#Desafio 84
*Acordo silencioso*
Todos dormem,
Menos eu!
Pensamentos em recortes,
De estrofes que alguém escreveu
E ninguém leu.
Acordada, de acordo
Com o acordo silencioso
Que firmamos, tacitamente,
Sem ninguém acordar.
Me recordo
De cada palavra trocada,
Cada sensação imaginada,
Cada emoção sentida…
Conclusão de nada com nada.
Não daria certo, todavia!
Mas queria… Ah, como queria!
MarU
#Desafio 082
Esgotamento
Não ter forças
e, ainda assim, ir.
Tantos caminhos…
nenhum clamando teu nome.
O cansaço não manda recado.
Chega. Toma. Pesa.
Desfaz teu tempo,
tua pressa,
tua fé.
Te cala.
Te curva.
Te some.
E no vácuo de quem já foi demais,
fica só o eco:
para onde, agora?
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 83
*Paixão de verdade*
Toca meu corpo,
Sente meu gosto,
Meu cheiro,
Me invade…
Faz loucuras
De amor na cama,
Me assanha,
Me arrebate!
Enrola meus cabelos
Nos seus dedos,
Me puxa.
Me enlace!
Suga meus seios,
Beija minha boca
Com desejo…
Me encare!
Faz-me tremer,
Gozando orgasmos.
Se banhe…
Me banhe…
Seja aconchego,
Meu colo…
Me rendo!
Descanse…
Descansemos…
Isso é paixão de verdade!
MarU
Para onde foram
todas aquelas músicas
que um dia já toquei?
Os instrumentos estão aqui;
eu estou aqui.
Mas meus dedos,
amortecidos e confusos,
teimam a desobedecer...
A palheta,
escorrendo pelas cordas,
vai-se também da minha mão.
Fragmentos:
é isso o que tenho.
Desmomentos
rearranjados e alinhavados
por boa vontade e desejo.
Pequenas harmonias
que, em minhas mãos
já foram música, um dia.
curtos solfejos,
cantarolados e desafinados
por boa vontade e desejo.
Volta-se ao estudo, então,
para re(animar ou criar)
a musicalidade em dó maior
dos meus sentidos.
(E uma ou outra
blue note para cutucar
vida nos meus ouvidos).
Alberto Busquets.
#Desafio 083
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
81 - Fale sobre um livro cujo foco é a água.
As Grandes Navegações precisaram de muita água para acontecer 🤭
Continuei no mesmo autor. Li esse livro porque era leitura obrigatória para o vestibular e gostei muito dele. Lembro que, mesmo quando o vocabulário difícil me impedia de entender a narrativa com fluidez, eu gostava das rimas e do ritmo dos decassílabos. Parecia que era uma onda indo e vindo.
#Link365TemasLivros
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
80 - Fale sobre um livro de poesias que você acha incrível em qualquer situação.
Primeiramente, não sei se em qualquer situação.
Segundamente, não sei se já não citei esse livro no desafio. Acho que já postei sobre ele, mas não no desafio.
Este foi o meu primeiro contato com Camões. Comprei este livro em uma loja de R$ 1,99 no tempo em que tudo na loja custava R$ 1,99. Deve ter sido no fim dos anos 90. Amei os sonetos e redondilhas. Mais tarde, já professora, levei o livro para mostrar aos meus alunos. A essa altura a cola da encadernação (vagabunda) já tinha estragado e eu tinha mandado encadernar o livro com espiral. Ao chegar em casa, verifiquei que tinham arrancado a página onde havia o poema "Amor é fogo que arde sem se ver". 😕
#Link365TemasLivros
Não sou quem era ontem.
Não sei quem serei amanhã.
Mas, e hoje?
Hoje soo diferente...
Mais maduro,
e inconsequente.
Mais amado,
talvez transparente?
Hoje sou diferente.
Sou mais eu,
a cada momento.
Sou mais meu
transbordando sentimento
de quem fui e de quem serei.
Hoje vou diferente.
novas asas
novo ventos
novas nuvens
e alimentos
com o amor
que hoje eu sei:
aumenta,
esquenta,
se reinventa.
Sempre sentirei.
💞
Alberto Busquets.
#Desafio 082
Meus olhos,
molhados,
em lágrimas
mergulhados.
Te procuram.
além da dor
que me fere—
a cerne, a carne,
os ossos, os nervos.
Te encontro.
Me esqueço
desse mal
que não mereço.
Me lanço
aos teus braços,
me aquieto
em teu afago.
#desafio 82/365
#Desafio 82
*Ressentida*
Apaguei suas cartas
As fotos, os versos…
Me afastei do que me mata
E me fode sem gozo ou afeto.
Se fui um dia tua?
Hoje sou muda, (me “tinha!”).
Em silêncio me guardo (covarde),
Sem tempo pra mais sofrimento.
Remoo vestígios do passado,
Procurando pistas que justifiquem
Permanecer ao seu lado,
Por negar que tudo tenha sido em vão.
Oh, que dor no coração!
Serei capaz de sobreviver ao perdão?
Ainda dói tanto confiar…
Há pranto e insegurança,
Que não me permitem enxergar
Se é possível ou não?!
Retendo a esperança,
De um dia esquecer
E te prover o meu perdão.
MarU
#Desafio 81
*Aceso*
Água de fonte,
Nascente,
Fluente.
Sua boca,
Sua fome,
Seu ardor
Em minha
Mente.
Meu corpo
Responde
Inconscientemente,
Inconsequente.
Meu ventre
Te sente,
Te sente…
Em minha
Mente.
Meu corpo
Responde,
Ascende…
O desejo
Tem fome,
Vontade
E arquejo.
Em minha
Mente,
Meu corpo
Responde
Ardentemente…
Aceso.
MarU
Às vezes,
precisamos
calar a folha
para ouvir
a poesia.
O Sol sempre
brilhará.
Três vezes,
trinta e três,
trezentos e trinta.
Não há profundidade
que me escureça.
Nem tempestade:
Em alto-mar,
o céu mais desbotado
também chove esperança
à onda que ama.
💞
Alberto Busquets.
#Desafio 081
Ando tão à flor da pele,
Me rego com lágrimas
Colho margaridas
Minha alma aflita
Pede calma
Paro
Respiro
Me transformo
Em algo novo
Me transbordo
Sou renovo
Quem planta poesia
Colhe eternidade
#desafio 81/365
#Desafio 081
Itacaré
Fui riso aberto,
alma acesa,
verdade sem freio.
E depois?
Quebrei ao meio,
deixei o recheio,
fui fome de mim.
Agora, marés.
Agora, vento.
Me desfaço,
me refaço,
não mais me reparto.
Me reinvento.
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 80
*Mergulha*
Pousa seu olhar no meu.
— Mergulha!
Laguna verde, minha alma.
Esperança una.
Mel d’ouro convida, saboreá…
Doçura.
A luz da minha alma acesa.
Lumina.
Ouve o som murmurioso no vento.
— Escuta!
Clamando além do tempo.
— Vislumbra!
Infinito sentimento que temos.
— Assuma!
Pousa seu olhar no meu.
— Mergulha!
Não tema: Seu amor sou eu.
Sou sua!
MarU
Confesso:
Eu poemo.
Todos nós
Deveríamos poemar
com mais frequência;
desengaiolar a língua,
desencaixotar sentidos.
Só então,
com essa poemação,
daremos abrigo da solidão
a nós mesmos:
Crisálidas
de novos desejos
que, revelados,
poderão se abrir
em um mundo
poematizalmente
e livremente amado.
E então?
Poemiremos ou não?
Alberto Busquets
#Desafio 080
#Desafio 080
A ilusão veio mansa
sussurrou meu sorriso
chegou tão delicada
leu meu desalinho.
Não pediu nada
levou tudo.
Abri os braços
me dei, me desfiz.
Perdi-me no mar
acreditando ser parte dele.
Fiz por dois, fiz demais
desaprendi meu nome.
Vi a vida escapar lenta
virar ausência densa
um gosto ruim na boca
um silêncio seco nos olhos.
E então veio o susto:
o que restou de mim?
Quis voltar
mas o caminho sumiu.
Passado é coisa que não se toca.
O que eu tanto buscava
nunca esteve longe
só precisei abrir a mão.
Agora, basta.
Tempo de ser
sem moldura, sem medo.
Felicidade?
Liberdade, talvez.
O vento bagunçando o cabelo
os passos sem rumo
a leveza de não ter que dar
de não deixar rastro
de ser só o que sou.
E então,
o que falta?
Rompo as correntes
que eu mesma forjei.
Faço do vazio uma trilha
me largo no mundo:
livre, inteira
só minha.
Até o fim.
Cr💞s Ribeiro