Capítulo 5: Sinais!
Na manhã seguinte, Mark acordou cedo, vestiu-se com esmero e saiu para visitar alguns apartamentos indicados pela corretora da empresa, com quem Amber o colocara em contato. Depois de visitar dois imóveis medianos, finalmente encontrou um flat moderno, com boa localização, varanda ampla e vista para o lago Michigan. O valor era alto, mas isso não era problema para ele — bastava Melissa confiar nele o suficiente para, mais cedo ou mais tarde, abrir as portas de sua vida financeira.
Enquanto fechava o contrato de aluguel, Dana ligou.
— Finalmente você atendeu! Por acaso já se esqueceu de mim? — disse ela, com a voz carregada de ciúmes.
— Amor... eu te disse que esses primeiros dias seriam corridos. Mas já consegui a vaga, e Melissa... bem, Melissa caiu direitinho. Só preciso de tempo.
— Tempo... tempo... É sempre isso. Só não se esqueça do que prometeu.
— Eu não esqueço. Confie em mim. Logo teremos o suficiente para sumir desse país, como sempre sonhamos.
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Na empresa, Melissa também começava o dia com energia, mas havia algo nela diferente. Havia dormido pouco, e mesmo sem saber explicar, não conseguia tirar da cabeça o olhar de Mark. Algo no jeito dele despertava sua atenção — e isso a deixava incomodada. Não porque o achasse inadequado, mas porque sabia o quanto era vulnerável depois do fim traumático com Bud.
— Melissa? — chamou Amber, entrando após bater na porta.
— Sim? Pode entrar.
— Só para avisar que o novo assessor chegou e está na sala externa, organizando seus materiais. Parece bem pontual, como você gosta.
— Ótimo. Peça para ele entrar daqui a cinco minutos, por favor. Quero alinhar algumas coisas com ele antes da reunião com o conselho de investimentos.
— Claro — respondeu Amber, com uma expressão neutra, mas Melissa percebeu o leve incômodo.
Assim que Mark entrou na sala, percebeu o clima mais sério de Melissa. Ela usava óculos de leitura, um blazer azul-marinho e prendia o cabelo em um coque elegante. Diferente da figura descontraída do dia anterior, agora ela transparecia profissionalismo absoluto.
— Bom dia, Mark. Espero que tenha resolvido sua situação com a moradia.
— Bom dia, Melissa. Sim, encontrei um bom apartamento. Já estou instalado.
— Ótimo. Tenho uma reunião importante agora pela manhã e quero que você apenas observe, anote os principais pontos e depois me entregue um resumo. Nada muito detalhado, mas quero ver como você organiza as ideias. Acha que consegue?
— Com certeza.
Durante a reunião, que durou mais de uma hora, Melissa se manteve focada, participativa e firme em suas decisões. Mark observava tudo, fascinado com a forma como ela conduzia a empresa, firme, porém diplomática. Ele anotava tudo com atenção, mas também estudava os membros do conselho. Sabia que poderia usar essas informações a seu favor mais tarde.
No fim da reunião, Melissa dispensou todos e pediu para Mark permanecer.
— E então, o que achou?
— Você é admirável, Melissa. Me desculpe se pareço ousado, mas nunca trabalhei com alguém com tanta firmeza e clareza de pensamento.
Melissa arqueou a sobrancelha, sem saber se aquilo era bajulação ou sinceridade.
— Espero que isso não seja parte do seu charme costumeiro — disse com um leve sorriso irônico.
— Eu estou sendo sincero. Mas vou tomar cuidado para não parecer inconveniente.
— Faça isso. — Melissa se levantou e entregou a ele uma pasta. — Aqui estão os relatórios do setor financeiro. Leia tudo isso até o final da semana. É importante que você entenda o funcionamento geral da empresa, não apenas do setor comercial.
— Entendido. Pode deixar.
Quando Mark saiu, Amber o observava à distância, disfarçando o desconforto. Ela não confiava nele e não sabia exatamente porquê, mas algo na forma dele agir parecia ensaiado demais. Amber tinha instinto para lidar com pessoas e algo lhe dizia que aquele homem escondia alguma coisa.
*****
À noite, em seu novo apartamento, Mark digitava no notebook enquanto saboreava um vinho caro que tinha trazido de Riverday. Tudo estava indo como o esperado. O próximo passo seria se aproximar de Melissa emocionalmente.
Mas naquele instante, o inesperado aconteceu.
Seu celular tocou. Era um número desconhecido.
— Alô?
— Mark Willians — disse uma voz masculina. — Ou seria... James M. Rowel?
Mark congelou.
— Quem está falando?
— Alguém que conhece seu passado e que quer fazer um acordo. Sei exatamente o que você está fazendo com Melissa Rakers. E sei sobre a Dana também.
Silêncio.
— Está assustado? Calma, amigo. Ainda não contei nada pra ninguém. Mas se você não quiser que isso mude, vai ter que fazer algo por mim.
— O que você quer?
— Você vai descobrir em breve. Apenas fique atento ao envelope que vai chegar até sexta-feira. E lembre-se: nem todo mundo que parece um alvo... é indefeso.
A ligação caiu. Mark encarou o telefone, atônito. Alguém o estava observando. E pela primeira vez em anos, o caçador se sentiu como uma presa.