julia_mar
@julia_mar
-| Lagarta 🐛

Na terra rachada que clama por gotas de água há um ser que se arrasta devagar, sem se preocupar com o sol ardiloso.

É uma lagarta de fogo.

Mas não é uma comum, suas partes vermelhas são de um brilho que se assemelha as sirenes das poucas ambulâncias daquele lugar abandonado pelo poder público.

É isso que chama atenção de Maria Jane. O brilho da largata.

A jovem, no auge dos seus quinze anos, pega o inseto e faz carinho com sua mão livre cheia de calos.

Seu ato só para quando sente alguém se aproximar.

É ele. O anjo.

Ryker tem uma pele alva e cilhos da mesma cor, seus lábios rosas nunca abandonam um sorriso travesso.

-- Não deveria fazer isso.

-- Acariciar um animal é errado agora?

-- Você sabe muito bem que não é disso que tô falando.

Maria Jane pode até tentar, mas não consegue blindar os pensamentos do seu anjo da guarda.

-- Só quero dar um lara para a criação "dele".

-- Nem tudo que habita na terra é criação do meu senhor.

Ryker, com suas grandes assas douradas, sobrevoa sobre a cabeça de Maria Jane e diz em tom austero:

-- A ruína às vezes vem das pequenas criaturas.

Obs.: Personagens não são de minha criação, é uma cena criada a partir de outras obras.
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