As aparências às vezes enganam Lendas do Rio Congo · Capítulo 6 de 6
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As aparências às vezes enganam

Certa vez, uma moça foi prometida por seus pais ao senhor Falcão. Por algum tempo aceitou o noivo, mas depois começou a reclamar:

— O rosto dele é escuro demais.

Seus pais tentaram ensiná-la que ninguém deve aceitar um marido apenas por ter rosto bonito, nem rejeitá-lo apenas por ter rosto simples. Mas ela não quis ouvir.

Um dia, vestiu seus melhores panos, colocou seus enfeites e foi ao mercado. Lá encontrou um jovem chamado Rosto-de-Óleo, porque seu rosto brilhava com óleo de palma.

Rosto-de-Óleo vinha de muito longe. Quando saiu de casa, tinha o corpo coberto de feridas, os olhos saltados e uma aparência desagradável. Pelo caminho, porém, pediu emprestados um rosto, cabelos, dentes novos e pele bonita. Assim chegou ao mercado parecendo um rapaz encantador.

Ao ver a moça, disse:

— Quero casar com você.

Ela olhou para sua pele clara, seus cabelos bem trançados e seus dentes brancos.

— Está bem. Venha conhecer meus pais.

Rosto-de-Óleo foi respeitoso com a família, e todos ficaram satisfeitos. Logo se casaram e partiram para a terra dele.

Mal tinham começado a viagem quando alguém gritou:

— Rosto-de-Óleo, devolva meus cabelos!

Em outra aldeia, alguém pediu:

— Devolva meus dentes!

Mais adiante, outro exigiu o rosto que lhe emprestara. Outro ainda pediu:

— Devolva meu estômago e pegue o seu. Este come demais.

Assim, pouco a pouco, ele voltou ao corpo verdadeiro: pele ferida, olhos feios e salientes, aparência terrível.

Quando chegaram à aldeia dele, as pessoas perguntaram de onde viera sua esposa. Ele disse que vinha de uma terra distante. Receberam-na, mas no dia seguinte cercaram a casa querendo devorá-la.

A moça saiu e pediu:

— Esperem. Não me comam ainda. Toquem os tambores, e eu dançarei.

Dançou o dia inteiro para entretê-los, cantando que o senhor Falcão era bom, que suas penas curvas eram belas, e que se arrependia de não o ter aceitado como marido.

Todos os dias queriam matá-la, e todos os dias ela dançava e cantava para ganhar tempo.

Um dia, o senhor Falcão passou por ali, viu a moça, ouviu seu canto e teve pena dela. Avisou os pais da jovem e prometeu salvá-la. No dia seguinte, voou até a aldeia, desceu de repente e carregou a moça de volta para sua família.

Depois de algum tempo, ela se casou com o senhor Falcão e nunca mais julgou alguém pela cor do rosto.

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