Broquéis: Tuberculosa Broquéis · Capítulo 34 de 53
Obra Menu

Broquéis: Tuberculosa

Tuberculosa

Alta, a frescura da magnolia fresca,

Da côr nupcial da flôr da laranjeira,

Doces tons d'ouro de mulher tudesca

Na velludosa e flava cabelleira.

Raro perfil de marmores exactos,

Os olhos de astros vivos que flammejam,

Davam-lhe o aspecto excentrico dos cactus

E esse alado das pombas, quando adejam...

Radiava n'ella a incomparavel messe

Da saude brotando vigorosa,

Como o sol que entre névoas resplandésce,

Por entre a fina pelle côr de rosa.

Éra assim luminosa e delicada,

Tão nobre sempre de belleza e graça

Que recordava pompas de alvorada,

Sonoridades de crystaes de taça.

Mas, pouco a pouco, a ideal delicadeza

D'aquelle corpo virginal e fino,

Sacrario da mais limpida belleza,

Perdeo a graça e o brilho diamantino.

Tysica e branca, esbélta, frigida e alta

E fraca e magra e transparente e esguia,

Tem agora a feiçio de ave pernalta,

De um passaro alvo de apparencia fria.

Mãos lyriaes e diaphanas, de neve,

Rosto onde um sonho aéreo e polar fluctúa,

Ella apresenta a fluidez, a leve

Ondulação da vaporosa lua.

1/1
Menu

Fazer anotação