julia_mar
@julia_mar
Todo dia, Ana acordava com o despertador gritando mais alto que seus pensamentos.

Café ralo, olhos cansados, livros abertos como feridas.

A pressão não vinha só das provas, mas do silêncio dos pais, do medo do futuro, da cobrança interna que dizia:

"Você precisa ser perfeita".

Ela tentava decorar fórmulas, mas esquecia de respirar. Chorava em silêncio entre um parágrafo e outro. Às vezes, sonhava em largar tudo e correr sem destino.

Mas no fundo, algo a empurrava — não coragem, mas sobrevivência.

Estudar virou batalha diária, não por paixão, mas por não querer decepcionar ninguém.

Nem a si mesma.
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