A Ultima Nau Mensagem · Capítulo 30 de 44
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A Ultima Nau

Levando a bordo El-Rei D. Sebastião,

E erguendo, como um nome, alto o pendão

Do Imperio,

Foi-se a ultima nau, ao sol aziago

Erma, e entre choros de ancia e de presago

Mysterio.

Não voltou mais. A que ilha indescoberta

Aportou? Voltará da sorte incerta

Que teve?

Deus guarda o corpo e a fórma do futuro,

Mas Sua luz projecta-o, sonho escuro

E breve.

Ah, quanto mais ao povo a alma falta,

Mais a minha alma atlantica se exalta

E entorna,

E em mim, num mar que não tem tempo ou spaço,

Vejo entre a cerração teu vulto baço

Que torna.

Não sei a hora, mas sei que ha a hora.

Demore-a Deus, chame-lhe a alma embora

Mysterio.

Surges ao sol em mim, e a nevoa finda:

A mesma, e trazes o pendão ainda

Do Imperio.

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