eliz_leao
@eliz_leao
Quer me amar?
O grito incessante
De quem morreu.
Morreu entre não quereres.
Morreu no abandono.
Na sede de carinho. Esquecida,
Morreu à míngua
Na oração de todo dia,
Ela gritava por dentro
Pedia a um Deus, inexistente, indiferente.
Que queria ser amada.
Mas a mágoa a esmagava por dentro
A calava, anulava
Como pessoa, como mulher, como ser existente,
Implodiu seu sentir
Tirou dela o sentido.
O mundo, a deixou doente.
Criou muros, se escondeu.
Virou noites, adoeceu.
Quisera ser alguém.
Aquela que magoaria?
Que desprezaria?
Não, isso ela nunca conseguiu.
E por mais que quisesse.
Atrás de muros se guardaria.
Um certo olá,
Um certo amar,
Um certo poeta,
A veio despertar.
Para um amor que pra ela não existia.
Mas ele a apresentaria, a ensinaria.
Um amor tão grande,
Que de supetão e bolas de demolição
Rompeu todas as barreiras de medo.
E a transformou na mulher mais feliz e amada.
Então, ela percebeu,
Que entrelaçadas aos seus desejos,
Outra linha estava, a dele.
Mesmo antes de o conhecer.
E estaria até o fim do mundo, acontecer.

Eliz Leão