Capítulo XVIII
Capítulo XVIII
À meia-noite, a reunião se dissolveu. Os oficiais também se foram; como sempre, Henrique alegre, Fernando taciturno. A carruagem de Clemência conduziu Mariana e Isabel à sua casa.
Aquela disse à loura, ao dar-lhe o beijo e o abraço de despedida:
- És muito feliz, Isabel?
- Creio que sim, Clemência; estou desvanecida de felicidade.
- Pois bem, minha linda, que o anjo do amor te cubra com suas asas, que sonhes hoje com o céu.
E depois, entrando em seus aposentos, depois de beijar os pais, que a haviam julgado muito contente naquela noite, disse, caindo numa poltrona, com despeito mal comprimido:
- Isabel vencer-me! Ter preferido Isabel! É ela, pois, mais bela que eu?
E depois, ficando pensativa, acrescentou com remorso:
- Pobre Fernando! Fiz mal em brincar assim com seu coração! Se ele tivesse visto o fundo do meu, que teria dito?... Não havia necessidade desse engano... amanhã lhe direi que não leve a sério... E a flor! E tantas palavras! Que fiz, meu Deus? Que fiz?...
E então começou a despir-se e a soltar os cabelos com ajuda de uma jovem camareira; envolveu-se depois num rico peignoir branco, que deixava adivinhar toda a riqueza e perfeição de suas formas, dignas de uma estátua grega. Descalçaram-lhe os pequenos e elegantes botins de cetim branco; meteu os lindos pés em pantufas de seda vermelha, despediu a criada, cobriu com um abajur mais escuro sua lâmpada azul e, ajoelhando-se no macio tapete que havia aos pés de seu leito aristocrático, deixando cair a joiosa cabeleira negra sobre as costas e o colo, reclinou-se com dor, apoiando a fronte nas duas mãos, vertendo lágrimas e dizendo em voz baixa, entrecortada pelos soluços:
- Henrique, Henrique, eu te amo!
Depois de um momento, levantou-se ereta, sorriu com orgulho e...
- Ele também me amará. Oh! há de me amar muito, eu prometo - disse, e meteu-se na cama.
Ainda esteve agitada por alguns minutos; mas o amor, nessa idade, não causa longas insônias: a formosa jovem murmurou algumas palavras incoerentes e adormeceu suspirando.