RAFAEL ARAUJO
@rafaelaraujoescritor
Monólogo da mente

Estive por aqui há milhares de anos... Lembro-me como se fosse o amanhã que existiu entre a penumbra, sem mesmo preceder o hoje.
Naquela época, não existia nada: nem luz ou trevas. E tudo era... fácil de respirar. Até sombras andavam pelo infinito, quase vazio ou completo de nada.
Sempre soube que a evolução era o pior de todos os erros, porém a mais necessária. Afinal, nada se cria, pois tudo se inverte.
Desde o homem aos animais, como toda a vasta criação, são rastros de uma era. Rastros que, um após o outro, continuarão em constante evolução e extinção.Tudo nessa mesma ordem, para não desequilibrar a balança, ou melhor, o peso que uma pena tem em relação a uma bandeja com moedas de ouro.
Bebi o vinho do primeiro cálice de barro e o repassei às eras seguintes, que o transformaram em taças de cristal e ouro de marfim.
Como foi bom ter pisado o solo antes que o caos e a ordem dessem as mãos, e se ferissem pelas costas.
De todas as evoluções que presenciei, talvez... apenas talvez, essa seja a evolução habitável mais vazia de todas.
Seria necessário reconstruir novos muros ou uma nova evolução para iniciar tudo de novo.

© 2025 Rafael Araújo