Missal: Estesia slava
Estesia slava
Como os embriagados de kava da Polynesia
vou tartamudeando e soluçando
sob as paixões, ó aguia, Aguia Germanica,
imperiosa e doirada!
Uma estranha harmonia de «Dansa
macabra» de Saint-Saens me entorpéce
e invade em lagrimas negras de notas.
Todo o meu pensar e sentir estacou
de subito agora, como um nervoso cavallo
da Arabia a que se refrêa o bridão,
diante da tua plumagem d’oiro, da
tua rija envergadura d’aza valente, -- ό
aguia doirada Aguia humana e Germanica,
que tudo de mim para sempre levas,
Esperanças e Sonhos, impetuosa mente arrebatado no alto, ao impulso
fremente das tuas garras alpinas.
E eu fico em ancias no vacuo, n’um
vago anhelar indefinido, como a aspiração
do perfume que quer ser luz...
Mas, um pedaço de horisonte ao longe
marcando as infinitas distancias e uma
lingua de terra aprumada em monte,
tornam-me tangivel o sentimento da realidade;
e, então, claramente vejo e sinto,
desilludido das Cousas, dos Homens e do
Mundo, que o que eu suppunha embriagamento,
arrebatamento de amôr nas
tuas azas, ó loira Aguia Germanica! --
nada mais foi que o somnambulismo
d’um sonho á beira de rios marginados de
resinosos aloendros em flôr, na dolencia
da Lua nebulosa e fria, á alta paz do
Azul, sob as pestanejantes estrellas rutilantemente
accêsas...