fernandafrankka
@fernandafrankkaConto
Quando o coração chama - Parte 1
Esfregou os olhos pela décima vez desde que entraram na estrada empoeirada onde não se via nada, além do pasto verde e um sol que parecia nunca mais se pôr. Rafael Brum olhou o relógio soltando um muxoxo fraco ao perceber a quantidade de horas em viagem. Suavizou a expressão de impaciência ao acompanhar a irmã mais nova, que dormia confortavelmente no carro. Era a única que sempre esteve ao seu lado e sabia que daria a vida por ela se preciso. Trocaria de lugar com Marina num piscar de olhos e ficaria feliz por estar preso a um cilindro de ar se aquilo significasse uma vida com menos limitações para ela. Então, lembrou-se de que manter sua carreira era a melhor maneira de continuar dando melhores condições para a irmã. Por isso, concordou em se exilar numa cidadezinha pequena para abafar as últimas manchetes de um escândalo envolvendo seu nome. E foi assim, que foi parar na casa de um tio de terceiro grau de sua mãe, que não via desde que tinha cinco anos de idade. Mas sempre ouviu de sua mãe que se um dia precisasse de algo, poderia contar com seu tio Angelino, afinal, “família, é sempre família”.
O carro parou na entrada do enorme sítio e em poucos segundos, encontrou o tio de braços abertos à sua espera na varanda da casa. Ajudou Marina a descer do veículo e ambos foram recepcionados num abraço amoroso pelo homem de estatura baixa, cabelo ralo e uma pequena protuberância abdominal, que já passava dos sessenta anos.
— Espero que os ares da cidade o ajude, meu jovem. Talvez nem queira pensar em voltar para a cidade grande. — Angelino deu dois tapinhas no ombro do sobrinho distante que encarou Mariana com um ligeiro desdém. — Vamos entrando! Vou pedir a Joelma para preparar algo para vocês comerem, devem estar famintos. — O homem falou, cruzando a enorme sala até a cozinha.
Rafael acompanhou os passos do tio e ao olhar para o longo corredor que dava para os quartos, viu a garota franzina de cabelos longos e cacheados parada a espiar. Ameaçou dois passos na direção dela, mas a menina se assustou e correu para um dos quartos batendo a porta com força. O músico olhou confuso para a irmã que estava alheia ao ocorrido, vistoriando a quantidade de fotos de família na enorme estante, no mesmo segundo em que o tio retornava para o cômodo. Não conseguiu conter a curiosidade.
— Tio! Quem é a menina no quarto, no final do corredor?
— É sua prima, Clara. — Rafael acompanhou o homem desolado coçar os poucos fios. — Ela vive enfurnada naquele quarto, até as refeições faz por lá. Estranho ela ter saído para averiguar. Deve ter ficado curiosa com a movimentação na casa. Venham! Vou acomodar vocês e poderão descansar após comerem algo. — Angelino argumentou, conduzindo os irmãos para os cômodos.
Rafael rolou de um lado para outro na cama, mas não conseguiu pregar os olhos. De alguma forma estranha a imagem da prima não saía de sua mente, deixando-o inquieto. Observou a irmã que dormia tranquilamente e levantou na ponta dos pés para não acordar a garota, seguindo até a cozinha. Bebia um gole generoso de água quando foi surpreendido com a figura de Clara debruçada na janela da sala, contemplando a lua, que iluminava boa parte do ambiente. O rapaz parecia enfeitiçado pela inusitada combinação.
Continua....
Quando o coração chama - Parte 1
Esfregou os olhos pela décima vez desde que entraram na estrada empoeirada onde não se via nada, além do pasto verde e um sol que parecia nunca mais se pôr. Rafael Brum olhou o relógio soltando um muxoxo fraco ao perceber a quantidade de horas em viagem. Suavizou a expressão de impaciência ao acompanhar a irmã mais nova, que dormia confortavelmente no carro. Era a única que sempre esteve ao seu lado e sabia que daria a vida por ela se preciso. Trocaria de lugar com Marina num piscar de olhos e ficaria feliz por estar preso a um cilindro de ar se aquilo significasse uma vida com menos limitações para ela. Então, lembrou-se de que manter sua carreira era a melhor maneira de continuar dando melhores condições para a irmã. Por isso, concordou em se exilar numa cidadezinha pequena para abafar as últimas manchetes de um escândalo envolvendo seu nome. E foi assim, que foi parar na casa de um tio de terceiro grau de sua mãe, que não via desde que tinha cinco anos de idade. Mas sempre ouviu de sua mãe que se um dia precisasse de algo, poderia contar com seu tio Angelino, afinal, “família, é sempre família”.
O carro parou na entrada do enorme sítio e em poucos segundos, encontrou o tio de braços abertos à sua espera na varanda da casa. Ajudou Marina a descer do veículo e ambos foram recepcionados num abraço amoroso pelo homem de estatura baixa, cabelo ralo e uma pequena protuberância abdominal, que já passava dos sessenta anos.
— Espero que os ares da cidade o ajude, meu jovem. Talvez nem queira pensar em voltar para a cidade grande. — Angelino deu dois tapinhas no ombro do sobrinho distante que encarou Mariana com um ligeiro desdém. — Vamos entrando! Vou pedir a Joelma para preparar algo para vocês comerem, devem estar famintos. — O homem falou, cruzando a enorme sala até a cozinha.
Rafael acompanhou os passos do tio e ao olhar para o longo corredor que dava para os quartos, viu a garota franzina de cabelos longos e cacheados parada a espiar. Ameaçou dois passos na direção dela, mas a menina se assustou e correu para um dos quartos batendo a porta com força. O músico olhou confuso para a irmã que estava alheia ao ocorrido, vistoriando a quantidade de fotos de família na enorme estante, no mesmo segundo em que o tio retornava para o cômodo. Não conseguiu conter a curiosidade.
— Tio! Quem é a menina no quarto, no final do corredor?
— É sua prima, Clara. — Rafael acompanhou o homem desolado coçar os poucos fios. — Ela vive enfurnada naquele quarto, até as refeições faz por lá. Estranho ela ter saído para averiguar. Deve ter ficado curiosa com a movimentação na casa. Venham! Vou acomodar vocês e poderão descansar após comerem algo. — Angelino argumentou, conduzindo os irmãos para os cômodos.
Rafael rolou de um lado para outro na cama, mas não conseguiu pregar os olhos. De alguma forma estranha a imagem da prima não saía de sua mente, deixando-o inquieto. Observou a irmã que dormia tranquilamente e levantou na ponta dos pés para não acordar a garota, seguindo até a cozinha. Bebia um gole generoso de água quando foi surpreendido com a figura de Clara debruçada na janela da sala, contemplando a lua, que iluminava boa parte do ambiente. O rapaz parecia enfeitiçado pela inusitada combinação.
Continua....
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