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@sylvviarubra

Sylvvia Rubraurora
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 32 - Fale sobre um livro que trate de uma grande mudança impactante na vida do protagonista.

“Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.”

Pois é assim que se inicia o livro A Metamorfose, de Franz Kafka.

Dito isto, pensem comigo: qual mudança na vida de uma pessoa poderia ser maior do que, do nada, acordar metamorfoseado numa “barata”? Deixo aqui a plaquinha “convença-me do contrário”!

Nota: Franz Kafka tinha síndrome de impostor! Se ele tinha, imagina eu.
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 31 - Fale sobre um livro que fale sobre mágica ou que você considere mágico!

Esse tema foi o mais difícil, visto que, na verdade, são dois! E ambos me levaram a caminhos bem distintos. Digo mais: outra verdade é que começo esse texto sem saber de qual livro vou falar.

Explico-me: a primeira alternativa me fez lembrar de livros onde a "mágica" é possível. Lembrei logo de O Hobbit, de Tolkien; de vários livros de Neil Gaiman (luto); de várias HQ's, como Constantine; além da coleção de livros ambientados no universo de World of Warcraft (gamer detected).

Já a segunda alternativa me levou para o caminho de livros cuja a linguagem é mágica! Livros que eu considero mágicos são aqueles nos quais a linguagem é o próprio mundo. Lembrei de O Fio das Missangas, de Mia Couto; de A Via Estreita, de Alexei Bueno; de Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu (já trazido aqui).

Decido, então, falar de um texto que sequer lembrei ao iniciar: o conto "Natal na Barca" (1973), da maravilhosa Lygia Fagundes Telles.

O conto se passa na véspera de Natal, em uma barca que cruza o Rio Tietê. O narrador (que não tem o seu gênero definido) claramente está depressivo e fugindo de algo, e se depara com uma mulher que está na barca com seu filho doente. É um texto sobre a magia do Natal, mas também sobre a magia de ser empático, de ser humano, de deixar-se envolver pelo outro.

Esse conto é tão mágico, para mim, que uma vez eu levei para ler com meus alunos e, no fim, estávamos eu e alguns alunos de olhos lacrimejando. Super recomendo!
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@sylvviarubra
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias
Dia 30 - Fale sobre um livro que trate de alguma revolução

Hoje será um pouco diferente. Trago, não um livro que li, mas um livro que comprei e ainda preciso criar vergonha na cara para ler. Trata-se da História de Duas Cidades (The Tale of Two Cities) de Charles Dickens, 1859.

Sei que o livro é ambientado à época da Revolução Francesa, quando um aristocrata francês se muda para Inglaterra. E é a partir dessa "dualidade" entre Paris e Londres que o autor aborda o tema da brutalidade da guerra.

Um dos trechos mais famosos é o parágrafo inicial do romance:

"Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, foi a era da sabedoria, foi a era da insensatez, foi a época da crença, foi a época da incredulidade, foi a estação da Luz, foi a estação das Trevas, foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero, tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós, todos íamos direto para o Céu, todos íamos direto na outra direção"
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@sylvviarubra
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 29 - a dançarina

Ela dançava. Se por felicidade ou desespero, nunca saberei
Convenço-me que pelos dois.

Ela dançava descalça; seus pés deviam ter 40 anos de passos desritmados. Mas os seus gestos, naquela praça, destoavam dos nossos gestos de esperadores de ônibus e transeuntes anônimos.

A dança talvez fosse um modo de não ser invisível.

Enquanto dançava, afastava de si o cidadão de bem que lhe pensava como criminosa, por dar outro ritmo à praça; chamava para si a atenção da criança, que nunca vira aquilo.
Afinal fomos educados que a dança é para a festa. Ou para o pecado. E, normalmente, estas estão juntas.

Pego meus ônibus, inerte. E me pego pensando em quantas vezes ela repetiria aquela coreografia.
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 28 - Fale sobre seu livro preferido de contos!

Eu sempre gostei bastante de fluxos de consciência e de prosa poética. E o livro de contos que, para mim, foi uma experiência inesquecível nesse sentido foi “Morangos Mofados”, de Caio Fernando Abreu.

Publicado em 1982, o livro é composto por 18 contos e dividido em três partes: “O Mofo”, “Os Morangos” e “Morangos Mofados”. São textos que tratam sobre a condição humana da sexualidade, da introspecção, da solidão, ambientados em um lugar de repressão militar.
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 27 - Poesia

E há poesia quando te perco
e tenho saudades.
Porque nem tudo é sempre,
e nem sempre preenchido,
do Lótus cai uma luz púrpura
e tudo vira vazio.

E porque me despetalei
e sequer percebeste
outra pele nasceu.
Fresca, de sabor róseo,
um luar tangível:
substantivo concreto.

E de tuas mãos correram ventos
que me assanharam o cabelo
e a poeira de lágrimas há tanto caídas
verteu-se em água novamente:
um fluxo da morte à vida
como as águas deste rio.
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@sylvviarubra
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

dia 26 - Poética da Existência

Foi por um segundo que existiu. Num tom ainda lívido, não de medo, mas de inexperiência, maravilhada. E existiu, assim, inexata, entre lençóis e pensamentos, e habitava a palavra. Nada ainda havia eclodido; nada ainda havia de suspeito. Era toda em forma de som, os quais eu me repetia até adormecer, sozinha.

Foi só por um segundo, mas eu a tive, corporificada. Estava um tanto fria, um tanto doce e molhada, porque era uma manhã aquosa e os tons cinza de agosto se dissolviam na chuva. Um segundo meu de inércia, não por espanto, mas por zelo. Era toda de poesia feita e a mim eu a recitava até me desfazer em lama.

A existência do segundo demorado, em que ela, paixão sensata, sabia-se viva e, então, à mercê da morte. Foi no fim desse instante que ela se pôs de ponta de pés à beirada da cama, e eu tinha olhos de paralisia, não por covardia, mas por destino. Ela era toda suicídio e já se vestia de mortalhas quando, finalmente, o segundo passou.
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 25 - Poética da Infância

Tem um soldadinho no jardim. Gostinho do tempo de criança no canto da boca, sabor graviola, por favor! O soldadinho foi embora… Não! Ainda está ali, na corda do balanço. Me balança? Não tão forte. Me segura agora, que eu vou cair. Mas até que o chão é macio até o Mertiolate chegar.

O soldadinho voou com o grito, mas o pé de laranja nem é tão longe assim. Ninguém brinca de gangorra, sozinho. E sozinha eu estava até esta manhã. Então este sol nasceu e nos convidou para vir aqui, mesmo com essa terra ainda molhada. E, se sujarmos a roupa de barro, o castigo é certo.

Não toca no soldadinho! Já foi, agora uma de suas asas se desfez. Ele não pode mais voar… Traz para árvore, talvez ele possa viver! Afinal vivemos mesmo com a corda do balanço apodrecendo sob a chuva de todos esses anos e a gangorra se curvando sob o peso do tempo. Além do chão cheio de pedregulhos que ferem e dos remédios que ardem, mas nem curam.

Então eu brinco com palavras por isso: a verdade é o estar de cama quando o mundo poderia ser divertido. Com a gente brincando de esconde-esconde até você, desajeitado, tropeçar na primeira pedra.
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há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 24 - Poética da Adolescência

Eu me sentia um spam porque era inadequada. Inadequações. Isso é um círculo, você dizia. Eu, quadrada. Eu não sou cult, eu gritava, e você nem ouvia. Inadequada estava escrito em minha testa e eu, sem vergonha, continuava e a te espreitar e aparecia à tua frente como quem não quer nada. Isso é um retângulo! Eu ouvia. Já mudou? Eu perguntava, toda circular, e você se permitia rir esnobe. E era o riso mais lindo, mesmo que fosse ácido.

Eu me sentia um e-mail nunca lido, enviado diretamente à lixeira, porque a isso eu era destinada. Destino. Isso é karma, eu me repetia, mas era a ela que você beijava. Isso é karma, eu sussurrava, mas é ela quem você tem por linda; e eu me resto só, feia nesse espelho. Eu era o desgosto, o démodé em tempos dessas tendências descoladas, de todos esses sapatinhos vermelhos e desses ângulos confusos.

Convenhamos: eu me sinto um moleskine em tempos de blog. Você me olhava, eu fechada, na estante, meu templo. Páginas sem importâncias, guardadas na prateleira mais perto do chão. Sem pedestais. O amor que se perdeu no caminho entre uma folha e outra. Talvez um sarcasmo não compreendido. Eu sequer era real. Inadequada até na ficção, você me diria, se soubesse como.
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@sylvviarubra
há 1 ano
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#desafio 365 dias

Dia 23 - Poética da Maturidade

No mundo dos meus sonhos, você e eu teríamos um filho lindo. De cabelinho bem preto. E todos os fins de semana, você viria nos visitar. Sim, porque você e eu não moraríamos juntos. Eu seria uma mulher independente, dessas que moram num flat. Claro que quando nosso filho nasceu, tive que mudar para um dois-quartos. E você vem tão lindo para gente. Com esse sorriso lindo que só você tem, tão perturbador. Você toma nosso filho nos braços e ficamos assim brincando durante toda tarde no sofá. E nem me importo quando uma taça de sorvete mancha o tapete ou que nosso filho coma todas as besteiras que eu o impedi durante a semana. É tão lindo ver vocês melados de sorvete. À noite, ficamos o olhando por um tempo. A respiração calma, compassada. Ele dorme. Você e eu voltamos para sala. Enquanto isso, você me diz que estava com saudades. Eu acredito, porque eu também estava. Você mexe em meus cabelos. Me pede para narrar algo. Toca em minha nuca. Eu respondo que só se for uma cena de taverna. Com direito a live action. Eu olho para você e vejo o quanto ainda me perturba. Você me beija e eu beijo você. E este amor é o amor mais lindo do mundo, no mundo dos meus sonhos.

Mas, fora dele, crianças vomitam e sujam as fraldas e eu, que tenho ânsia de vômito só em pensar no cheiro enjoativo de talco, eu, que tenho dores de cabeça só em pensar no choro de uma criança me tirando de um sonho bom, eu, que confabulo tragédias quando tu te atrasas um pouco no trabalho e que não admito ter saudades, eu, que te quero todos os dias, por necessidade e por ciúme doentio, calculo os juros do meu cartão de crédito que atrasou.

Sylvvia Rubraurora
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