Caatinga e sua terra seca rachada
resiste o inverno sem água sem vida
pele sem carinho felicidade partida
solidão de corpo e mente desamparada
cactus e poeira pelo chão
pouco sobrevive no deserto
ele respira fundo sem ninguém por perto
acalma, persiste espera compaixão
animal morto agora é só ossada
esqueleto partido no meio da imensidão
sujeito único, conjunto unitário em suspensão
sem amor vaga a alma penada
implora misericórdia, reza pela primavera
a nação e povo do planalto central
homem em desespero e estado final
as lágrimas lembram o que uma vez tivera
na natureza cruel do sertão
carcarás e abutres sobrevoam
sonhos e esperanças abençoam
no amor e na paixão
ninguém sabe como, mas a flor sempre volta
assim alimenta a insistente sobrevivência
ninguém entende como, nem a ciência
mas o tempo sim traz de novo a reviravolta
Edu Liguori
Hoje não estou amarga com a vida;
Mas sinto o amargar esmagador dela a me rondar.
Felizes os que a tem doce.
Não sei o sabor disso, só ouvi falar.
Ah! A vida!
Lita... 01/07/2026
Lábios aventureiros
percorrem a estrada sinuosa
apertam, sugam sorrateiros
envolvem de forma majestosa
língua, língua venenosa
molha, toca como veludo
sabe os segredos é perigosa
não há limites quer tudo
mãos, mãos delicadas
exploram e potencializam
sempre gentis e apaixonadas
o mal exorcizam
da garganta a final submissão
é loucura arfante em agonia
ponto final de entrega e paixão
consome até a última energia
Edu Liguori
#desafio 296
—Ventos de partida—
Deixei o vento
passar por mim.
Em pele nua,
à luz da lua,
o reflexo clarim.
No vento,
sabor de maresia
e aroma de Oceania.
A noite queimava
e ardia
dentro de mim.
O frescor
do vento norte,
traz no pensamento
um sentimento forte,
que insiste
e não me deixa
esquecer de ti.
Com ele,
me deparo comigo
e tudo
que não te digo,
mas insisto
em não deixá-lo partir.
Hoje,
o vento frio
sussurrou ao meu ouvido,
que tudo
que tenho sentido,
enterrarei
nas areias
dentro de mim.
Soprarei
pra você
um sentido.
Darei pra você
o motivo
e o deixarei
ir-se daqui.
Um dia,
talvez
o vento te conte,
que segui…
mas nem de longe
esqueci
o que senti.
MarU
#desafio 295
—Tempestade—
E o vento
sopra
saudades.
Vejo as nuvens
de tempestade,
de novo,
sinto estremecer
por dentro,
de frio,
e me acolho.
E quando
o vento chega,
dança
em meus cabelos
soltos.
Com o vento,
embalo
meu corpo
e o sigo,
dançando
de novo.
Vejo os raios
na tempestade
e não me assusto.
As cores
das nuvens
fazem o dia
escuro,
mas eu
acho bonito.
É tarde,
admito…
mas ficarei,
mais um pouco.
Não espero
mais nada,
não culpo
o universo.
Apenas sinto,
sentada aqui…
e me permito.
Observo,
aprecio
e me acolho.
A tempestade
vai passar
e eu
me molho.
MarU
Chorei de uma tristeza infundada
cimentada na história contada
pelos versos de um vida comprida
e cumprida feito cartilha de letras
por estas estrofes e os espantalhos
dos atalhos e caminhos sortidos
que percorri e abracei sem medo
num arremedo sorri e dancei
para logo lagrimar o mar
mesmo nua tua lembrança é distante
um instante que quase esqueci
feito farinha torrada nesta toada
cantei nosso passado amassado
e por fim adormeci sozinho
neste chão que fora benzido
resta perdido apenas um poeta
Edu Liguori
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