Cópia de outra, ou complemento da anterior, da mesma data Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões · Capítulo 6 de 38
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Cópia de outra, ou complemento da anterior, da mesma data

VI CÓPIA DE OUTRA, OU COMPLEMENTO DA ANTERIOR, DA MESMA DATA Grande escola de meninos em Piratininga. — Vinda de um principal Carijó. Graça e amor de Nosso Senhor Jesus Cristo seja sempre em nosso contínuo favor e ajuda. Amen. Caríssimos Padres e Irmãos, grande creio que será o desejo que lá terão de saber de nós outros, porque, se lho medimos por o que nós outros cá temos de saber deles, não poderá deixar de ser mui grande; mas é necessário que tenhamos paciência, pois de ano em ano apenas parte um navio; será isto ocasião de mais intimamente nos amarmos e unirmos espiritualmente, pois nem ainda por cartas podemos corporalmente, em o qual não lhes damos vantagem, porque não se pode apartar de nossos corações a contínua memória que dos caríssimos Irmãos temos de sua vida para colher algum fruto do muito que por falta de obreiros se perde em estas grandíssimas terras da gentilidade, que estão mui secas por falta da água saudável da palavra de Deus. Estamos, como lhes hei escrito, em esta aldeia de Piratininga, onde temos uma grande escola de meninos, filhos de índios, ensinados já a ler e escrever, e aborrecem muito os costumes de seus pais, e alguns sabem ajudar a cantar a missa: estes são nossa alegria e consolação, porque seus pais não são mui domáveis, posto que sejam mui diferentes dos das outras aldeias, porque já não matam nem comem contrários, nem bebem como dantes. Dia de S. Lourenço se

deram algumas roupas a alguns deles do pano que El-Rei dá de esmola, coisa com que folgam muito; e assim as mais das noites se ajuntam a cantar coisas de Deus em sua língua. Alguns de outras aldeias se vêm aqui a pousar em esta com suas casas. Da maneira dos Carijós de que outras vezes escrevi, e de outras nações, para as quais há por aqui aberta entrada, temos mui boas novas e muita esperança que há o Senhor de fazer em elas muito fruto, e ainda agora temos mais novas, porque há vindo aqui um principal destes índios que chamam Carijós, que é senhor daquela terra, com muitos criados seus, e não veio a mais que a buscar-nos para que vamos a suas terras a ensinar-lhes; dizem-nos sempre que eles estão lá como bestas, sem saberem as coisas de Deus, e afirmo-lhes, caríssimos Irmãos, que é bom Cristão e mui discreto, que nenhuma coisa tem de índio. Nosso Senhor por sua infinita misericórdia plante em toda a terra sua santa fé, livrando-a do grande cativeiro em que está do demônio, o que todos, caríssimos Irmãos, devem pedir com muita instância a Nosso Senhor cada dia em suas orações, recordando-se nelas de nós outros. A 15 de Março de 1555.

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