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A Emancipada

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A Emancipada

Capítulo 2 · A Emancipada

Capítulo 2

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Capítulo 2

Ao amanhecer do dia seguinte, Eduardo recebeu uma carta de um amigo íntimo seu, que estava a par de todos os seus segredos, e que lhe dizia:

Querido Eduardo: prepara o ânimo para ouvir coisas terríveis; é preciso que cobres forças e leias esta carta até o fim. Conforme o combinado, assisti ao baile do Menino.

São duas da manhã: ainda ouço o canto e o tamboril; dom Pedro está no baile, e creio que só verá a filha muito tarde. Podes aproveitar os momentos, que são preciosos: entre o pároco e dom Pedro vão sacrificar Rosaura, se por acaso não andares esperto.

Dom Pedro havia esvaziado as taças como sempre e se tornou o alvo de riso dos tunantes. Em uma das rodas, falaram-lhe do próximo casamento da freirinha — assim chamam Rosaura —, e ouvi dele estas palavras, que me gelaram todas as fibras: “O pároco me deu um bom noivo para ela, e eu o aceitei de olhos fechados, porque sei que certo mocinho já veio me irritar o sangue. Amanhã, na missa deste Menino, será o primeiro proclama.

Depois de amanhã, na missa dos paileros, será o segundo proclama. No dia dos Santos Reis, a freirinha será esposa legítima de dom Anselmo de Aguirre, proprietário de terras em Quilanga”.

Com uma angústia mortal, embora sem dar inteiro crédito ao que acabava de ouvir, aproximei-me para falar com o pároco, no momento em que este se sentava em um tamborete para saborear um copo de aguanaje que acabavam de lhe servir. Ao mesmo tempo, aproximou-se dom Pedro, fazendo ao pároco mímicas contorções e, apontando com o indicador para dois velhos que o seguiam, disse:

— Ouça, meu senhor pároco, o que me dizem estes velhacos: dizem-me que faço mal em deixar correr os proclamas antes de haver pedido o consentimento da noiva, como se minha filha pudesse deixar de consentir naquilo que o pai lhe manda.

O pároco se espreguiçou na cadeira, dirigiu-nos um olhar à maneira de sultão, engoliu um gole de aguanaje, produzindo um ruído repugnante, e respondeu com afetada gravidade:

— Sem dúvida esses senhores não saberiam que fui eu quem dispôs isso.

— Não, senhor, não sabíamos — respondeu um, baixando a cabeça.

— Se o senhor pároco assim o dispôs, bem disposto está — disse o outro.

Os três se retiraram.

— Senhor pároco — disse-lhe eu —, o assunto é grave, e, se me permitisse, eu lhe faria algumas reflexões.

— Que reflexões serão essas? — respondeu-me sem olhar para mim e com a vista fixa nos que começavam a dançar.

— A primeira é que as filhas não são escravas nem de seus pais nem dos párocos.

— E é um pascácio lancasteriano que há de vir ensinar-me?

— Sim, senhor, um pascácio lancasteriano tem o direito de dizer a um senhor pároco que, se em verdade somos cristãos, devemos ser substancialmente distintos daqueles povos em que a mulher é entregue como mercadoria aos caprichos de um dono, a quem serve de utilidade ou entretenimento, mas não de esposa.

O cristão deve penetrar-se do que é uma esposa segundo o cristianismo, e de que as filhas daquela que foi Mãe de Deus devem valer algo mais que os animais encerrados em um redil para viverem brutalmente.

Em resposta, ele me acometeu com distinções e subdistinções disparatadas.

Percebi que era infrutífera toda discussão com um homem a quem todos admiravam e aplaudiam até pelos sinais da cruz que fazia ao bocejar, e saí sem me despedir.

Detive-me em pormenores para que conheças entre que homens estamos e penses no que melhor te convém.

Às seis da manhã, Rosaura recebeu uma carta de Eduardo em que ele lhe comunicava as notícias da anterior e continuava dizendo:

Tu sabes bem que teu pai não pode obrigar-te a casar sem tua vontade. Eu aguardarei os três anos que te faltam para seres livre, ou pediremos as licenças nos termos que a lei nos permite.

Não sei quem é o homem que já conta com tua mão, mas tenho a evidência de que não te ama, pois nem sequer te conhece; enquanto teu coração e o meu foram criados para amar-se eternamente.

Agora sucede que um muro vai interpor-se entre nós dois; mas que muro poderia resistir ao poder excelso do amor? Vence tu naquilo que só a ti corresponde: pensa que tua mãe teria abençoado nossa união, e esse pensamento dará vigor a teus esforços; pensa que, com poucos dias de uma resolução enérgica e perseverante, asseguras a liberdade de tua vida inteira.

Dize-me alguma palavra; faze algum sinal que eu possa compreender quando necessitares de meu auxílio. Eu estarei sempre nas imediações de tua casa: dia e noite me terás à tua disposição para lutar como atleta, se algum perigo te ameaçar. Segundo o disposto pelo pároco, teu pai nada te dirá até depois de amanhã. A partir desse dia, estarei perto de ti para atender à menor indicação.

Sinto que a alma se me engrandece e as forças se duplicam quando penso em nosso amor. Bendiria minha hora derradeira, se conseguisse expirar sacrificando-me por ti.

Teu para sempre. Eduardo.

Duas horas depois, o latido dos cães anunciou que dom Pedro de Mendoza se aproximava de sua alqueria.

Rosaura correu, assustada, para recostar-se em seu leito.

Como a fisionomia de dom Pedro carecia de expressão, bastará, para apresentar sua pessoa, uma rápida silhueta. Era um camponês alto, seco, de nariz rombo, barba grisalha que lhe descia até a metade da face, olhos pardos de olhar entre estúpido e severo, fronte calva, um pouco estreita nas têmporas, cor avermelhada e lábios arroxeados. Entrou no pátio de sua casa cavalgando uma mula negra; para apear-se, recolheu a parte dianteira de seu poncho grená e a lançou sobre o ombro esquerdo.

Desmontou, atou o cabresto a um pilar, desprendeu da queixada a tira de cordovão que sustentava seu enorme chapéu amarelento; ao tirar as esporas e as amarras, divisou no pátio as marcas de uma besta, observou-as com minúcia, tomou uma expressão iracunda, entrou ruidosamente na sala, chamou a filha e, como ela não respondesse, procurou-a por toda parte até encontrá-la no dormitório.

— Então estamos de lágrimas? — disse-lhe. — Por que essas lágrimas?... E continua chorando e não responde!... Quem veio a cavalo esta manhã?

— Um rapaz.

— Linda resposta! Um rapaz! Quando soltas essas palavras, dizendo com medo “um rapaz”, e ficas aí chorando, é porque houve alguma patifaria.

— Isso não, senhor — disse Rosaura, levantando-se.

— Pois então quem era o rapaz e para que veio?

— Foi o pajem de Eduardo Ramírez, e veio dar-me a notícia de que tratam de me casar no dia 6 do corrente.

— Por isso estás chorando?

— Já não choro: perdoe-me a criancice de ter acreditado por um momento que o senhor tivesse consentido em me entregar para sempre a um homem que nem sequer conheci.

— Ainda és muito menina e foste mal-educada: deves saber que o senhorio desta jurisdição é biscainho e asturiano puro, e desde o tempo de nossos antepassados foi costume conservar as donzelas sempre na recâmara e ajustar os casamentos pelas pessoas de juízo e experiência, que são os pais dos contraentes.

Assim me casei eu com tua mãe; e, em verdade verdadeira, se não tivesse sido assim, eu não me teria casado, porque teus avós — que Deus haja perdoado e tenha entre santos — cometeram o desatino de permitir que um maldito frade — perdoe-me sua coroa —, vindo com essa tolice de escolas normais, fizesse a moça ler livros ruins.

Com esse veneno, tornou-se respondona, murmuradora dos pregadores, inimiga de que se queimassem ramos bentos para aplacar a ira de Deus, e amiga de livros, papéis e palavras ociosas; de modo que ninguém quis casar-se com ela na cidade, e com justa razão, porque ela, em vez de fiar e cozinhar, que é o que as mulheres devem saber, gostava de perguntar onde estava Bolívar, quem ia ao Congresso, o que dizia a Gazeta, e guardava como coisa de relíquia esses livros de Telêmaco e não sei que outros extravagantes que lhe havia deixado aquele frade, que nem sei como se chamava: uns lhe diziam padre normal, outros padre maçom e outros padre mestre.

Mas voltemos ao assunto: como ninguém quis casar-se com a maçonzinha afetada, empurraram-na para mim, dizendo que era uma pérola. Bastante me fez raivar com seus vícios; mas já morreu, e tudo lhe perdoei por amor de Deus. Assim, já vês que, se uma normalista como tua mãe foi casada sem me conhecer, uma dócil e obediente como tu há de ser casada como pessoa de valor. Estamos entendidos?... Não respondes?...

Sabes que estou atrasado em meus interesses, que preciso trabalhar por ti mesma e que não posso passar a vida inteira ocupado em guardar-te.

— Senhor, em que estorvo? Não poderia ir encerrar-me no mosteiro da cidade?

— Eu já havia pensado nisso: não me pareceria mal que estivesses entre as esposas de Jesus Cristo; ali está a vida mais perfeita. Oxalá tua mãe tivesse tido sempre em mãos as ladainhas e os misereres, em vez desses livros que, por misericórdia de Deus, foram parar em poder do senhor pároco: então ela e eu teríamos sido menos desgraçados. Mas, voltando ao assunto, pensei que tu não deves ir.

Se entrasses como secular, as monjas não me deixariam sossego, pedindo-me as despesas necessárias à tua subsistência, e escolheriam justamente os dias em que eu estivesse sem vintém, porque assim são essas monjas. Como secular, nem pensar. Para monja de véu negro, não tenho os mil pesos de dote, porque tua mãe em nada me ajudou no trabalho e depois...

Mas, passando a outra coisa: não te dariam os votos para monja de véu negro, porque essas monjas são muito melindrosas em assuntos de linhagem; e embora eu seja tão cavalheiro quanto os pais de muitas delas, não deixam de me fazer alguns melindres, pois houve mil falatórios quando me casei com tua mãe. Quanto melhor me teria sido casar com uma camponesa trabalhadora como eu! Mas vamos ao caso: de véu negro não se pode, e de véu branco tampouco, pois não quero que sejas criada de ninguém.

— Segundo acaba de dizer-me, o senhor não é reconhecido como nobre: nesse caso, não poderia casar-me como plebeia, isto é, com alguma pessoa para quem minha vontade se inclinasse, sempre que essa pessoa fosse honrada, virtuosa, desinteressada e trabalhadora? Creio que assim seria feliz.

— De acordo: faze tua vontade inclinar-se para dom Anselmo de Aguirre, que há de ser teu marido com a bênção de Deus, do pároco e minha, e terminamos este assunto que já me vai fastidiando, porque detesto bacharelices de mulheres, pois já me bastaram as de tua mãe.

— Minha vontade não pode inclinar-se para um desconhecido... e o senhor, meu pai, não será capaz de...

— Capaz de quê? Fala depressa, porque já me cansaste. Capaz de quê?

— De sacrificar-me desumanamente, depois de me atormentar todos os dias com palavras ofensivas à memória de minha mãe.

— Ingrata! Atreves-te a falar assim a teu pai? Bem diz o refrão: criarás corvos para que te arranquem os olhos. Este é o fruto do joio que tua mãe semeou em teu coração; por isso a amaldiçoo e desejo que esse demônio esteja se revolvendo nos infernos. — Esta cena parecerá bárbara e inverossímil aos que não tiverem conhecido de perto o nosso déspota de aldeia.

— Não amaldiçoe minha mãe... Minha mãe! Tua filha te bendiz.

— Às perversas como tua mãe enviam-se maldições em vez de padre-nossos e ave-marias; e às desobedientes como tu ata-se a um poste e ensina-se a serem boas filhas.

— Poderei rogar de joelhos, meu pai?

— Assim, com humildade, podes fazê-lo; mas é inútil, porque preciso que te cases, dei minha palavra e não hei de faltar a ela, ainda que morras.

— Também dei a minha desde a infância, e morrerei antes de faltar.

— Demônios! — gritou o velho, tremendo-lhe a voz. — E assim me dizias, víbora endemoniada! Filha de tua mãe! Que querias ir a um mosteiro?

— Creio que só Deus é infinitamente superior à pessoa a quem entreguei toda a minha alma: essa pessoa é Eduardo. Só entre Deus e Eduardo me é lícito escolher esposo; qualquer outro partido meu coração rejeita, e eu preferiria a morte e os tormentos...

— Preferes a morte e os tormentos, pois está bem: juro-te por Deus Nosso Senhor e por este sinal da cruz que não voltarás a repetir essa palavra.

Bem se compreenderá que dom Pedro era um daqueles tipos que caracterizam a velha aristocracia das aldeias, cujos instintos tradicionalistas os tornavam ferozes para com os inferiores, velhacos com os iguais e ridiculamente humildes diante de qualquer sinal de superioridade.

Assim como sua obediência era cega e irrefletida à voz dos maiores, assim também a impunha, de sua parte, aos menores. Obedecer ao forte e despotizar o fraco era sua única regra de conduta, e sempre a executava brutalmente. Qualquer observação respeitosa da parte de um inferior era vista como blasfêmia e severamente castigada nos momentos de mau humor. A ideia de justiça estava apagada de todos os corações e suplantada por umas poucas máximas criadas para sustentar o prestígio dos padres.

“Quando Deus fala, tudo deve calar-se.” “Os sacerdotes são uma cana oca por onde Deus transmite seus preceitos aos homens.” “A voz do sacerdote é a voz de Deus”, e outras do mesmo teor eram a única moral que passava a reger o interior das famílias.

Esses antecedentes, unidos à ideia de que, se Rosaura se casasse com alguém que não fosse um rústico, seu pai correria o perigo de lhe pedirem contas dos bens de sua falecida esposa; ao efeito físico da bebedeira, que produz um tédio desesperador ao dissipar-se; e ao caráter pessoal desse ignorante, podem explicar, sem que se atribua à loucura, o modo como dom Pedro começou a cumprir o juramento que acabava de fazer por Deus Nosso Senhor e pelo sinal da cruz.

Ele viu que sua filha tirava de seu próprio despeito a resolução suprema de sacrificar-se; suspeitou, com instinto menos fino que o do tigre, que uma mulher resoluta é igual ao maior dos heróis em valor, fortaleza, improvisação de planos e presteza em realizá-los; e tomou uma atitude injusta, cruel, estúpida, mas que resultou eficaz para o objetivo que se propôs.

Agarrou uma bengala de chonta com ponteira de metal; saiu ofegante e transtornado, e disse com voz de trovão a Rosaura:

— Vais ver os estragos que causa tua desobediência.

A jovem apresentou serenamente a cabeça para que seu pai a matasse a bordoadas. Ele passou roçando pela filha, chegou ao quintal dos fundos e deu golpes de pau em um indígena criado.

— Meu amo! Perdão, por Deus! Não faltei em nada — disse o índio.

— Sois uma raça maldita e sereis exterminados — replicou o tirano, dirigindo-se em seguida, com o pau levantado, para descarregá-lo sobre a filha do índio, que era uma criança de seis anos.

Rosaura partiu como uma flecha e deteve o golpe, dizendo:

— Não quero que haja mártires por minha causa. Serei eu a única mártir: mande, e estou pronta a obedecer.

— Casar-te-ás?

— Casar-me-ei.

— Com dom Anselmo?

— Com dom Anselmo.

— No dia dos Santos Reis?

— No dia dos Santos Reis.

— Pois a paz de Deus esteja nesta casa.

Rosaura partiu com passo firme e fronte erguida para seu dormitório; seu pai foi seguindo-a e, ao entrar, disse:

— Para que nunca tenhas de queixar-te de mim, deixo-te a liberdade de escolher os padrinhos.

— Obrigada. Por padrinho escolho meu pai, e sentiria na alma que assim não fosse; e, em vez da liberdade de escolher madrinha, queria outro favor.

— Contanto que não seja algum disparate.

— Se for disparate, o senhor poderá negar-me, pois se reduz apenas a me permitir escrever uma carta...

— Se for a solteiro, não...

— Tratava-se apenas de dizer a uma pessoa que, como filha obediente, vou dar gosto a meu pai, casando-me com dom Anselmo.

— Isso, sim. Já sei a quem; mas eu lerei a carta e eu mesmo a enviarei por pessoa de minha confiança.

— E, se o senhor tivesse por bem escrevê-la de seu próprio punho, eu a assinaria.

— Pois me agrada! Pois me agrada! Vou escrevê-la. Não é para dom Eduardo?

— Sim, senhor.

Dom Pedro voltou à sala, dizendo consigo mesmo:

— O que vale a energia! Já consegui tudo em menos de duas horas: se eu tivesse entrado brando e generoso, que teria sido de mim? A letra com sangue entra. Agora não há mais que tomar cuidado para que essa sevandija não me faça alguma má jogada. Mas não; desenganando o advogadozinho, já não há perigo. Esta carta me caiu como mel sobre bolinhos. Vou escrevê-la com desprezo, porque assim se deve tratar estes rapazes; mas não: a polidez não tira a valentia.

Alguns minutos depois, Rosaura foi chamada a assinar, e assinou sem saber o que seu pai havia escrito. Ao fechar, pôs furtivamente no verso estas palavras: “Ocorreram coisas que me enfureceram, e resolvi dar uma badalada. Juro-te que não serei de dom Anselmo; vai para a cidade antes do dia 6”.

Dom Pedro, que havia saído por um minuto, voltou a entrar com aquele que devia conduzir a carta, no momento em que Rosaura ia colar a obreia.

— Alto aí, senhorita — disse; em seguida empunhou a esquela, tirou-a do envelope, desdobrou-a e sacudiu-a, desconfiado de que houvesse interposto outra folha. Viu que estava assinada, fechou-a e entregou-a ao portador.

Desde esse instante começaram, na casa de dom Pedro, os preparativos para o banquete e os festejos nupciais.

A Emancipada

Sinopse

A Emancipada, publicada em 1863, costuma ser lembrada como a primeira novela equatoriana publicada. Na história de Rosaura, Miguel Riofrío transforma o drama de uma jovem submetida ao casamento imposto em crítica social: a narrativa expõe a autoridade patriarcal, o controle moral exercido pela religião, a fragilidade da justiça local e a ausência de liberdade real para a mulher.

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