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@carlommarcello

Carlo M. Marcello
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#Desafio dos 365 dias, dia 25:

Roberto passou o polegar no espaço vazio em seu dedo anular. Até ontem, havia uma aliança dourada nesse dedo. Não que o casamento tivesse acabado ontem - na verdade, o casamento tinha acabado mesmo quando as brigas passaram da frustração ao desrespeito - mas ele só conseguiu tirar a aliança quando finalmente assinou os papéis.

Ainda assim, acariciou a aliança fantasma. Vão se os anéis, ficam as manias.

Roberto desejou ter um dia mais agitado no trabalho, poder esquecer o divórcio lidando com clientes insuportáveis ou reuniões sem fim. Porém o destino é cruel e sua tarefa mais importante do dia era organizar o arquivo. Ele separou e etiquetou caixas e pastas, empilhou da maneira mais satisfatória que conseguiu, e o melhor engenheiro do mundo - ou o inventor do tetris - não teriam feito um trabalho melhor.

Mas um brilho prateado capturou seu olhar no canto da sala. Um anel prateado que era leve, apesar de ser largo. Duas linhas se trançavam por toda a volta, criando um padrão quase tribal, que fazia Roberto pensar no infinito. Sem saber quem era o dono, Roberto decidiu guardar para entregar no achados e perdidos.

E o teria feito, mas a memória era seu ponto fraco, e o anel viajou no bolso pelo metrô desde o centro de São Paulo até a Zona Leste, para ser encontrado no bolso ao chegar em casa. Roberto o segurou na mão enquanto se jogava no sofá, e ficou surpreso ao contatar que o anel servia no dedo anular. Decidiu deixá-lo ali, assim se lembraria, no dia seguinte, de devolvê-lo.

Pelo menos já não acariciava mais um anel fantasma, mas deslizava os dedos pelo padrão serpenteante, quando viu seu gato se espreguiçar lentamente, andar até um pote de comida e miar.

— Que vida fácil, queria eu ter uma vida de gato...

Ele sentiu o dedo, que acariciava o anel, diminuir e um calor tomou seu corpo. O mundo cresceu - ou ele ficou mais baixo - e tudo se tornou enorme e visto por baixo. Olhou para as mãos e viu pequenas patas cobertas de pêlos acinzentados e pequenas garras nos dedos.

O anel caiu lentamente pelo ar, até atingir o chão, quicar duas vezes e, com um brilho prateado, sumir.
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#Desafio dos 365 dias, dia 24:

#EncontroAleatorio

O barulho do cascalho raspando entre seu pé e a terra batida da estrada ecoa pela noite. Se é que isso pode ser chamado de estrada. Comparada as estradas pavimentadas que levavam a capital, isso é quase uma trilha, mas é seu caminho para o descanso na pequena cidade de Fiore, um cantinho de beleza esquecido nesse país.

Você já consegue ver a cidade ao longe, mais uma hora de caminhada e vai encontrar uma taverna e conseguir uma cerveja gelada primeiro e um banho quente depois. Mas uma figura caminha pela estrada de encontro a você.

Os pés se arrastam pelo chão, os ombros curvados puxam um carro que certamente faz hora extra como loja durante o dia e quarto durante a noite. A luz das luas iluminam as muitas medalhas de ouro presas no lenço da velha senhora de cabelos brancos e pele avermelhada. O som de guizos e enfeites pendurados nos chifres assimétricos era uma sinfonia na noite, atraindo o canto de um urutau solitário.

— Boa noite, senhora — você se adiantou. — Como está a estrada essa noite?

— Fresca com a brisa do verão, viajante — ela responde. — E como está a estrada da vida?

— Sempre um grande mistério...

Os olhos dourados brilharam com sua resposta, e a velha soltou seu carro, puxou algo do bolso e caminhou em sua direção. O som das cartas se embaralhado era como as folhas na brisa, que estranhamente parou.

— Uma moeda e o mistério diminui...

O canto do urutau cresceu na noite, e um arrepio subiu até sua nuca. Instintivamente você puxou uma moeda da bolsa e jogou na direção da cartomante, que a pegou no ar e colocou gentilmente sobre o baralho, a prata brilhando na noite como a lua. Ela virou a carta lentamente...

...o que você vê?
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#Desafio dos 365 dias, dia 23:

"A corda torceu a pele do pulso ao puxar os braços para cima, a dor quente da fricção quase imperceptível perto da dor aguda e contínua no ombro torcido. Os pés queriam deslizar no chão gelado, ignorando o esforço que Aleixo fazia para se manter em pé. A água gelada escorria do pano molhado enfiado na garganta para evitar os gritos e cristalizava na barba pelo contato com o ar gelado do inverno que entrava pela janela. O inquisidor não se importava, estava enrolado em um grosso casaco com peles."

O conto "Me perdoe, padre" foi publicado na antologia "Os Horrores da Inquisição", da editora Cartola.

#inquisicao #horror #conto
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#Desafio dos 365 dias, dia 22:

Já imaginou como seria se o Grilo Falante vivesse nos dias atuais? Eu já.

"Meus lábios se aqueceram com o café e o gosto amargo encheu minha boca e alma. Em todos os longos anos nesse corpo novo, gerações e gerações de homens e mulheres, o café era o único amor que sempre me acompanhava, desde lá do velho mundo até aqui. Dei uma mordida no pão de queijo – e esse amor era novo – e observei Samanta com carinho.
— Amiga, espera. — Engoli apressado para aproveitar a pausa. — Como você vai investir todo esse dinheiro? De onde ele saiu?
— Ah, Grilo, eu vou pegar um empréstimo.
— Samanta, você ainda nem terminou de pagar aquele treinamento que você fez! — A voz de Bruna se mantinha doce, mesmo com a bronca. Eu havia acabado de conhecê-la, mas já gostava dela. Ela seria uma ótima consciência."

O conto "Consciência Cansada" foi publicado na antologia "Era uma vez", da editora Cartola

#contodefadas #conto
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#Desafio dos 365 dias, dia 21:

"— Chegou a hora da sopa de pedra! – disse Roisin, segurando os suspensórios como se o ajudassem a ficar em pé. Marino se assustou e esticou o pescoço para olhar dentro da bacia, e ali no meio da água quente estava uma pedra redonda — As algas dão um sabor intenso, Marino, o real sabor da Ilha Esmeralda.
Roisin sorriu para Marino, mostrando seu dente de ouro e coçando a barba ruiva, fazendo-o ter certeza de que aquilo era uma brincadeira com o estrangeiro. Ele olhou para Ciara, que também sorriu mas se levantou ao perceber a dúvida no olhar do amigo e encheu sua tigela. Ele a seguiu e quando se sentou novamente olhou para a sua cumbuca de madeira. Era só água quente ali. Não havia tempero ou sal, estava tudo limpo. Como isso seria o sabor da Irlanda? Ele pegou uma colher e a levou até a boca, cheio de suspeitas. Mas o que ele sentiu em sua língua foi o sabor do mar, tão indescritível quanto as ondas, tão poderoso quanto as marés."

O conto "A pedra na sopa" foi publicado na antologia Ilha Esmeralda, da editora Cartola.

#conto #irlanda #fantasia
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#Desafio dos 365 dias, dia 20:

"— Esse filé está ao ponto! — A batida na bancada do passe fez um estrondo que ecoou pela cozinha.
— Chef, o cliente disse que está crua
— Como crua? Olha o centro, um rosa leve. Isso é uma carne ao ponto! — O rosto enrubesceu e veias saltaram na testa do chef. Se virou para a cozinha e gritou as ordens. — Zé, torra um filé pra esse cara, que ele quer bem passado e podia ter pedido assim antes de mandar voltar dois ao ponto. E checa esse gás, que eu to sentindo cheiro."

E no vigésimo dia do desafio, vou postar meu primeiro conteúdo pago. "Alho e ódio" é um conto que escrevi para uma antologia chamada Romances Infelizes, então já te adianto, essa história termina mal...
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#Desafio dos 365 dias, dia 19:

A capa de Folhas é uma das minhas coisas favoritas no mundo.

Quando decidi que iria publicar essa história que escrevi, contatei um amigo ilustrador para fazer a capa. A primeira ideia era que fosse uma mesa de taverna, com um mapa, um cajado e alguns outros itens presentes na história. A segunda ideia era uma grande cena de batalha, mas esse não era o estilo do ilustrador, e eu queria a arte dele.

Então ele me pediu para mandar um áudio de alguns minutos resumindo a história e, quando ouviu, ele me deu a idéia de colocar na capa a melhor personagem do livro, a Célia.

A ovelha favorita de Shard, personagem principal, transformada magicamente para auxiliá-lo em batalha.

E esse símbolo de folhas dentro do O virou até tatuagem.
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#Desafio dos 365 dias, dia 18:

"Seus olhos castanhos o encararam no espelho do banheiro do café enquanto ele puxava o longo cabelo ondulado que herdara da mãe, o prendia em um coque e ajeitava o colete vermelho sobre a túnica branca que realçava a pele negra que herdara do pai. Levou a mão ao bolso e esperou até sentir as pequenas garras segurando gentilmente na pele.

一 Chegou a hora, amigão, vai dar tudo certo 一 disse ele ao pequeno dragão que se empoleirava nas costas de sua mão. As escamas de Maillard brilhavam do violeta ao azul turquesa e a barriga possuía um forte tom de rosa. 一 Está pronto?

Maillard levantou a cabeça e deu um pequeno sopro de fogo para o alto. Fiero sorriu e saiu do banheiro para o salão do café. Os passos no chão de madeira ecoavam como se fossem ampliados por toda decoração em bronze que havia no local. Fiero passou para trás do balcão e foi conferir o café que estava quase pronto. O dragão voltou para o bolso do barista enquanto ele preparava tudo o que precisaria: bateu o leite quente até que formasse uma espuma grossa e o colocou numa bandeja com as duas xícaras, uma pequena peneira de metal, açúcar e o bule de café."

Caramelo é uma história que acontece no universo de O Legado de Esser, e nasceu da minha vontade de mostrar o cotidiano dos não-aventureiros em um mundo fantástico.
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#Desafio dos 365 dias, dia 17:

A lendas dizem que o Arquipélago Crescente se formou durante a Guerra da Ruína. O impacto da queda de um enorme titã, jogado das alturas pelos deuses que o enfrentavam, moveu a terra e fez subir várias ilhas.

Hoje esse arquipélago é dominado por piratas, que usam seu formato e os recifes a sua volta como forma de proteção, e sua posição estratégica para iniciar suas viagens.

(Ainda esse ano saem histórias nesse arquipélago)
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#Desafio dos 365 dias, dia 16:

Eu quero te pedir um favor. Isso, para você mesmo que está lendo, eu preciso da sua ajuda.

Eu quero ser lido.
E, se você está nessa plataforma, muito provavelmente quer ser lido também, então deve entender meu desejo.

Eu vou colocar os três primeiros capítulos do meu livro aqui nesse post. A sinopse está nos comentários. O meu pedido é que você dê uma chance à minha história.

Eu também criei um clube de Leitura aqui na plataforma para ler esse livro. Se você gostou, junte-se a essa leitura para ganhar uma cópia digital do livro.

Muito obrigado.
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