#desafio 292
—Mãe de carga—
Então…
ventava lá fora,
estava escuro
e fazia frio.
A lua penitente
com benevolência
projetava sua luz
e por alguns dias,
iluminava o caminho.
Ela estava cansada
e segurava a mão
um filho.
Ela estava determinada
a encontrar segurança
e abrigo.
A Terra girava,
o sol a açoitava
nos dias,
as noites
o frio.
Ela não tinha nada,
mas sempre encontrava
um jeito
de resistir
e seguiu.
Uma mulher
com coragem
encara a dor
com amor
e faz o milagre
possível.
Caminhando
passo a passo,
hora sangrando,
hora sorrindo.
Seu caminho
é escolha e
é difícil…
mas guia-se
pelo que vê
de mais bonito:
O filho.
Se falar
que não precisa de nada,
está errada!
Precisa apenas
do amor,
para completar
o que era vazio.
MarU
#desafio 291
—Rumo ao infinito—
Não sou sereia,
apesar do “mar”,
mas estou voltando
pra casa;
longe da terra,
cansada…
não quero mais
ter que andar
por essa terra
empoeirada
usando salto.
Nem nadar
em águas salgadas,
contra a correnteza
no oceano vasto,
que me arrasta.
Quero adentrar
o barco,
navegar distante,
onde minha alma
veleja
em uni-versos.
Onde a doçura
da água,
ou o sal,
sejam poemas
e não dilemas.
Onde eu apenas
veja a beleza
do mar,
nas águas…
aprofunde
meus pensamentos,
mergulhe
em mim mesma
e, às vezes,
regue minha clareza
em vinho tinto,
na taça.
Tomada
por incertezas,
mas ciente
de que aqui,
a navegar,
não as necessito.
No vento,
me deixo levar.
E vou...
rumo ao infinito.
MarU
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