Capítulo XXV Clemência · Capítulo 25 de 37
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Capítulo XXV

Capítulo XXV

Uma carruagem puxada por seis mulas caminhava com toda a rapidez possível em direção ao povoado de Zacoalco, ainda distante umas quatro léguas.

Atrás dela seguiam um cavalheiro e seis ou oito criados, um conduzindo animais de reserva e outros algumas mulas carregadas de malas e colchões. Evidentemente, no coche devia ir uma família principal.

Já disse que nesse mesmo dia 5 os franceses, comandados pelo general Bazaine, ocuparam Guadalajara. Arteaga a evacuara no dia 3 com suas tropas.

À aproximação das forças invasoras, várias famílias, não podendo suportar a ideia de receber os inimigos da pátria, apressaram-se a sair, e todas tomaram o caminho de Zapotlán para dirigir-se a Colima, ponto que estava então inteiramente protegido pela linha de defesa que o general Uraga estabelecera nas Barrancas.

O caminho de Guadalajara a Sayula, por tal motivo, estivera frequentado por emigrantes desde o dia 3; mas no dia 5 já o estava apenas por alguns retardatários que haviam saído da cidade poucas horas antes de as colunas francesas chegarem a ela.

A esse número pertencia provavelmente a família que vinha na carruagem, pois tudo indicava que fizera uma jornada longa e penosa. As mulas pareciam fatigadas, o coche maltratado, e os moços caminhavam cabisbaixos e taciturnos, sinal do fastio que lhes produzira uma caminhada pouco comum.

De repente, numa curva do caminho, a carruagem deteve-se como diante de um obstáculo; as mulas desfaleciam, mas o condutor lhes aplicou chicotadas tão vigorosas que os pobres animais fizeram um esforço supremo e partiram com tanta força que a carruagem, depois de dar um grande salto, tombou, caindo sobre um dos lados.

As pessoas que iam nela deram um grito espantoso, ao qual respondeu o cavalheiro que vinha atrás, descendo no ato do magnífico cavalo que montava e correndo até onde a carruagem jazia tombada e em perigo de ser arrastada pelas mulas, que, contidas apenas pelo postilhão, espantavam-se e queriam continuar sua corrida.

- Meu Deus! Meu Deus! - gritava o cavalheiro, cheio de angústia.

- Não há cuidado, papai, nada nos aconteceu - gritou uma voz ligeiramente alterada pelo susto.

- Clemência, minha filha! E tua mamãe, e tuas amigas?

Os senhores já compreenderão que as famílias que iam ali eram as de Clemência e Isabel.

Por sorte, tanto essas jovens como as senhoras nada sofreram; e, se não fosse um desmaio que Isabel teve por causa do terror, não tiveram a lamentar senão pequenas contusões.

No mais, a carruagem tinha uma de suas rodas completamente despedaçada, a qual, presa num buraco, obstáculo que detivera a carruagem momentos antes, se quebrara ao puxarem as mulas apuradas pelas chicotadas do cocheiro.

Um instante depois, com o auxílio dos criados, as jovens foram transportadas para a beira do caminho. Isabel voltou a si nos braços de Mariana, que não perdia a presença de espírito; a carruagem foi levantada, e só afligiu a família a dificuldade de sua situação.

Com efeito, era impossível continuar o caminho, inutilizada como estava a carruagem. O cocheiro manifestou a impossibilidade de consertar a roda quebrada, e os moços acrescentaram o que o cavalheiro sabia: que não havia por perto nenhum povoado, nenhuma fazenda onde se refugiar naquela noite, ou de onde trazer uma carruagem nova. Zacoalco ainda estava a quatro léguas, e era improvável que ali se pudesse conseguir um coche. Era, pois, preciso pedi-lo a Sayula, aonde o general Arteaga chegara, ou resignar-se a fazer a caminhada nos cavalos dos moços, enquanto estes seguiam a pé.

Mas as senhoras se julgaram incapazes de montar a cavalo, e além disso os golpes que haviam recebido, embora relativamente pequenos, faziam-nas sofrer bastante para que pudessem caminhar a cavalo por espaço de quatro léguas. Que fazer, então?

- Se me tivesses escutado, Clemência - dizia o cavalheiro com vivas mostras de pesar -, teríamos ficado em Santa Ana, teríamos tido boa hospedagem e teríamos poupado esta desgraça.

- É muito certo, papai - respondeu a jovem -, mas a consideração de que os franceses podiam seguir-nos e de que talvez nos víssemos envolvidos em maiores dificuldades, estando os republicanos perto, fazia-me impacientar. Prefiro, não fossem os trabalhos que faço os senhores passarem, tudo isto a ficar perto de Guadalajara.

- De verdade admiro teu patriotismo, minha filha; não te julgava capaz de tamanha exaltação.

- Papai - replicou a menina -, ao senhor devo todas as minhas ideias e o ódio que tenho aos inimigos do México.

- Algo se mistura de amor em teu patriotismo, segundo presumo; mas não levo a mal, e só sinto que não possamos sair deste atoleiro.

- Senhor - disse um dos moços -, se Vossa Mercê quiser, correrei até Zacoalco, e pode ser que encontre outro coche, ou ao menos um carpinteiro que em um momento componha a roda. Estarei lá às duas da manhã e aqui de volta pouco antes de amanhecer, e poderemos continuar.

- Bem, vai - disse o cavalheiro. - Vê que tu és nossa esperança.

- Fique tranquilo, meu amo - respondeu o moço, metendo esporas no cavalo e afastando-se em direção a Zacoalco.

Enquanto isso, os criados improvisaram ali uma espécie de tenda e, com auxílio dos machados que levavam por precaução, armaram os catres de viagem para as senhoras, que se recostaram neles e dormiram, enquanto o pai de Clemência e seus servidores permaneceram em vigília, perfeitamente armados e dispostos a defender-se, pois não era nada difícil que por aquele caminho, então deserto e abandonado de toda espécie de tropas, cruzassem algumas bandas das que seguem regularmente um exército em retirada, ou das que se aproveitam de uma situação como aquela para desvalijar os transeuntes.

Deixemos o respeitável e patriota comerciante sentado sobre uma mala, com uma mão na face e a outra num soberbo rifle de seis tiros, e sigamos o postilhão que corre a galope pelo caminho de Zacoalco.

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