Universo da obra
Universo da obra
MARIA, MAGDALENA, MANUEL; o ROMEIRO e TELMO _que apparecem no fundo da
scena sahindo detrás do altar-mór_.
*Romeiro*, _para Telmo_. Vai, vai; ve se ainda é tempo: salva-os,
salva-os, que ainda podes... (_Telmo dá alguns passos para deante_.)
*Maria*, _apontando para o romeiro_. É aquella voz, é elle, é elle.--Já
não é tempo... Minha mãe, meu pae, cobri-me bem éstas faces, que morro
de vergonha... (_Esconde o rosto no seio da mãe_) morro, morro... de
vergonha... (_Cái e fica morta no chão. Manuel de Sousa e Magdalena
prostram-se ao pé do cadaver da filha_.)
*Manuel*, _depois de algum espaço, levânta-se de joelhos_. Minha irman,
rezemos por alma... incommendemos a nossa alma a este anjo que Deus
levou para si.--Padre prior, podeis-me lançar aqui o escapulario?
*Prior*, _indo buscar os escapularios ao altar-mór e tornando_. Meus
irmãos, Deus afflige n'este mundo áquelles que ama. A coroa de glória
não se dá senão no céu.
(_Toca o orgam; e cái o panno_.)
Depois do brilhantissimo livro «Viagens na minha terra», de que os
maiores escriptores, como Rebello da Silva, Castilho, Gomes d'Amorim,
Theophilo Braga, etc., disseram ser um monumento immorredouro da
litteratura portugueza, a melhor obra de Garrett é, sem contestação, o
«Frei Luiz de Sousa». Vegezzi Ruscalla, na revista «Cornelia» de
Florença, diz, a pag. 180, que Portugal tem no auctor do «Frei Luiz de
Sousa» o seu Goethe, o seu Byron, o seu Lamartine e o seu Manzoni,
ajuntando: «Questo drama é un vero capolavoro». A. P. Lopes de Mendonça
(«Memorias da litteratura contemporanea», Lisboa 1855) escreveu:
«...talvez pareçam demasiadamente singelos os dados d'esta funebre
tragedia, e todavia cremos que a litteratura moderna não possue
monumentos de mais superior e acabado molde...» Th. Braga («Questões de
litteratura e arte portugueza», Lisboa 1882, pag. 384) chama-lhe
_tragedia unica, e sem rival nas litteraturas modernas_. Rebello da
Silva acha que as scenas do terceiro acto do «Frei Luiz de Sousa» são as
mais tragicas que conhece, e o quarto acto é o maior esforço dramatico
de que tem noticia.
«Frei Luiz de Sousa» tem tres traducções francezas; está tambem vertido
em hespanhol, italiano, inglez e allemão. Foi representado em Paris.
Muito se tem escripto sobre a grandiosa tragedia, sendo a ultima
producção--_«Frei Luiz de Sousa» de Garrett_--Notas com um prefacio de
Th. Braga, por Joaquim d'Araujo.
Texto original em PT preservado no Literunico para leitura comparada com a edição/tradução da Copa Literunico. Fonte-base: https://www.gutenberg.org/ebooks/17591
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