Missal: Estesia slava Missal · Capítulo 42 de 44
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Missal: Estesia slava

Estesia slava

Como os embriagados de kava da Polynesia

vou tartamudeando e soluçando

sob as paixões, ó aguia, Aguia Germanica,

imperiosa e doirada!

Uma estranha harmonia de «Dansa

macabra» de Saint-Saens me entorpéce

e invade em lagrimas negras de notas.

Todo o meu pensar e sentir estacou

de subito agora, como um nervoso cavallo

da Arabia a que se refrêa o bridão,

diante da tua plumagem d’oiro, da

tua rija envergadura d’aza valente, -- ό

aguia doirada Aguia humana e Germanica,

que tudo de mim para sempre levas,

Esperanças e Sonhos, impetuosa mente arrebatado no alto, ao impulso

fremente das tuas garras alpinas.

E eu fico em ancias no vacuo, n’um

vago anhelar indefinido, como a aspiração

do perfume que quer ser luz...

Mas, um pedaço de horisonte ao longe

marcando as infinitas distancias e uma

lingua de terra aprumada em monte,

tornam-me tangivel o sentimento da realidade;

e, então, claramente vejo e sinto,

desilludido das Cousas, dos Homens e do

Mundo, que o que eu suppunha embriagamento,

arrebatamento de amôr nas

tuas azas, ó loira Aguia Germanica! --

nada mais foi que o somnambulismo

d’um sonho á beira de rios marginados de

resinosos aloendros em flôr, na dolencia

da Lua nebulosa e fria, á alta paz do

Azul, sob as pestanejantes estrellas rutilantemente

accêsas...

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