deivesferraz
@deivesferrazMovimentando um pouco a conta aqui 😊 Fiz um mini conto de Horror/Ação
⚠️ ATENÇÃO: Leitura não recomendada para pessoas sensíveis, contém linguagem imprópria 🔞⚠️
Empatia
Deives Ferraz
Maldita Mãe Natureza!
Minhas mãos tremem, e uma gota de suor escorre pela minha têmpora. Logo agora?
Preciso secar na calça a mão que atira. Não posso errar. E nessa distância que estou, isso é muito fácil de acontecer.
Eu entendo, Mamãe, que a senhora possua uma sabedoria de milhões de anos de evolução, mas que porra de ideia foi essa de fazer o ser humano sentir em si as dores que causa no outro?
Merda! A lente do telescópio está quase embaçando com minha transpiração. Preciso me acalmar.
Quando isso começou mesmo? Umas 2 ou 3 gerações, parece. As histórias dizem que foi um fuzuê quando um médico deu um tapa num bebê recém-nascido e sentiu a ardência na própria pele. Haha. Sorte dos antigos que não tinham essa empatia forçada.
Eu sei, eu sei. O ser humano estava se destruindo. Fazer um abusador sentir a dor do que está fazendo no próprio rabo, ou um narcisista sentir a dor da humilhação que está causando, é uma forma bem eficiente de manter a paz entre teus filhos.
Felizmente você deixou de fora dores consentidas. Isso me garante algum divertimento quando estou amarrado na cama daquela gostosa do bar, toda sexta. Obrigado Mãe!
O que a senhora não esperava era o quão criativos são teus filhos. Sem essa criatividade eu não teria emprego. Espero que não me julgue. O que posso fazer se atiro tão bem? E quem tem poder aquisitivo paga para outras pessoas sentirem dor por elas? É… Eu não mato pessoas. Eu evito que quem quer matar sinta a dor do assassinado.
Fica a sugestão do seu próximo upgrade: dor por infligir dor encomendada.
Chegou aquele babaca. O que eu tô dizendo? Nem conheço o filho da puta.
— To vendo o alvo. — falo ao telefone.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Preciso de uma dose de dopamina pra parar de tremer. Pode passando a segunda parte do que foi acordado!
— Vou passar, sim. Quando tiver a prova do serviço feito.
— Eu não tô com muita paciência hoje. Ele já está saindo do carro e a janela de oportunidade é curta. Vai coçando a mão. O gatilho não anda antes da notificação do banco.
— Porra! Tá!
Meu celular vibra. Fico feliz com o valor que vejo na notificação.
— Obrigado! Só um segundo.
Mordo uma das minhas luvas de motoqueiro. Melhor evitar quebrar meus dentes de novo.
Sorte que ele parou pra falar com o porteiro. Tô bem mais calmo agora. Respiro fundo e puxo o maldito gatilho. O projétil leva uns segundos pra chegar no alvo. Sei que o vento vai desviar a rota. Espero que o suficiente pra acertar onde deve.
Mas não consigo acompanhar o que acontece pela lente. Tenho que me jogar para trás e segurar a vontade de berrar com a dor que sinto na cabeça. Todos meus ossos dos crânio parecem descolar da carne e do cérebro. O zunido no ouvido é de enlouquecer. Me contorço com as mãos nas orelhas, tentando manter a luva entre os dentes. Minha visão fica totalmente branca e as órbitas parecem que vão escorregar para fora da cara.
— Morre, desgraçado!
Sei que é tudo uma ilusão, mas a dor é bem real. Não consigo pensar em nada, além de espernear e me arrastar pelo chão. Se errei o tiro, nós dois vamos ficar inúteis, até ele parar de sentir dor.
De repente, como se tivessem desligado um botão, a dor amena. A visão volta aos poucos, já consigo me levantar com dificuldade e tirar uma foto do corpo estirado no chão.
— Ainda está aí?
— Você pediu pra esperar, não foi?
— To mandando a foto do alvo.
— Tu é o melhor, sempre!
Jogo o telefone de lado pra respirar.
Preciso me aposentar.
⚠️ ATENÇÃO: Leitura não recomendada para pessoas sensíveis, contém linguagem imprópria 🔞⚠️
Empatia
Deives Ferraz
Maldita Mãe Natureza!
Minhas mãos tremem, e uma gota de suor escorre pela minha têmpora. Logo agora?
Preciso secar na calça a mão que atira. Não posso errar. E nessa distância que estou, isso é muito fácil de acontecer.
Eu entendo, Mamãe, que a senhora possua uma sabedoria de milhões de anos de evolução, mas que porra de ideia foi essa de fazer o ser humano sentir em si as dores que causa no outro?
Merda! A lente do telescópio está quase embaçando com minha transpiração. Preciso me acalmar.
Quando isso começou mesmo? Umas 2 ou 3 gerações, parece. As histórias dizem que foi um fuzuê quando um médico deu um tapa num bebê recém-nascido e sentiu a ardência na própria pele. Haha. Sorte dos antigos que não tinham essa empatia forçada.
Eu sei, eu sei. O ser humano estava se destruindo. Fazer um abusador sentir a dor do que está fazendo no próprio rabo, ou um narcisista sentir a dor da humilhação que está causando, é uma forma bem eficiente de manter a paz entre teus filhos.
Felizmente você deixou de fora dores consentidas. Isso me garante algum divertimento quando estou amarrado na cama daquela gostosa do bar, toda sexta. Obrigado Mãe!
O que a senhora não esperava era o quão criativos são teus filhos. Sem essa criatividade eu não teria emprego. Espero que não me julgue. O que posso fazer se atiro tão bem? E quem tem poder aquisitivo paga para outras pessoas sentirem dor por elas? É… Eu não mato pessoas. Eu evito que quem quer matar sinta a dor do assassinado.
Fica a sugestão do seu próximo upgrade: dor por infligir dor encomendada.
Chegou aquele babaca. O que eu tô dizendo? Nem conheço o filho da puta.
— To vendo o alvo. — falo ao telefone.
— E o que eu tenho a ver com isso?
— Preciso de uma dose de dopamina pra parar de tremer. Pode passando a segunda parte do que foi acordado!
— Vou passar, sim. Quando tiver a prova do serviço feito.
— Eu não tô com muita paciência hoje. Ele já está saindo do carro e a janela de oportunidade é curta. Vai coçando a mão. O gatilho não anda antes da notificação do banco.
— Porra! Tá!
Meu celular vibra. Fico feliz com o valor que vejo na notificação.
— Obrigado! Só um segundo.
Mordo uma das minhas luvas de motoqueiro. Melhor evitar quebrar meus dentes de novo.
Sorte que ele parou pra falar com o porteiro. Tô bem mais calmo agora. Respiro fundo e puxo o maldito gatilho. O projétil leva uns segundos pra chegar no alvo. Sei que o vento vai desviar a rota. Espero que o suficiente pra acertar onde deve.
Mas não consigo acompanhar o que acontece pela lente. Tenho que me jogar para trás e segurar a vontade de berrar com a dor que sinto na cabeça. Todos meus ossos dos crânio parecem descolar da carne e do cérebro. O zunido no ouvido é de enlouquecer. Me contorço com as mãos nas orelhas, tentando manter a luva entre os dentes. Minha visão fica totalmente branca e as órbitas parecem que vão escorregar para fora da cara.
— Morre, desgraçado!
Sei que é tudo uma ilusão, mas a dor é bem real. Não consigo pensar em nada, além de espernear e me arrastar pelo chão. Se errei o tiro, nós dois vamos ficar inúteis, até ele parar de sentir dor.
De repente, como se tivessem desligado um botão, a dor amena. A visão volta aos poucos, já consigo me levantar com dificuldade e tirar uma foto do corpo estirado no chão.
— Ainda está aí?
— Você pediu pra esperar, não foi?
— To mandando a foto do alvo.
— Tu é o melhor, sempre!
Jogo o telefone de lado pra respirar.
Preciso me aposentar.
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