eliz_leao
@eliz_leao
Que ninguém leia.

Que ninguém leia
Todos os meus anseios
As páginas proferidas em alto e bom som
Os berros trementes que saíram das letras
O choro sentido, que às linhas sangrou.
Que ninguém veja o meu descontrole,
O sentimento tosco que me perspassou.
Que ninguém saiba, da boba centelha
Que me tornou, justo o que sou.
Que a sorte me afague, que ninguém releria
Todos os poemas que das letras jorrou
Enquanto eu sofria, sorria ou gemia
Num canto, ao relento do meu eu, que sobrou.
Quisera um dia, queimar essas estrofes, mal lidas
E malditos pedaços da minha alma proscrita.
Que se queime tudo, ardendo em chumaços
As palavras que o tempo, tão duro ensinou.

Eliz Leão