Capítulo 4: Armadilhas do destino?
Capítulo 4: Armadilhas do destino?
Melissa não deixou de notar o charme de Mark, ela nunca foi de prestar atenção a um funcionário como estava fazendo naquele momento. Aquilo não podia evoluir para algo mais, ele possivelmente seria seu funcionário se tudo desse certo, ela não podia deixar sua carência lhe pregar uma peça, tinha que ser racional. Então suspirou e afastou todo pensamento impróprio que queria surgir em sua mente e focou a atenção no trabalho.
— Ótimo! No relatório quero todos os dados de vendas, regiões que venderam mais e regiões que tiveram quedas nas vendas e principais motivos que levaram a isso. Lançamento de novos produtos, que região é melhor para lançar um produto. E por aí em diante... Eu também apreciaria sua opinião sobre as vendas, se você viu algo que precisa ser revisto no departamento comercial, se tem algum ponto fraco que precisa ser trabalhado. Acredito que o restante do relatório você saiba como fazer, não precisa de dica de coisas básicas.
— Certo, pode deixar comigo, eu não vou decepcioná-la!
— Só foque em conseguir a vaga, pois simpatizei contigo – falou a loira, antes de conferir algumas anotações em seu caderninho e caminhar até a cadeira que ficava próxima a cabeceira da mesa para sentar.
Assim que Melissa se acomodou em seu lugar, alguns funcionários do departamento comercial entraram empolgados na sala, mas ao notarem a presença dela ficaram rapidamente quietos. Mary chegou logo em seguida e seu semblante demonstrava preocupação.
***
A reunião transcorreu da melhor forma possível, sem muitas complicações ou problemas, tudo estava dentro do esperado, todos pareciam calmos e extremamente compenetrados analisando os dados mostrados durante as apresentações das planilhas. No entanto, quase no final da reunião, na explicação do plano de marketing a respeito do lançamento do novo produto, Melissa viu que faltavam alguns dados importantes naquele planejamento e como ela já havia trabalhado em algumas campanhas, resolveu questionar o que estava acontecendo, pois achou muito estranho aquele desleixo.
— Notei que faltaram alguns dados na campanha de divulgação do produto, onde está o valor que será investido em propaganda? E as peças publicitárias onde estão? Pretendem divulgar em que mídias o novo produto? E qual agência publicitária vai fazer a campanha publicitária? O que houve com esses dados? Esqueceram de colocar na apresentação? – questionou séria ao mesmo tempo que encarava a equipe do setor de marketing.
— Perdão, senhorita Rakers, mas tivemos um imprevisto que não esperávamos e infelizmente não conseguimos terminar tudo até a reunião de hoje – respondeu o diretor de marketing meio sem jeito.
— Posso saber que tipo de imprevisto aconteceu?
— O meu assessor de marketing pediu demissão ontem e entregou parte do planejamento que ele ficou de fazer incompleto, não tivemos tempo que terminar.
— Compreendo... eu espero que você já esteja procurando alguém para substituí-lo, pois quero esse planejamento completo para daqui uma semana, no máximo.
— Temo que possa levar um pouco mais de tempo para isso, pois posso demorar a achar uma pessoa com o perfil certo para trabalhar no lugar do Sr.Tanaka.
De repente, uma ideia veio na mente de Melissa, que sorriu de maneira involuntária antes de responder ao seu subordinado.
— Bem, acredito que eu tenha a solução para o seu problema bem aqui nessa sala. Essa pessoa está concorrendo a vaga de minha assessora, mas acredito que ela vai ajudar mais a empresa trabalhando no setor de marketing, porque tem experiência nessa área, pois já trabalhou em duas empresas nessa função.
— Que ótimo, assim nos poupa tempo.
— Senhorita Thompson, sei que você se candidatou para a vaga como minha assessora, no entanto, eu acredito que seria melhor você trabalhar no departamento de marketing, suas qualificações ajudariam mais lá do que como assessora da presidência – Melissa explicou para a moça próxima a ela.
— Se a senhorita acha que serei mais útil lá, eu aceito desde que a compensação financeira seja igual ao cargo que estou desistindo. Além de ter gostado do ambiente de trabalho aqui, também não quero perder vantagens se trocar de vaga de emprego – contrapôs astuta Mary.
— Posso garantir que ganhará quase o dobro, senhorita Thompson – falou o diretor de marketing antes que sua chefa respondesse.
— Então, eu aceito, se quiser já podemos começar a trabalhar no projeto logo depois da reunião – sugeriu a mulher empolgada.
Mark acompanhou o desenrolar da situação muito surpreso, ele mal podia acreditar que o destino estava novamente jogando ao seu favor, ele estava com muita sorte.
— Ótimo! Só não se esqueça de avisar a gerente do RH sobre a contratação da senhorita Thompson para a assessoria de marketing, Sr. Beckers – Lembrou Melissa ao mesmo tempo que anotava algo em sua agenda.
— Sim, pode deixar – Anuiu o diretor com meio sorriso.
— Acredito que podemos encerrar a reunião e daqui uma semana nos reuniremos novamente para assistir o material completo da divulgação do novo produto. Podem voltar para as suas salas.
***
Após a sala se esvaziar, Melissa suspirou e encarou Mark, que a analisava com certa curiosidade, como se quisesse saber o que seria dele, já que não tinha mais ninguém para disputar a vaga com ele.
— Parabéns, Sr. Willians, a vaga de assessor da presidência é sua! Sei que esse resultado pode ter sido inesperado, mas os acontecimentos que se desenrolaram culminaram a isso.
— Obrigado, senhorita! Farei de tudo para me sair bem no cargo, e compreendo o que ocorreu aqui.
— Ótimo! Já que vamos trabalhar juntos, você pode me chamar de Melissa, não precisa de formalidades, apenas na frente dos outros funcionários, nas reuniões.
— Como queira, Melissa, eu lhe digo o mesmo, pode me chamar de Mark, se assim quiser.
— Combinado, Mark. Vi no seu currículo que você mora em outra cidade e veio aqui apenas para disputar a vaga.
— Sim, exatamente.
— Vou lhe dar esse final de tarde e mais amanhã para encontrar um local para morar. Acredito que sua namorada ou esposa irá gostar de ajuda na busca de um imóvel – Falou a loira tentando ver se seu assessor era comprometido, pois não tinha visto nenhuma aliança em seu dedo. Aquela atitude dela pareceu até errada, mas ela precisava saber, apenas por curiosidade, nada mais do que isso, jurou para si mesma.
— Muito obrigada, Melissa! Infelizmente não tenho mais ninguém, sou somente eu, pois terminei com minha noiva faz pouco tempo... – mentiu o moreno de maneira descarada, encenando uma tristeza que nunca existiu, fazendo com que sua chefa ficasse compadecida com sua falsa situação.
— Sinto muito, não devia ter falado sobre isso...
— Tudo bem, você não podia adivinhar.
— Então, já que conversamos, pode ir, te vejo amanhã a tarde – despediu-se Melissa ao mesmo tempo que se levantava da cadeira e caminhava até a saída.
— Até amanhã e muito obrigado por me dar esse voto de confiança.
— Não foi nada, apenas não me decepcione – murmurou a loira enquanto saia da sala.