Pacifista em serviço Losango Cáqui · Capítulo 4 de 7
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Pacifista em serviço

POEMAS XVII A XXIII

XVII

Mario de Andrade, intransigente pacifista, inter- Inacionalista amador, comunica aos camaradas que bem contra-vontade, apesar da simpatia dêle por todos os ihomens da Terra, dos seus ideais de confraternização universal, é atualmente soldado da República, defensor interino do Brasil. ifii E marcho tempestuoso noturno. Minha alma cidade das greves sangrentas, Inferno fogo INFERNO em meu peito, Insolencias blasfêmias bocagens na lingua. Meus olhos navalhando a vida detestada. A vista renasce na manhã bonita. Pauliceia lá em baixo epiderme aspera Ambarizada pelo Sol vigoroso, Com o sangue do trabalho correndo nas veias das ruas. Fumaça bandeirinha. Torres. Cheiros. Barulhos E fábricas... Naquela casa mora, Mora, ponhamos: Ouaraciaba... A dos cabelos fogaréu Os bondes meus amigos intimos Que diariamente me acompanham pro trabalho... Minha casa... Tudo caiado de novo! É tão grande a manhã E' tão bom respirar! É tão gostoso gostar da vida A propria dor é uma felicidade! XVIII

Cabo Alceu é um manguarí guassú Com espinhas de todas as cores na cara, Talqualmente uma coleção de turmalinas; 1'^Acredita nas energias sem delicadeza I;E nas graças vagameníe eruditas. — “Na minha esquadra ninguém se mexe. La donna é immobile!”

XIX

Marchamos certos em reta prá frente. Asa especula freme vagueia na luz do Sol. Faça do seu espirito Da marcha de soldado, Das suas sensações um vôo de andorinha. XX

Cadência ondulada suave regular. Névoa grossa pesada que nem som de trompa longe. O Sol colhe algodão nas praias do Tiêtê. ... um-dois, um-dois... NA REDE. A cadência me embalança. Que gostosura! Ela devia estar aqui Com os seus cabelos... A MENINA E A CANTIGA

... trarilarára...traríla... A meninota esganiçada magriça com a sáia voe- jando por cima dos joelhos em no vinha meia dansando cantando no crepúsculo escuro. Batia compasso com a varinha na poeira da calçada. ... trarilarára... traríla... , De repente voltou-se prá negra velha que vinha: trôpega atrás, enorme trouxa de roupas na cabeça: 0 — Qué mi dá, vó? — Naão. .. trarilarára... traríla... A manhã roda macia a meu lado Entre arranha-céus de luz Construídos pelo milhor engenheiro da Terra. Como êle deixou longe as renascenças do snr. dr. Ramos de Azevedo! De que valem a Escola Normal o Théatre Municipal de rOpéra E o sinuoso edificio dos Correios-e-Telegrafos Com aquele relogio-diadema made inexpressively Na Pauliceia desvairada das minhas sensações O Sol é o snr. engenheiro oficial. I

De nada vale inteligência. Tempo perdido odiar os que devia odiar. Saudei-o muito sorrindo. Amor cantou por minha continência... Ele no entanto foi mesquinho. Na Semana de Arte Moderna teve um número de programa que quasi ninguém viu: “A REVELAÇÃO DOS TAMANDUA’S”. Saudei-o muito sorrindo... E nem é influência do clima. Está quente. Vai chover. Nuvens danadas. E cansaço faz calor dentro de mim. Saudei-o muito sorrindo... Meu Deus, perdoai-me! Creio bem que amo os homens por amor dos homens Não escreveria mais “Ode ao Burguês” Nem muitos outros versos de “Pauliceia Desvairada”. Tenho todo um Mapa-mundi de estados-de-alma. “Pauliceia”, passagem do Equador... Fazia frio no Parnasianismo... Ara! praquê voltar nas paisagens de dantes! Dez quilômetros.. Quatro quilômetros... Treze quilômetros... O trem continua rápido, Para em cada estação. Me penteio no espelho. - Você mudou bastante. - Estou mais forte. NO ENTANTO ERA UM DESCONHECIDO, Desço. Mas o sargento apita. Aviso. Torna a apitar. Subo de novo. Trem em marcha...

Onde irá dar a mobilização da vida!

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