Broquéis: Antiphona Broquéis · Capítulo 1 de 53
Obra Menu

Broquéis: Antiphona

Antiphona

Ó Fórmas alvas, brancas, Fórmas claras

De luares, de neves, de neblinas!...

Ó Fórmas vagas, fluidas, crystalinas...

Incensos dos thuribulos das aras...

Fórmas do Amor, constellarmente puras,

De Virgens e de Santas vaporosas...

Brilhos errantes, mádidas frescuras

E dolencias de lyrios e de rosas...

Indeffiniveis musicas supremas,

Harmonias da Cor e do Perfume...

Horas do Occaso, tremulas, extrêmas,

Requiem do Sol que a Dôr da Luz resume...

Visões, psalmos e canticos serenos,

Surdinas de orgãos flébeis, soluçantes...

Dormencias de volupicos venenos

Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espiritos dispérsos,

Ineffaveis, edênicos, aéreos,

Fecundai o Mysterio destes versos

Com a chama ideal de todos os mysterios.

Do Sonho as mais azues diaphaneidades

Que fúljam, que na Estrofe se levantem

E as emoções, todas as castidades

Da alma do Verso, pelos versos cantem.

Que o póllen de ouro dos mais finos astros

Fecunde e inflamme a rima clara e ardente...

Que brilhe a correção dos alabastros

Sonóramente, luminosamente.

Forças originaes, essencia, graça

De carnes de mulher, delicadezas...

Todo esse effluvio que por ondas passa

Do Éther nas roseas e aureas correntezas...

Cristais diluidos de clarões alacres,

Desejos, vibrações, ansias, alentos,

Fulvas victorias, triunfamentos acres,

Os mais estranhos estremecimentos...

Flores negras do tédio e flores vagas

De amôres vãos, tantalicos, doentios...

Fundas vermelhidões de velhas chagas

Em sangue, abertas, escorrendo em rios...

Tudo! vivo e nervoso e quente e forte,

Nos turbilhões chiméricos do Sonho,

Passe, cantando, ante o perfil medonho

E o tropél cabalístico da Morte...

1/1
Menu

Fazer anotação