A história das quatro maravilhas
Uma mulher deu à luz uma criança que, no mesmo dia em que nasceu, foi sozinha ao rio tomar banho.
Enquanto a criança se banhava, chegou um caçador e disparou sua arma.
— Em que você está atirando? — perguntou o bebê.
— Estou atirando nos mosquitos que comem a mandioca de minha esposa — respondeu o caçador.
— Quem já ouviu coisa parecida? — disse o bebê. — Atirando nos mosquitos, você estraga o país.
O caçador negou a acusação e disse que quem estragava a ordem do mundo era o bebê, por sair sozinho para se banhar no dia em que nasceu.
Discutiram muito e resolveram levar o caso a um chefe de uma aldeia vizinha. O chefe ouviu os dois e respondeu:
— Minha boca está trancada naquele quarto, e minhas esposas levaram a chave para as roças.
— Ora — disseram eles —, se você fala enquanto sua boca está trancada em outro quarto, também estragou o país. Quem já ouviu maravilha assim?
Foram procurar outra pessoa que pudesse julgar a questão. Encontraram um homem que subia nas palmeiras para tirar vinho de palma. Depois de ouvir a discussão, ele disse:
— Um dia caí do alto de uma palmeira e me quebrei em pedaços. Então fui à aldeia chamar homens para carregar meus pedaços de volta para casa.
Os outros se voltaram contra ele também. Afinal, se alguém podia se quebrar todo e ainda sair andando para buscar carregadores, era outra maravilha contra a ordem das coisas.
Até hoje discutem qual deles merecia a maior censura: o bebê que nasceu e foi tomar banho, o caçador que atirava nos mosquitos, o chefe que falava com a boca trancada ou o homem que se quebrou em pedaços e foi buscar ajuda para carregar a si mesmo.