha pergunta, aperto o maxilar não gostando daquilo.
— Eu te fiz uma pergunta, me responda!
— Não fale, preciso de concentração. — ele fala, mas o timbre é fino parecido com o de uma mulher.
Não questiono o que diz, fiquei observando a forma como tratou a ferida de um jeito quase que perfeito. Suas mãos são delicadas demais para ser um homem, não é a primeira vez que recruto uma mulher disfarçada.
Um pano é enfiado na minha boca sem ao menos pedir, solto um gemido abafado ao sentir uma perfuração na minha pele. Estou sendo costurado ainda consciente, isso é pior do que ser cortado.
Entre gemidos abafados e dor ela termina, o jeito que fez isso foi impecável, nunca vi nada igual. O local é limpo com praticidade antes de ser coberto com a bandagem, com um pano o suor é limpo da minha testa.
— Obrigado, quero saber seu nome. — agradeço enquanto sou ajeitado.
— Não posso revelar meu nome, se me descobrirem morrerei. Fique vivo. — é tudo o que diz antes de desaparecer.
Um guerreiro misterioso com conhecimentos médicos... preciso descobrir quem é ele.
Em uma guerra, você luta pela nação.
Em um bordel, você luta pela sobrevivência.
Narae desde cedo aprendeu que, para se ter o básico, precisa se vender. Na casa Verdete, é bastante procurada não apenas por suas habilidades de jogos, como também pelo carisma e por ser diferente. Longe dos olhos lascivos dos clientes, dedica-se ao estudo da medicina e atua como apotecária, cuidando das suas irmãs do bordel.
Sem perspectiva de um futuro em que seria amada, algo acontece que pode ser um recomeço ou uma tormenta.
Huang Shaoran não sabe como é viver com tranquilidade, mesmo estando em tempos de paz; suas mãos carregam sangue de inúmeras batalhas e guerras que enfrentará como general. Para se proteger de olhos curiosos, vive recluso da sociedade, preferindo a solidão, abdicando até mesmo de casamentos.
Acreditando ser incapaz de ser amado por seu passado, recebe uma notícia na qual precisará se casar para manter sua posição.
O que pode acontecer em uma relação envolvendo pessoas de mundos tão diferentes?
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