Albertobusquets
@Albertobusquets
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No ducentésimo septuagésimo dia,
ele despertou.
O quarto era o mesmo.
Os lençóis, a bermuda,
a janela que iluminava tudo.
Percebendo a atividade daquele
despertar,
o gato animou-se e pulou à cama
para aproveitar o minuto de carinho
(tudo o que suportava por vez).
Ainda com sono, espreguiçou, pousando
sua mão direita no pelo macio que ronronava
deitado ao seu lado.
Aquela cauda o chicoteou como sempre.
Era sua rotina. Era como toda manhã começava.
Levantou-se.
Banheiro, comida do gato, remédios.
Tudo igual.
Tudo diferente.
Tudo novo, apesar da similaridade dos atos.
Ele estava contente!
Ele estava vivo!
Ele está amando
o mais sublime dos amores.
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele teve a ducentésima septuagésima certeza:
Não importa o quanto escrevesse, era pouco.
O amor não tinha limites.
Nem o desejo.
Muito menos a saudade...
No ducentésimo septuagésimo dia,
ele finalmente aceitou
sua imensidão interna,
esperançando unir-se
(e fazer amor diário)
à Imensidão dela.

Alberto Busquets.

#Desafio 020
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