Da minha janela observo
Uma pequena flor delicada
Pisoteada pela vida a murchar
Abandonada no sol a secar
No calor de uma dura calçada.

Não há esperança para aquela flor
A vida é dura e os dias difíceis
Mas ela luta e ainda resiste
Com as suas fracas raízes
Ao relento apesar da dor.

Consigo ouvir daqui seu lamento
Por não nascer naquele jardim
Entre as rosas e o lindo Jasmim
Onde a grama é sempre mais verde
Onde as flores estão bem plantadas
E com todo amor são cuidadas
Pelo jardineiro sempre regadas.

Ah, que sorte tem aquelas flores
As brancas, vermelhas, amarelas
A exibir seu perfume e suas cores
Nasceram só para ser belas
Tão bem sucedidas elas
Como não iria se comparar?

Enquanto a florzinha seca
Implora ao vento que leve
Suas pequenas sementes
Que ao jardineiro as entregue
Que seu destino seja diferente
Merecem viver plenamente.

Mas não se engana a florzinha
Chegando a uma conclusão:
Nesta selva de concreto fria
os jardins são uma exceção
Pequenas flores ainda morrem
E muitas ainda secarão.

O mundo não tem mais tempo
Ela não se ilude afinal,
Estão todos sempre correndo
Escravos da sobrevivência
Seu senhor é o capital.
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