Capítulo 7: Jantar com o inimigo O Golpista Profissional · Capítulo 7 de 10
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Capítulo 7: Jantar com o inimigo

A noite chegou rápida em Chicago. A cidade cintilava sob a brisa do lago Michigan, e o movimento no Pier 47 estava especialmente intenso naquela quarta-feira. Luzes amareladas refletiam na água, e o aroma de frutos do mar invadia o ar.

O restaurante era conhecido por seu ambiente refinado, onde empresários e celebridades jantavam longe dos holofotes.

Mark entrou no local exatamente às 20h, vestindo um blazer escuro e os olhos atentos. Escaneava cada canto à procura de Bud Melvin, o ex-marido de Melissa e agora seu inesperado inimigo.

Sentado ao fundo, numa mesa perto da janela, Bud acenou com um leve movimento de cabeça. Estava sozinho, com um copo de uísque à frente e um sorriso cínico nos lábios.

Mark caminhou até ele, sentando-se com calma, mas os olhos já carregados de raiva contida.

— Então é você... — disse Mark, direto.

— Sou eu mesmo. O homem que conhece os dois lados da moeda: o da mulher que você quer destruir... e o seu. Porque, meu caro, você pode enganar muita gente, mas a mim não — falou Bud, sem abaixar o tom.

— O que você quer?

— Simples: quero que se afaste da Melissa. Sem escândalos. Sem mais mentiras. Você vai sair da vida dela como entrou — silenciosamente.

— E se eu não quiser? — Mark perguntou, desafiador.

Bud jogou novas fotos sobre a mesa. Eram cópias das imagens que Mark já tinha visto, mas agora acompanhadas de documentos falsos: identidade, passagens compradas com outros nomes, um rascunho de contrato do golpe contra a médica Kim Wolfeny. Mark empalideceu.

— Tenho tudo. E se algo acontecer com a Melissa, ou se você não cair fora... essas provas vão parar nas mãos da polícia. E nos jornais. E, quem sabe, até na própria Melissa.

— Você quer proteger ela... ou se vingar por ter perdido?

Bud riu com escárnio.

— Os dois. Você não faz ideia do quanto ela ainda me afeta. Mas ao contrário de você, eu a amei de verdade. Eu só fui um idiota. Você é um predador.

Mark se recostou na cadeira, pensativo. Estava prestes a responder, mas foi interrompido por algo que o fez gelar por dentro.

A voz de uma mulher familiar.

— Mesa para duas, no nome de Jenny Rowlins.

EraMelissa, entrando pela porta com sua amiga ruiva.

Mark virou o rosto instintivamente, tentando se esconder atrás do cardápio que estava sobre a mesa.

Bud percebeu na hora.

— Ora, ora... o destino gosta mesmo de brincar, não é?

Melissa e Jenny foram conduzidas para uma mesa a poucos metros dali, de costas para Mark, mas a qualquer momento poderiam olhar para o lado e reconhecê-lo.

Mark se curvou sobre a mesa, quase sussurrando:

— Isso aqui acabou. Me manda uma mensagem com o que você quer exatamente... e me deixe sair daqui.

— Agora está com medo?

— Não de você... dela.

Bud segurou o riso, pegando de volta seus papéis.

— Pode ir, Romeu. Mas lembre-se: o cerco está fechando.

Mark levantou-se disfarçadamente, caminhando abaixado entre as mesas, fingindo falar ao celular. Passou por trás de uma pilastra, escondeu-se brevemente ao lado do bar e saiu por uma porta lateral de emergência que dava acesso ao deck externo do pier.

O vento gelado cortou seu rosto enquanto ele caminhava rápido até a calçada, pegando um táxi. O coração batia acelerado.

Ele estava jogando alto demais. E agora...Bud era uma ameaça real.

Na mesa, Melissa conversava distraída com Jenny quando achou ter visto um homem familiar passar perto da porta lateral.

— Jenny... aquele cara... por um instante achei que fosse o Mark.

— O novo assessor? Aqui? Tem certeza?

— Não... acho que foi impressão minha. Ele não teria motivo para estar aqui.— Mas sua voz traiu sua dúvida.

Melissa pegou o cardápio, tentando disfarçar o incômodo. Mas o coração... ainda acelerado.

Do lado de fora, dentro do táxi, Mark encarava o vazio da cidade através do vidro embaçado.

Ele precisava agir.

Ou Bud o destruiria.

Ou pior...o afastaria de Melissa antes que ele terminasse o que começou.

Mas algo dentro dele, pela primeira vez, questionava:E se o que ele começou... já não fosse só um golpe?

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