Noite Mensagem · Capítulo 40 de 44
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Noite

III — OS TEMPOS

A nau de um d'elles tinha se perdido

No mar indefinido.

O segundo pediu licença ao Rei

De, na fé e na lei

Da descoberta ir em procura

Do irmão no mar sem fim e a nevoa escura.

Tempo foi. Nem primeiro nem segundo

Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à patria por quem dera

O enigma que fizera.

Então o terceiro a El-Rei rogou

Licença de os buscar, e El-Rei negou.

Como a um captivo, o ouvem a passar

Os servos do solar.

E, quando o vêem, vêem a figura

Da febre e da amargura,

Com fixos olhos rasos de ancia

Fitando a prohibida azul distancia.

Senhor, os dois irmãos do nosso Nome—

O Poder e o Renome —

Ambos se foram pelo mar da edade

À tua eternidade;

E com elles de nós se foi

O que faz a alma poder ser de heroe,

Queremos ir buscal-os, d'esta vil

Nossa prisão servil:

É a busca de quem somos, na distancia

De nós; e, em febre de ancia,

A Deus as mãos alçamos.

Mas Deus não dá licença que partamos.

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