Moças, Platão e Tordilha Losango Cáqui · Capítulo 6 de 7
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Moças, Platão e Tordilha

POEMAS XXXII A XXXVIII

XXXII

AS MOÇAS

Cinco ou seis... E me senti mais só no meio delas.

Rostos de luas coloridas, Conversas fiadas de mulheres... Mas a cidade continua... PALMA DE MÃO... E li nas linhas ruas O destino daquela mocidade. — É fatal: deixai-me a rir E sorrindo parti! Ela se fechará pra vos prender. Antes se rir. Vamos! mais rouge riso pros lábios, Os sapatinhos de verniz, Sedas e coração E é aguentar o cinema quotidiano! Cow-boys predestinados Raptos eletricos... E tudo acaba mal. Sofrei! ... A propria dor é uma felicidade. E ei-las partindo. Longe de mim. Voo de moças! Vôo de moscas assustadas... E vão se debater ansiosas na vidraça... E A MÃO QUE AS VAI PEGAR! E fiquei a me rir... £ Rindo das moças, das moscas, da vida... das lagrimas nos olhos pequeninos. Meu gôso profundo ante a manhã Sol a vida carnaval... Amigos Amores Risadas Os piás imigrantes me rodeiam pedindo retratinhos de artistas de cinema> desses que vêm nos maços de cigarros. Me sinto a Assunção de Murillo! Já estou livre da dor... E Mas todo vibro da alegria de viver.

Eis porquê minha alma inda é impura. XXXIII bis

PLATÃO -T

I Platão! por te seguir como eu quisera Da alegria e da dor me libertando Ser puro, igual aos deuses que a Quimera Mas como não gosar alegre quando Brilha esta alva manhã de primavera ““ Mulher sensual que junto a mim passando Meu desejo de gôsos exaspera! A vida é bela 1 Inúteis as teorias Mil vezes a nudeza em que resplendo A’ clamide da sciencia, austera e calma! E caminho entre aromas e harmonias Amaldiçoando os sábios, bemdizendo A divina impureza de minha alma. ç.

(* ) Publicado na

XXXIV LOUVAÇÃO DA EMBOABA TORDILHA Eu irei na Inglaterra E direi pra todas as moças da Inglaterra Que não careço delas Porquê te possuo.

Irei na Italia E direi pra todas as moças da Italia Que não careço delas Porquê te possuo. Irei nos Estados-Unidos E direi pra todas as moças dos Estados-Unidos Que não tenho nada com elas Porquê te possuo. Depois irei na Hespanha E direi pra todas as ninas da Espanha Que não tenho nada cora elas Porquê te possuo. Quando voltar pro Brasil Te mostrarei a irmã dos teus cabelos, Minha constância triunfante. Será bonito enxergar as irmãs abraçadas na rua! E inda terei de ir numa terra que eu sei... Mas não será pra lhe gritar minha felicidade fanfarra... Será numa comovida silenciosa romaria De amor, de reconhecimento. XXXV

“Meu coração estrala”. Que imagem sem verdade. Porém não tive idea de mentir... Foram os nervos, a alma? Que quer dizer estralo! V Nem ao menos sou padre Vieira...

SícV Oh dicionário pequitito!...

Como sempre, escondi minha paixão. Ninguém soube do primeiro beijo que te dei. Ninguém não é a inteira verdade Mas são tão relativos os desconhecidos... S. Paulo é já uma grande capital. Não porquê tenha milhares de habitantes Porém a curiosidade já não passa mais dos olhos prás linguas. E quanto é mais intenso amar sem comentários Mas eu sonho que vais agarradinha no meu braço Numa rua toda cheia de amigos, de soldados, conhe­ cidos... XXXVIII

Manhã veraneja, manhã que dá sustancia, Toda lisa sem nuvens sem cuidados cansaços... Adiante o morro sacode o ombro indiferente. Curiosidade de viver! Cadência bem batida, regular. Porém o sargento embirrou com o alinhamento das ar­ mas. — “Alinhem essas armas, senhores!” O sargento ignora a influência do sangue latino. Impaciência. Mocidade. Verso-livre... Alegria grita em mim. Curiosidade de viver — “Senhores, as armas !I ...e os barões assinalados Que da ocidental praia lusitana... Marco a cadência com versos de Camões.

Ineses fugitivas nas janelas e portas. Amo todas as moças brancaranas ou louras E a manhã despenteando nos telhados seus cabe­ 'i,. los fogaréu. Curiosidade de viver! Sargento Vitoriano, Sapeque o seu jamegão latino Nesta desalinhada Companhia brasileira!

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