Missal: Occaso no mar Missal · Capítulo 3 de 44
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Missal: Occaso no mar

Occaso no mar

N’um fulgor d’ouro velho o sol tranquillamente

désce para o occaso,

limite extremo do mar, d’aguas calmas,

sereñas, dum espesso verde pesado,

glauco, n’um tom de bronze.

No céo, de um desmaiado azul, ainda

claro, ha uma doce suavidade astral e

religiosa.

A’s derradeiras scintillações doiradas

do nobre Astro do dia, os navios, com

o maravilhoso aspecto das mastreações,

na quietação das ondas, parecem estar

em extase na tarde.

N’um esmalte de gravura, os mastros,

com as vêrgas altas, lembrando, na distancia, esguios caracteres de

de musica,

pautam o fundo do horisonte limpido.

Os navios, assim armados, com a

mastreação, as vêrgas dispostas por essa

fórma, estão como que a fazer-se de vela,

promptos a arrancar do porto.

Um rhythmo indefinivel, como a errante,

ethereal expressão das forças originaes

e virgens, ineffavelmente désce,

na tarde que finda, por entre a nitidez,

já indecisa dos mastros...

Em pouco

as sombras densas envolvem

gradativamente o horisonte em

torno, a vastidão das vagas.

Começa, então, no alto e profundo

firmamento silencioso, o brilho frio e fino,

aristocratico das estrellas.

Surgindo atravez de tufos escuros de

folhagem, além, nos cimos montanhosos,

uma lua amarella, de face chata de chim,

vérte um óleo luminoso e dormente em

toda a amplidão da paizagem.

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