eduliguori
@eduliguoriQue tempestades vivi
nesse universo infinito
que os tempos me opuseram
recolhi velas, fiquei a deriva
chorei lágrimas salgadas
por tantas noites incertas
descobri o sabor da solidão
o encontro do eu que nem
conhecia em mim
desafiei as grandes ondas
e a maresia fria que corroía
pele e ossos desestruturados
bússola girando em descompasso
os sentidos confusos
sem referência no horizonte
mas bravo por ser tão covarde
e não ter para onde escapar
deixei o vento soprar
entre correntezas continentais
desertos de águas escuras
senti o humano em mim
em farrapos os tecidos rotos
me desnudaram aos poucos
a alma esfacelada ainda viva
febres, calafrios, gemidos
os gritos de Netuno
e meu suor de sangue
meio século navegando
as incertezas e asperezas
da procura pelo nada
foram assim os piores
momentos e grandes
lamentos que escrevi
não nego que pela escotilha
cheguei a ver o sol
reluzente estelar
sempre soube de sua
existência e poder
sobre meu pulsar
mas como foram
confusos estes momentos
e me via ainda capitular
voei com as gaivotas
beijei alguns arco-iris
tive raras noites tranquilas
mas não havia em mim
a completude, a essência
o desapego
nada poderia me fazer
maior
era minúsculo em si
mas toda viagem
real ou fantasia
tem um fim
neste ancoradouro
que agora cheguei
me vi no espelho
finalmente!
me reconheci
tempestades
agora tem outro significado
não são mais meus pesadelos e medos
ao me encontrar
abri uma porta que desconhecia
sei que estou pronto
senhor de si
deixo atrás o marujo
independente
ergo as velas e miro o firmamento
sou eu senhor
sou eu capitão
vejo agora novas cores
abraço o ar com renovadas forças
navego sem mais receio
enfim formado
assim construído
meu barco hoje é um forte
(meu corpo fortaleza)
e então você pôde chegar
pois agora o outro
não me faz complemento
não necessita pagar
não está aqui para me curar
a cor do mar
está em seus olhos
somos encontro de oceanos
não nos necessitamos
não nos dependemos
apenas vivemos
juntos a fazer amar
Edu Liguori
nesse universo infinito
que os tempos me opuseram
recolhi velas, fiquei a deriva
chorei lágrimas salgadas
por tantas noites incertas
descobri o sabor da solidão
o encontro do eu que nem
conhecia em mim
desafiei as grandes ondas
e a maresia fria que corroía
pele e ossos desestruturados
bússola girando em descompasso
os sentidos confusos
sem referência no horizonte
mas bravo por ser tão covarde
e não ter para onde escapar
deixei o vento soprar
entre correntezas continentais
desertos de águas escuras
senti o humano em mim
em farrapos os tecidos rotos
me desnudaram aos poucos
a alma esfacelada ainda viva
febres, calafrios, gemidos
os gritos de Netuno
e meu suor de sangue
meio século navegando
as incertezas e asperezas
da procura pelo nada
foram assim os piores
momentos e grandes
lamentos que escrevi
não nego que pela escotilha
cheguei a ver o sol
reluzente estelar
sempre soube de sua
existência e poder
sobre meu pulsar
mas como foram
confusos estes momentos
e me via ainda capitular
voei com as gaivotas
beijei alguns arco-iris
tive raras noites tranquilas
mas não havia em mim
a completude, a essência
o desapego
nada poderia me fazer
maior
era minúsculo em si
mas toda viagem
real ou fantasia
tem um fim
neste ancoradouro
que agora cheguei
me vi no espelho
finalmente!
me reconheci
tempestades
agora tem outro significado
não são mais meus pesadelos e medos
ao me encontrar
abri uma porta que desconhecia
sei que estou pronto
senhor de si
deixo atrás o marujo
independente
ergo as velas e miro o firmamento
sou eu senhor
sou eu capitão
vejo agora novas cores
abraço o ar com renovadas forças
navego sem mais receio
enfim formado
assim construído
meu barco hoje é um forte
(meu corpo fortaleza)
e então você pôde chegar
pois agora o outro
não me faz complemento
não necessita pagar
não está aqui para me curar
a cor do mar
está em seus olhos
somos encontro de oceanos
não nos necessitamos
não nos dependemos
apenas vivemos
juntos a fazer amar
Edu Liguori
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