Como a raposa salvou o sapo Lendas do Rio Congo · Capítulo 4 de 6
Obra Menu

Como a raposa salvou o sapo

O sapo havia construído uma bela aldeia quando recebeu a visita de alguns jovens muito bem vestidos. Recebeu-os com gentileza, e eles responderam com educação.

As trinta esposas do sapo vieram cumprimentar os visitantes. Depois perguntaram ao marido:

— Como você conhece esses homens?

— Não os conheço — disse ele. — Mas, como estavam bem vestidos, eu os saudei.

As esposas reclamaram:

— Então você os respeitou por causa das roupas. Desde que nos casamos, nunca nos deu panos novos.

Envergonhado, o sapo perguntou aos visitantes onde poderia comprar tecido. Eles disseram que, se levasse amendoins até Mboma, encontraria muito pano. Bastava seguir o rio.

No dia seguinte, o sapo partiu com uma grande carga de amendoins. No terceiro dia de viagem, encontrou uma enorme árvore caída sobre a estrada. Enquanto pensava em como atravessá-la com suas pernas curtas, ouviu uma voz:

— Se você é forte, largue sua carga e me salve. Estou preso debaixo desta árvore há vinte meses.

Era uma cobra.

O sapo deixou a carga no chão, entrou debaixo da árvore e inchou, inchou, até erguê-la. A cobra saiu. Mas, assim que ficou livre, agarrou o sapo pela perna.

— Prepare-se para ser engolido.

— Que fiz eu para merecer isso? — perguntou o sapo. — Ajudei você e nem pedi pagamento.

Enquanto discutiam, chegou um antílope. Chamaram-no para julgar a questão. O antílope percebeu que o sapo tinha razão, mas teve medo da cobra e decidiu a favor dela.

A cobra já se preparava para engolir o sapo quando apareceu uma raposa.

— Antes de julgar — disse a raposa —, preciso ver como tudo aconteceu.

Mandou a cobra soltar a perna do sapo e pediu que o sapo erguesse a árvore outra vez. O sapo inchou o corpo e levantou o tronco. Então a raposa disse:

— Agora, cobra, mostre exatamente como estava presa.

A cobra, achando que venceria a causa, entrou debaixo da árvore. No mesmo instante, a raposa gritou:

— Solte, sapo!

O tronco caiu sobre a cobra e a prendeu novamente.

— Você está errada — disse a raposa. — Seu amigo lhe fez um bem, e você quis pagar com maldade.

Todos foram embora, deixando a cobra presa, pois ninguém quis socorrer uma criatura tão ingrata.

O sapo agradeceu à raposa, deu-lhe sua carga de amendoins, e os dois se tornaram grandes amigos.

Ao fim da história, ninguém defendeu a ingratidão da cobra. Todos concordaram que ela merecia ficar presa debaixo da árvore.

1/1
Menu

Fazer anotação