Conclusão Uma Praga Rogada nas Escadas da Forca · Capítulo 17 de 18
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Conclusão

Passaram quinze dias.

Eulália de Lucena recuperara o juízo, e entrara no mosteiro. Um ano depois, professara. A sua vida foram três anos de adoração extática. Ouviram-na murmurar palavras celestes, como em diálogo. Dizia-se que um anjo devia aparecer-lhe naqueles arrobamentos. Chamavam-lhe santa, e adoraram-na morta.

Passados quatro anos, Francisco de Lucena, sempre afastado de sua filha pela mão do remorso, morreu de repente no mesmo local em que fora hasteada a forca.

Simão Botelho, filho de Paulo Botelho, dera um tiro em seu pai. O pai quis sentenciá-lo: deu-lhe sentença de forca, que depois lhe foi comutada em degredo perpétuo. Apenas desembarcou em Cabo Verde, abriu-se-lhe uma sepultura.

Paulo Botelho, desembargador aposentado, dez anos depois, morria à vigésima quinta punhalada que recebera, por não dar exatas informações de um pecúlio de cinquenta mil cruzados que guardava em uma quinta nas vizinhanças de Vila Real.

A mulher de Paulo Botelho morria douda no hospital de S. José um ano depois.

Restavam três filhas de Paulo Botelho.

Foram devassas até ao escândalo de serem arrastadas a um recolhimento por expresso mandado régio.

Uma apareceu morta num aqueduto por onde procurara evadir-se.

Outra casou com um homem que a retalhou de martírios.

A terceira enforcou-se no batente de uma porta.

A Justiça de Deus Cumpriu-se na Presença dos Homens.

A praga do justiçado nas escadas da forca teve o seu complemento do gênero de morte que a última pessoa daquela família se dera.

Forca por forca............................................................................

Tendes a curiosidade das averiguações? Procurai em alguns cartórios de Viseu a sentença pronunciada entre 1776 e 1780.

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