Missal: Occaso no mar
Occaso no mar
N’um fulgor d’ouro velho o sol tranquillamente
désce para o occaso,
limite extremo do mar, d’aguas calmas,
sereñas, dum espesso verde pesado,
glauco, n’um tom de bronze.
No céo, de um desmaiado azul, ainda
claro, ha uma doce suavidade astral e
religiosa.
A’s derradeiras scintillações doiradas
do nobre Astro do dia, os navios, com
o maravilhoso aspecto das mastreações,
na quietação das ondas, parecem estar
em extase na tarde.
N’um esmalte de gravura, os mastros,
com as vêrgas altas, lembrando, na distancia, esguios caracteres de
de musica,
pautam o fundo do horisonte limpido.
Os navios, assim armados, com a
mastreação, as vêrgas dispostas por essa
fórma, estão como que a fazer-se de vela,
promptos a arrancar do porto.
Um rhythmo indefinivel, como a errante,
ethereal expressão das forças originaes
e virgens, ineffavelmente désce,
na tarde que finda, por entre a nitidez,
já indecisa dos mastros...
Em pouco
as sombras densas envolvem
gradativamente o horisonte em
torno, a vastidão das vagas.
Começa, então, no alto e profundo
firmamento silencioso, o brilho frio e fino,
aristocratico das estrellas.
Surgindo atravez de tufos escuros de
folhagem, além, nos cimos montanhosos,
uma lua amarella, de face chata de chim,
vérte um óleo luminoso e dormente em
toda a amplidão da paizagem.