Capitulo 5
A noite anterior estava confusa demais com tudo o que havia acontecido, então precisava esquecer aquela experiência e desci passar na cabine do Capitão. Conversamos, bebemos, relaxei o corpo e por fim ele acabou me beijando, então mergulhei nos sentimentos que aquele encontro me proporcionou. Acordei no outro dia com ele se vestindo. Mandou me vestir e que não podia me atrasar para os meus afazeres.
— Joana, vamos nos ver pela noite novamente? — Kanne vindo até mim e me segurando pelo rosto delicadamente.
Respirei fundo. A noite havia sido perfeita. Precisava mesmo desfocar daquele serviço todo. Parar de pensar tanto no marciano.
— Sim e que tal jantarmos e depois esticar a noite? — o segurei pela cintura.
— Esperta, pode deixar. Quer algo especial para comer?
— Hum. Sanduíches? — sacudi a cabeça com a besteira que havia falado. Por que havia dito aquilo? Aquela era a comida preferida do marciano e não minha. — Desculpa, estou com fome. Poderia ser… não sei mesmo, que tal me surpreender?
— Maravilha, acho que tenho algumas ideias do que vou preparar — Kanne me beijou novamente e se afastou. — Até mais tarde.
Sorri e sai de sua cabine primeiro. Ficaria um pouco estranho eu sair por último. Ficaria um pouco estranho eu sair por último. Restando do dia foi tranquilo até chegar a parte da tarde e ser chamada na sala do Kanne.
— O que foi tudo aquilo ontem, tenente Joana? — berrou Kanne em sua sala batendo as mãos em sua mesa enquanto eu estava sentada na cadeira a sua frente. Nem parecia aquele mesmo homem que acordei de manhã enrolada em seus braços. Entretanto, o que eu esperava? Era uma subalterna dele. Contudo em sua cabine agia diferente, sendo o homem que chamou a minha atenção.
— Eu apenas intercedi.
— Derrubar seis guardas foi interceder? Você é da área militar especial, achei que a conversa que tivemos sobre não mostrar quem era ficou bem fixa em sua mente? Apenas te aceitei na missão porque era boa no laboratório e…
— A última opção quando desse algum problema?
— Sim, sim, mas ninguém deveria ficar sabendo. Por que tudo aquilo pelo alien?
— Porque precisava mostrar que ele podia confiar em mim, senhor. Ele estava irresoluto em contar sobre seu passado e encontrei uma brecha e não pude deixar de tentar.
— Revelando sua identidade e derrubando seis agentes fortemente armados e treinados? — Kanne semicerrando os olhos.
— Mas alguém ficou sabendo do que aconteceu além dos que estavam no corredor? — me debrucei sobre os meus joelhos.
— Não, apenas vocês e o que as fitas gravaram.
— E eles sabem guardar segredo?
— É impressão minha ou os atacou já tendo esse plano na cabeça? — Kanne arqueou apenas uma sobrancelha.
— Na verdade, estou vendo as possibilidades agora com a cabeça fresca.
O capitão levantou de sua cadeira e caminhou até a janela. Cruzou as mãos atrás das costas.
— Então se seu plano deu certo, o alien que no momento está pior do que antes vai agora escutar mais você do que antes?
— Espero que sim. Estava pensando e se tirássemos-o de lá?
— Seria muito arriscado Joana e onde colocaríamos um alien grande como aquele? Tivemos que desocupar três alojamentos e os remanejar para outra ponta da estação para o deixar num local grande o suficiente e controlado — virou metade do corpo para mim.
— Ora na rua, no habitat natural dele. Ele daria uma olhada como está seu planeta, quem sabe vai ajudá-lo a contar sobre seu passado.
— E se ele se descontrolar como fez no outro dia? — Kanne voltou a observar a janela.
— Ele está sozinho, vai para onde, caso fuja?
— E se atacar você?
— Você viu os vídeos?
— Não temos áudio dentro da cela.
Respirei aliviada. Assim ninguém escutou a conversa estranha que tive com o idiota. Nem eu ainda sabia como lidar com ela. Foram muitas coisas ao mesmo tempo.
— Bom, mas viu que o derrubei com apenas dois tiros, porque ele confiou em mim que tudo ficaria bem depois.
— Então terá que usar sua roupa especial.
— A que trouxe para casos especiais, senhor? Mas ela ainda não foi testada ainda e o que os outros vão dizer sobre ela?
— Dou meu jeito Joana, agora consiga as informações necessárias.
— Sim senhor.
— E Joana ainda está marcado o nosso encontro, não é?
— Claro, senhor — bati continência e pisquei com um olho para ele.
— Joana! Estamos trabalhando. Sabe que…
— Sei disso, é que achei que depois da noite de ontem, nós…
— Não, nada de demonstração, sabe como são as regras. Níveis hierárquicos diferentes não podem ter relação.
Bufo e baixo os olhos. Viro em direção a porta e saio de lá. Caminho pelo corredor sem entender a resposta de Kanne, se não podíamos nos relacionar por que ficou comigo ontem? Escuto um apito no meu relógio e o olho vendo uma mensagem sua.
“Por aqui estamos seguros. Eu prometo lhe compensar pela noite, minha querida”
Sorrio com a mensagem finalmente estava num relacionamento? Ou era tudo da minha cabeça. Continuo a caminhar perdida em meus pensamentos quando sinto um cheiro de fumaça no corredor. Corro desesperada procurando de onde vinha. Quando encontro a fonte do cheiro, estava no corredor que passava pela cela do marciano. Quando cheguei mais perto descubro o causador de tudo aquilo. O idiota estava deitado e atirando bolas de jogo na direção da porta apenas por divertimento e quando alguém passou pelo corredor correu até o vidro e se chocou contra ele soltando risada depois quando avistou a pessoa assustada.
Fui até o vidro e dei três batidas. No momento ele estava deitado de olhos fechados atirando bolas de fogo. Ele parou no meio do caminho, me olhou e voou até mim sorrindo. Nossos olhos se fixaram um no outro, enquanto eu caminhava até a porta ele flutuava do seu lado me seguindo sem nenhum momento desgrudar nossos olhares. Aquilo era estranho e conflitava com o que sentia por Kanne, não fazia nenhum sentido, ele era um marciano. Devia ser alguma coisa química que o Idiota soltava que me deixava daquela maneira. Era isso, tinha que ser isso.
Coloquei a mão na porta e escutei as armas engatilhar. Olhei para trás.
— Vocês tem certeza?
— Estão sem nada — um deles sussurrou. — É para os outros ocupantes da estação.
— Vai entender — abri a porta, depois a fechei e quando olhei para trás me deparei com o par de olhos âmbar cravados em mim. Ficamos algum tempo nos observando em silêncio.
Seu corpo serpenteando atrás de si e sorri de lado, era certo que ele ficaria contente com o que contaria para ele. Contudo, não sabia se havia feito tudo aquilo por conta da responsabilidade e do dever, ou por aquela química estranha que ele devia estar com certeza liberando e me causando sentimentos malucos. Poxa, ele era um marciano e eu uma humana, éramos totalmente incompatíveis.
— Pelo jeito quer explicações do que aconteceu anteontem? — sentou.
— Sim, mas antes tenho algo para você.
— O que? Onde está? — perguntou fazendo a volta pelo meu corpo inteiro com seu pescoço à procura do que havia trazido.
— Não é algo de pegar, mas algo que vai ajudar aqui — apontei para sua cabeça e fiquei na dúvida onde ficava seu coração e apontei para o meio entre suas patas dianteiras. Ele me seguiu com o olhar e arqueou apenas uma sobrancelha. — se aqui for seu coração, mas no sentido metafórico. Acho que se lembra do dia em que conversamos sobre isso.
— Como sabe que meu coração fica… — arregalou mais os olhos, sorriu sem mostrar os dentes e torceu de leve a cabeça para o lado. — Então me conte.
— Seu nome. Fiquei pensando sobre o motivo de o ter ganhado, aquela coisa de morder a própria calda. Então me lembrei de um símbolo que temos na Terra que segue esse padrão, mas chamamos de Ouroboros, de todas as definições que tem, a melhor é a renovação, porque é…
— O fim de uma etapa dá origem a outra.
— Então conhece?
— Sim, já te disse que antes observava muito seu planeta.
— Esse era um binóculo que… Espera se consegue observar as estrelas perfeitamente, deve conseguir observar a Terra, foi assim que conseguiu observar o meu planeta?
— Pode se dizer que sim e que não. Então agora me chamo Ouroboros?
— Se quiser, claro?
— Com certeza.
— Agora, poderia me contar o que aconteceu naquele dia?
— Nada demais — soltou uma risada anasalada.
— Não comece, Ouroboros.
— Olha, ficou bem mais legal que o outro nome. Então, meio que o cacau tem uma reação divertida em meu corpo, fico que digamos fora de controle, nos pequenos eles ficam mega alegres, mas nos grandes ficamos aquilo que viu.
— Você parecia que estava tendo um choque e havia provado apenas uma pequena colher.
— Pra ver como a reação é complicada. O que foi aquilo que fez? Não sabia que lutava daquela forma.
— Eu também tenho um passado, meu caro. Nem sempre eu fui essa amada, recatada e alferes biotecnologista.
— Opa, quero ouvir essa história.
— Lamento, esse passado não posso contar — pisquei um olho.
— Agora não entendi essa piscada.
— Consegui com a minha performance algo para você, mas meio que terá que prometer não fugir.
— Aonde vamos?
Até o próximo capítulo, não esqueça de curtir, comentar e compartilhar pra ajudar a autora: D