Como a raposa salvou o sapo
O sapo havia construído uma bela aldeia quando recebeu a visita de alguns jovens muito bem vestidos. Recebeu-os com gentileza, e eles responderam com educação.
As trinta esposas do sapo vieram cumprimentar os visitantes. Depois perguntaram ao marido:
— Como você conhece esses homens?
— Não os conheço — disse ele. — Mas, como estavam bem vestidos, eu os saudei.
As esposas reclamaram:
— Então você os respeitou por causa das roupas. Desde que nos casamos, nunca nos deu panos novos.
Envergonhado, o sapo perguntou aos visitantes onde poderia comprar tecido. Eles disseram que, se levasse amendoins até Mboma, encontraria muito pano. Bastava seguir o rio.
No dia seguinte, o sapo partiu com uma grande carga de amendoins. No terceiro dia de viagem, encontrou uma enorme árvore caída sobre a estrada. Enquanto pensava em como atravessá-la com suas pernas curtas, ouviu uma voz:
— Se você é forte, largue sua carga e me salve. Estou preso debaixo desta árvore há vinte meses.
Era uma cobra.
O sapo deixou a carga no chão, entrou debaixo da árvore e inchou, inchou, até erguê-la. A cobra saiu. Mas, assim que ficou livre, agarrou o sapo pela perna.
— Prepare-se para ser engolido.
— Que fiz eu para merecer isso? — perguntou o sapo. — Ajudei você e nem pedi pagamento.
Enquanto discutiam, chegou um antílope. Chamaram-no para julgar a questão. O antílope percebeu que o sapo tinha razão, mas teve medo da cobra e decidiu a favor dela.
A cobra já se preparava para engolir o sapo quando apareceu uma raposa.
— Antes de julgar — disse a raposa —, preciso ver como tudo aconteceu.
Mandou a cobra soltar a perna do sapo e pediu que o sapo erguesse a árvore outra vez. O sapo inchou o corpo e levantou o tronco. Então a raposa disse:
— Agora, cobra, mostre exatamente como estava presa.
A cobra, achando que venceria a causa, entrou debaixo da árvore. No mesmo instante, a raposa gritou:
— Solte, sapo!
O tronco caiu sobre a cobra e a prendeu novamente.
— Você está errada — disse a raposa. — Seu amigo lhe fez um bem, e você quis pagar com maldade.
Todos foram embora, deixando a cobra presa, pois ninguém quis socorrer uma criatura tão ingrata.
O sapo agradeceu à raposa, deu-lhe sua carga de amendoins, e os dois se tornaram grandes amigos.
Ao fim da história, ninguém defendeu a ingratidão da cobra. Todos concordaram que ela merecia ficar presa debaixo da árvore.