Exposição de Melodias Populares: Socializada Ensaio sobre a Música Brasileira · Capítulo 5 de 7
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Exposição de Melodias Populares: Socializada

]^xposição de ]V [elodias P opulares

S o c i a l i s a d a

A

Notas esclarecedoras da grafia musioal: Os sinais de notas entre parenteses e excedendo do com passo indicam prolongamentos pequenos de som feitos pelo cantador. Nas peças sem segunda voz obrigada as notas

duplas

indicam variantes melódicas, Nos compassos em que a seminima é unidade de tempo indico apenas o número dos tempos. O sinal >

indica acentuação mais intensa.

O sinal — indica acentuação menos intensa. O sinal

indica apressando pequeninho.

O sinal

indica pequena mutação do andamento pra mais devagar. Mutação e não ralentando.

CANTO INFANTIL

Mucama bonitai Vinda da Baía, Toma este menino Lavai na bacia!

Bacia de prata Lavada com sabão, Toma este menino Vesti-lhe o roupão!

Roupão de veludo, Touquinha de filó. Camisa de renda Lhe deu a vovo'.

Na versão de Franca, alem de variantes nestas très estrofes, tem mais duas IV. Menina bonita Não dorme na cama. Dorme no regaço Da sua mucama.

A calanto.

Vovo e’ muito brava, Não gosta de manha: Bate com cipd Nabundinha de Lolo'!

Nigue Ninhas

p a r a íb a .

Nigue nigue ninhas Tão bonitinhas Macamba, viola. De pári c ganguinhas! Êh!... Imbê tumbelá Mussango-lá Quina quinê!...

O texto vai grafado como... senti. Não conheço lingua de africano e a volta foi cruel.

36

João Cambuête

A c a la n to

João, dão João! João Cambuête,Meu

fi.lh o,T om alátu .a

PERNAMBUCO.

te.ta.meu^Llho, Êh! dão

João.

João, dão João! João Cambuête, Meu filho. Toma lá tua teta, Meu filhO) Eh!... dão João!

A Pombinha voou

Roda

TAUBATÉ (S. Paulo).

J : 96 .

Ma

ri . a, quando tu

fo . res. Me es . cre . va lá do ca . m i.nho;

Si

não

ti.v ejresp a .

______ J :1 5 2 .

a . sas dum p a ssa . r i. nho! A pom .

bo.ra e me dei. xou! A pom .bi.nha vo . ou sem Maria, quando tu fores. Me escreva lá do caminho; Si não tiveres papel, Nas asas dum passarinho! Refrão

J ^96 .

vou,

Mamãi

Mamãi eu vou, Mamãi eu vou buscar, A canoinha nova Que caiu no mar!

do'! A M a . ri a foi-se em-

A Ma . ri . a foi-se em.bo.rae me dei

xou!

Da boca faz um tinteiro, Da lingua pena dourada, Dos dentes letra miuda, Dos olhos carta fechada!

Refrão A pombinha etc.

Refrão A pombinha etc.

Canoinha nova

R oda

sem

Nas asas dum passarinho Eu não posso escrever; As asas são de penas Com penas não escreverei.

A pombinha voou sem dó! i A Maria foi-se embora e me deixou! ) ***

Mamãieu

do!

. b i .n h a v o .o u

eu voubus.car

A ca . . n o . i.n h a

II. Pus o cravo na janela Pra sinh’Aninha cheirar, Sinh’ Aninha de preguiça Deixou o cravo murchar.

CAPITAL FEDERAL.

no.va Que c a . iu

no

mar!

III. Menina dos olhos grandes Não olhe pra mim chorando, Que os teus olhos são a causa De eu andar assim penando.

sé c a - s i

e u . m i. go, Ai, So - d a .d e !

Vá pe . di a quern me c r i. ô. Ai,

So .

Quem quisé moço bunito, -Sodade!Arme um laço na parede; - Sodade!Inda onte apanhei um -A i, sodade!Num laço de fita verde! -A i, sodade! -

Caiu um cravo do céu, - Sodade!Dc tão alto desfolhou; -Sodade!Quem quisé casá cumigo, -Ai, sodade! Vá pedí a quem me criô. -Ai, sodade!-

Padre Francisco

Roda

d a .d e !

CANANEA {S. Paulo).

j =88 .

m

Se . nhorpa.dre Fran-cis . co!

, co!

á (rl,

O

que é, meu

a

m or?

É u.ma velha mui.to

0 que e',meu a . mor?

E de.pois de con .fes . sa . da d o is b e i. ji.nhos vou lhe

trá (r)!Qu’eujá vou lhe confes . sá(r).

.

E

d e . p o i s de confes .

S e.n horpa.dre Fran.

v e.lh a que aqui vem se confes.

dá(r), Mande en.trá (r)! Mande en.

sa . da du.as

pragaeuvouro . ga,rU

- Senhor padre Francisco! | - 0 que e', meu am or? é uma velha muito velha Que aqui vem se confessa (rl, E depois de confessada Dois beijinhos vou lhe dá(r).

)

" Mande entra (r)! Mande entrá(r)! Que eu já vou lhe confessa (r). E depois de confessada Duas praga (s) eu vou rogá (r)!

Sambalelê LARANJAL

S a m b a .le.lê’stá do . en - te,

E du.m asbo.as lam . b a .d a s

’Stá com a cabeça quo - bra. da,

- P i . sa,

p i . sa,

p i . sa

(São Paulo),

-Sam ba, le.lê preci . sa . va

mu.la . ta.

P i.sa

na bar.ra da

- Sambalele está doente.

- Ôh, mulata bonita,

- Ôh, mulata bonita

Está com a cabeça quebrada, - Sambalelê precisava E dumas boas lambadas

Como e que se namora? - Põe-se o lençinho no bolso, Com as pontinhas de fora.

Onde 6 que voce mora? - Moro na praia Formosa, E daqui vou-me embora!

Pisa na barra da saia, mulata!

bis.

Pisa, pisa, ctc.

CANTOS DE TRABALHO.

Ronda

R. GRANDE DO SUL. (Z o n a m isfiio n e ir^,

---- 1---- ----- 1---- 1

/T\ L ---^

M e u c a - v a .lo

tá

can -

bradas,Meula.qo tá desar . m a.do.

s a .d o , Meu re.Ih o ta

re.ben -

r

1

1_1

r

r

t a .d o , Minhas e s. po.ras tão qu e.

Meu cavalo ta cansado, Meu relho tá rebentado, Minhas esporas tão quebradas, Meu laço tá desarmado.

1

39

Pedreiros

J=48. O .i, o . i ,

o.i!

Oi,amo.reninha

CAPITAL FEDERAL

O .i, o . i ,

o .i

o .i!

Oi,amore.ninha, o . i !

Oi! (ter/ Oi, a moreninha, oi!

Este canto-de-trabalho admiravel foi me comunicado por Germana Bittencourt. Não é perfeitamente melodisavel no grito “ Oi!” {olha!} A vogal “ o” é bem nitida e sonora m.as baixa num portamento em decrescendo = - de forma que o “ i” do grupo vocalico sai pianissimo e se toma quasi oral. I

Ml

PERNAMBUCO

àzi2.

^

Êh, companheiro, hum! Êh, companheiro, hum!

hum!

Êh, levan.tapedra,hum!

Êh, ta' pe.sa . da,

Eh,

hum!

Êh, levanta pedra, hum! Êh, lá vem ela, hum! Êh, (es) tá pesada, hum! Êh, bota força, hum!

Ê h,lávem e'.la,

bouta fôr.ça,

Êh, lá vem ela acolá, hum! Êh, companheiro, hum!

hum!

Êh, puxa pedra, hum!

Êh

lavem e.la acolá, hum!

m

Eh, companheiro, hum! Eh,puxa pedra, hum!

Cana-Fita

Canto de u sin a . ’* = 1 1 2 .

Eu a .p r a n t e i

ca

.

m

na n a r e s . t a d o

Só

PERNAMBUCO.

Pra nas.cê mi .

ó:

Nas-ceu a

c a .n a -

— ff r r fi .t a .

A

u . s i .n a a .

ta, C a .n a

pi

nas

is

.

r a lA s s u .c a

tê

II,

me

.

ra Tem a cô

bo .

n i.t a

A

u . si na a .

Eu aprantei cana Na resta do So Pra nascê mio'; Nasceu a cana-fita.

Cana-fitaz cana listrada. Resta z Restea.

mê . ra Tem a

cô bo . ni .t a .

A usina apita. Cana nas istlra! Assuca de primera Tem a cô bonita.

de

pri

b a .ia n

. . do!

Ai! Ou!

Bai . Bai .

a . na, a . na,

Bai Bai

. .

a . na queeque h a i?_____ a . na, men a . m o ! _____

Colonia, Catende, Roçadinho, Pitangi,^ nom&s de usinas, MendezMexíáes; Ca«do: Cândido. Neste canto o ritrao e' curioso por causa do desencontro de acentuações de ritmo musical e poetico.

il ri ■ ;f

Colonia, usina Catende, Roçadim de seu Mende Pirangi de seu Cando, Neste mundo eu ando Cumprindo um sina Qui inte nas usina Ja tou trabaiando!

Baiana, meu amô!

Paimare, Reberão, Iscada, Eu tenho uma namorada Que me deu um broque'; A vorta é crué Na namoração, No aperto de mão Foi s’imbora o aqé! A i! Baiana, etc.

III. Da usina sou cabo de istera,

IV. Baiana só que bebê vinho

Trabaio nas cardêra Da luz do motò,

Zinebra Fokinho, Conhaque e licô; Cigarro Condo

Sou distilado De esprito de vinho,

ft

Ai! Baiana, Baiana que e’ que hai? Ou! Baiana,

Intendo um pouquinho De cunzinhadô! A i! Baiana, etc.

Marca Lafayette, Toma deforéte Quando fai ealô. Ai! Baiana, etc.

Palmares, Riherão, Escada, são usinas. íbroquel, enfeite,presente. “A volta e cruel" pra indicar que o caso e' perigoso, sofredor. Os quatro últimos versos da segunda estrofe significam que a mulher gosta de explorar o na morado e que num simples aperto de mão depena o camarada. Cunzinhadô-. Cozinhador. Profissão das mais bem pagas nas usinas. O cunzinhadô e que dá o ponto no mel de que vem o assúcar. Zinebra Fokinho Genebra Fokine. Cigarros “ Condor” da fabrica Lafayette. Deforéte = descanso, sesta, Este canto faz parte também do “ Samba do Matuto” especie de dança dramatisada,. tranzição, diz Ascenso Ferreira, entre o Maracatú e o samba comum.

41 A este canto-de-usina se pode comparar e aceitar como variante, este que segue, delicioso; R. GRANDE DO NORTE.

Esperto, mas sem rigor. J z 69.

Bai . a .na,quem foi que te

Baiana, Quem foi que te dixe Qc bala de rifle Matava ninguém! A bala que mata E bala de revolve, Choque de ostromovo, (aaiomovel)''^^

di.xeQ ue b a . la de

~S~

ri_fle Ma-ta.vanin.guem!

Aba.laque ma.ta é bala de r e .

vol.ve, Choquede ostro.mo.ve,Trom.ba.da de

(i) A silaba «ve” do “ ostromove” e' quasi inexistente. A prosodia é “ ostromov”.

tre m .__

A primeira frase, que aliás não apresenta nenhuma originalidade grande, é sempre curio so de comparar com este passo duma cantiga popular russa: Também numa “ Saltona” das Canarias apar.ece o movimento;

Trombada do trem.

etc. {Lntignac, ‘‘Histoire de la Musiqtte” ed. Delagrave,Paris, K Parte vol.V., respectivamente pgs,2488 e 3241).

Sabado de-tarde Sa.bo de

Brai

Temta.len.to

'• • • tar.de Na v or.ta do Cu.ca . u

de mo .

tô

, . . Le.vanJ;eiban.de.ra a . zul, Mo.de o trem passa; A i, Mane

do Ca.^ia - do

Que.ro ve a

p a .ia

_____

Pouco menos.

E

Na se.d e

PERNAMBUCO.

e s .ta m i.n h a r a .z ã o :_

Fa. ço um obalé de

Sabo de tarde Na vorta do Cucaú Levantei bandera azú Mode o trem passa; A i, Mane' Brai Tem talento de moto, Na sede do Caiado Quero vê a paia voá

ouro,Dentroponhoumtezouro Dou do presente ao patrão!

E esta a minha razão Paço um chalé de ouro Dentro ponho um tezouro Dou de presente ao patrão!

. V

42

DANÇAS

Subi pelo Tronco

Sam ba

SÃO PAULO.

J = 104.

S u .b i

pe.lo

tron.co,desci

pe.lo

ga.io;Vi.vaa Lei Treze de Maio! Vi.vaa L eiTrezede Maio!

Em Casa Branca existe a quadra: Subi pelo tronco, Desci pelo gaio; Viva a Lei Treze de M jio! (bis)

Fandango

Subi pelo tronco, Desci pelo gaio; Marica, me acode Sínão eu caio!

Rema que rema NORDESTE

tj

m

------------- -----~ ^

J

4

j

--—-^

J—

J j J

(

.-1 1

Batuque.

J

Jabira CATAGÜAZES (Minas Gerais).

=

100 .

44

Dança do Caroço

Batuque

CATAGUAZES (Minas).

é =72.

IO .

vem!

çoE a

dan.ça do meu

Cor . re dan . ç a . dô

bem

cor

C o r . re,dan.ya.dô cor . re,dan.ça.dò Cor . re queapolicia e .

.

i[IiJ liliü r e d a n -ç a -d í)

Cor -

re que a p o - l i • c ia e

.

vem!

A dança do Caroço E a dança do meu bem Corre, dançado, corre, dançado. Corre, que a polícia cvcin!

fi.

Cará

Batuque

Botei meu cará no fogo, Maria pra vigia', Maria mexeu mexeu, Deixo o cará queima.

CATAGUAZES (Minas).

Eu quero fala, eu quero N a ca rritia d o “ d ã o" As moça de Cataguaiz Não anda de pé no chão

No nordeste chamara de “ carretilha” aos refrães em metro mais otrto

dos “ martelos”.

MARAJÓ.

Tanguinho do Clarinetista J=96

Û, I. 1-------- m------

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—

RIO SOLIMOES.

PIm— # ---- m - p — r » Çí - t f * a r ^ - J --------L | _ j ------------- ^ ------IL t s a j----------- -“d l

m 1 - ------------- --— 1— --------------------1------------1-5— r F»-1 ---- # ^ — " P > J L _ '~ y m* ----- u _ j--------- k— L - f l ---------

I

Colhida dum clarinetista que ia na 3? do São Salvador, vaticano subindo pra Iquitos em Ju nho de 1987. É uma vai-iante da melodia sem letra da “ Ciranda” que escutei na mesma via gem e de que dei nota pela “ Revista de Musica” de Buenos Aires, N9 6.

V a ls a le n ta . Ruhaío J - 1 0 0 I t i

Saudosa SAO PAULO.

r '" W

Esta valsa em duas partes foi Mario Amaral que fez. Era musico a valer. Não estudou nada ou quasi nada e por essa felicidade conservava um cunho forte de Brasil dentro de si.Ficou hetico trocou o violino prejudicial pelo violão e morreu moço. No violão chegou a possuir um toquevirtuosistico. Só executava composições dele mesmo e eram muitas. Dentre tarantelas, prelúdios, peças-caracteristicas etc. só se de.stacavam mesmo pela originalidade e expontaneidade as pe ças brasileiras, maxixes, tangos, valsas. Não ficou nada escrito dele, com excepção desta “ Sau dosa” valsa lenta de boa tempera brasileira, melosa e seresteira como o quê, que ele escreveupor minha insistência e me deu.

SÍ

Camarada me aviso, ai! Que eu não plantasse algodão, Lá da banda do sertão, Debaixo do mato verde. Em baixo do mato cerrado, Que tem o camaleão. Também o bicho borbão. Também a formiga preta, Que anda por baixo do chão, Saracutinga e grilo verde Lá tem que faz cerração!

“ Fandango” no geral e’ sinonimo de baile. Nele se dança de tudo e principalmente danças regio nais figuradas. Tem“fandangos batidos” mais rústicos em que o batepé é obrigatorio e os“ fandangos bailados” mais chiques em que o batepé é proibido. Os fandangos que exponho são todos bai lados. O canto sempre em falsobordão e tirado no geral pelos instrumentistas. Quem dança não canta. O fandango é sempre cantado.

48

nho V'ou com is.sonalem .brança:N un.ca vi coisa mais linda Quan.doopassa.ri.nho dan . De manhã muito cedinho Que meu rosto fui lavá, Cheguei na beira do rio Que me ponho a repara; Nunca vi coisa mais linda Que a dança do tangará Nunca vi coisa mais linda Que o passarinho dançá!

çá!.,

Eu vi meu querêquetéque Saí no baile dançá; Chegou no salão do baile Uma dama foi tirá; Chegou no meio da casa, A dama não quiz sai; 0 povo que viram isso, Dele pegam a se r i; Ficou muito envergonhado. Também já não dançou mais.

Quando eu ando pro caminho Vou com isso na lembrança: Nunca vi coisa mais linda Quando o passarinho dançá! Pôs o chape'u na cabeça: - Meus senhores te*-amanhã; Eu já ’ stou enconvidado Para o baile de amanhã. Quê-dele meu lenço branco Que eu te dei para engom á? Para pô no meu bolsinho Para mais graça me dá.

2 Fandangos da Madrugada J =104.

1.

Os ga.los já -stão can . tan.do De cer . t o lo . go a.ma . nhe . ce, Quem tem seu a . mor ao lon.ge Mui.tas sa u .d a .d es pa Pas.sando pro seu bem . zi.n h o , F a . zen . do que não co

CANANEA (S. Paulo).

— \r2. 3.

de . ce. nhe. ce?...

L-y-

Continua ou: Jleu a.m or e

u .m a

ro . saque em qu al. quer jardim fio . res

.

ce!...

oui: Vem ,m inha

ro . sa,Praaqui

mi.nha

flor! Vem, min ha

r o . sa Tu

sois meu a . mor!

la>da Vamo dan . Qa

Menina bonita, Pra adonde vai? Cabelo cortado. Faixa pra trai, (trás) Vestidinho branco, Tenis no pe'...

Namoda

ba . ti.daV am oescon .de, Q u e e p a ja o p o . vo Não perce

A moda bailada £ bom de dança Si e mais puladinho, Mais bonitinho; Si e' mais repicado. Mais maxixado;

Si é mangirão E mais engraçado! Â moda bailada Vamo dança! Na moda batida Vamo esconde, Que e' para o povo Não percebe!

A diluição da sincopa fatigante em tercina com ou sem acentuação no som central dela é muito comum no cantar da nossa gente. Vila-Lobos aliás já se aproveita disso bem. No caso deste fan dango que fiz a minha colaboradora repetir várias feitas, o curioso é que a tercina coincidia nos mes mos lugares sempre. O que parece provar que já estava.sistematisada!...

Tenho umvestido

no.vo Que me deu meu namo . ra.do

dardepes.ca . ri . a

A rran.já um ca.ma .

cer - to que vou-me e m .b o . ra

Pra passea nodo. min. go com meubem la'

ra.da Prápes.cá

de

noi.te e

doutro

di . a.

Quevou-meem.bo . raprá ci . da.de.De mim não

tenhas cui.da.do!

I. Tenho um vestido novo Que me deu meu namorado Pra passea no domingo Com meu bem lá do outro lado. Tudo isso acontece A quem casa i Contra vontade i Si o marido tá no sitio A mulhé tá na cidade.

Este documento notável bem como os outros fandangos de Cananea,são fandangos incontes tavelmente bem nacionais. Foram colhidos de gente caipira dos sitios do arredor da cidade, gen te sem nenhum contacto a não ser mesmo com outros caipiras brasileiros. E gente que não sabe mais em que geração passada teve algum estranho na ascendência.

Despedida

Adeus, .adeuSjContra mestra Dôsse grande pasto - rili

Adeus a-te para o

CÔro Adeus, adeus, contramestra Desse grande pastoril! Adeus, ate' para o ano, Nos queremos v ir aqui!

a . no,Nds queremos vir a -qui!

53

As Taieras

São Benedito E santo de preto Ele bebe garapa E ronca no peito Inderé-ré-ré Jesus Nazaré'!

colhido em S. PAULO.

São Benedito Não tem mais coroa, Tem uma toalha Que vem de Lisboa. Inderé-ré-ré Jesus Nazaré'!

G. de Mello registra outra versão deste canto no livro “A Musica no Brasil”.

./‘j 54

Brasileiro Tomo LXX, pg.so?}. dá esclarecimento bom. É um cortejo que sai pelas ruas, pra cantar e dançar, em tempo de farra ou nas datas históricas. E certo que estão desaparecendo e principalmente se empobrecendo mas inda existem porem. Este ano inda no dia 13 de Maio, a Nação do Leão Coroado foi dançar na frente da estatua de Nabuco em Recife. Cada maracatú se intitula “ nação”; Nação de Porto Rico, Nação da Cambinda Velha... Os sapateados coreograficos da negrada são ás vezes duma virtuosidade extraordinária. Pelo Estado, na zona assucareira principalmente, o maracatú se transformou no que chamam de “ Samba do Matuto» Este e' já bem nacional. A s cantigas dele versam no geral sobre os trabalhos de uzina e acontecimentos do tempo.

Samba do Matuto PERNAMBUCO.

Eu an .do a . trai

fai!

dum p o . e .ta de A .la . go .

E s .s a ba . iama tem as vo.ze muito

a

Pe . la

r i .m a e o tra .ça .d o que ê.le

b o .a Mas tem um pi . garro nagaiganta quinão

sai

Eu ando atrai dum poeta de Alagoa Pela rim a e o traçado que êle fail Essa baiana tem as voze muito boa Mas tem um pigarro na gaiganta qui não sai!

Traçado : Trocadilho, embolada, verbalismo de complicação proposital; Baianas são as dança rinas.

Samba do Matuto

PERNAMBUCO.

-y

55

CANTO RELIGIOSO

Coração Santo

SAO PAULO.

-.60.

Co.ra-ção sa n . to, Tu reina . rás!

Tu noseo encanAo Sempre se.rás!

Jesus a . m a . do, Jesus p ie.

* d o . so,Pai amo . ro . so,Fraguade amor! Aosteuspe's venho,Situm e deixas,Sentidas queixas Humilde por!

Jesus amado, Jesus piedoso. Pai amoroso, Fragua de amor! Aos teus pe's venho. Si tu me deixas. Sentidas queixas Humilde por! etc.

Coração santo Tu reinarás ' Tu nosso encanto Sempre serás!

rSi

Historico e versão portuga deste canto, vêm no ^‘Cancioneiro” de Cesar das Neves,/asc. 7 /.

Canto de Xangô

E n ca n ta çã o

RIO DE JANEIRO.

J : 60.

1 ^

- i ....r

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1 : h-

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j _h_hJ..

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0 p ----- f - ...... -------------------------- 1

Esta encantação de origem africana provem das macumbas do Rio de Janeiro. “Xango”, diz na revista musical inglesa ‘‘Fanfare” n

56

ciai. Esses deuses africanos aliás não só entraram a se identificar com os santos, anjos e Deus ca tólicos, como ainda se espalharam pra dar nomes de danças e ale de ajuntamentos humanos. Com efeito “Exú”, deus africano que não sei identificar, e que nas macumbas e' o diabo, deu nome a um lugar pernambucano. A indicação ritmica que grafei é exata á medida do possivel. Tem sempre um rubato eminente mente oratorio nessas encantações que escapa a qualquer grafia métrica. Mesmo porquê varia no mesmo cantor cada vez que êle entoa o canto.

Terço

r i . a ...

Che.gai,

ehe . gai,

Chegai,oh p e .c a . dô

Va.m o p e .d í per . dão

P a .ra o D eu sN o sso S e .

TT

nhô!

Va . mo de ru .a e m

ru.a.

La’ vein o Bom Jesuis Com a luiz na mão Só nois tamo rezando Com 0 rosário de Maria..

D epor.taem por-ta,Ven . do os fi . el

Chegai, chegai. Chegai, oh pecado! Vamo pedí perdão Para o Deus Nosso Senho!

Q uesãofi.el de . v o .t o !.

Vamo de rua em rua. De porta em porta. Vendo os fiel Que são fiel devoto!...

Canto do Joazeiro JOAZEIRO

A i-gre

.

ja do

------ r #

Horto e' fei . ta de

0- 0--0

0— í

pe.dra,Temmais de mil cedra**^nopé

---- 1 0 m m m----------m---------^ --------------- ""-------------

^ 0^

d oC ru .zei.ro ^

57

CANTIGAS MILITARES

Soldado da Guerra do Paraguai

SÃO PAULO.

J. =66 .

S ia l-g u m pa . ra . gua

j

Não me

ma

-

tar!

Esta cantiga e muito antiga que escutei em criança minha mãi cantando. Não me lembro mais do texto nem ela. Só ficou porquê rae impressionava muito a ultima parte da estrofe.

Recrutas Cearenses CEARA.

Marchante Jz 116.

MÎ

. a r i -Tin’, Meu ca . pote e meu borna . lo,

MÍ.a

bai.o . ne.tae nú.a

gra . na . dèra

Mía riun’ , Meu capote e meubornalo, Mía baioneta e mia granadêra..

Mía= Minha Riunaz calçado militar Botnalo =Bornai Granadeira z Fusil É o canto dos recrutas sertanejos do antigo Batalhão de Segurança da policia militar do Ceara.

58

CANTIGAS DE BEBIDA

Quando eu for prá Cadeia ARARAQUARA (S. Paula). U ll6 .

>

____________

íi:--------------------1

m Não

que.ro que ninguém me

fâo Q uan.doeu for

Pa . ra a

pren . d a -rá - rá

ca . dei.a

De .

Que . ro

bai . xo do meu

le . var

pi

.

Meu g a r .r a

Chula da Cachaça

dia;

e'

v i.v er n es.taa.le . gria

0 m eu con .sô. lo é vi .ver sempre na

Cam.baJe .

.

Nfto

fão!

AMAZONIA.

88 .

0 meucon . s ô . l o

fão!

a n . d o,ven .d oa Luaempleno

a .g u a , Po.rêm m eu pei .to não conhece o que e'

magua!

0 meu consolo e viver nesta alegria Cambaleando, vendo a Lua em pleno dia; 0 meu consolo e' viver sempre na agua. Porem meu peito não conhece o que e' magua! II. Ostabecneiros já não podem vender mais. Depois das sete não posso tomar meugais Mas sou um cabra que não perco a minha linha. Trago no bolso sempre a minha garrafinha.

m. Quando eu passo um so' momento sem beber Fico maluco, penso ate' que vou morrer, Mas dos paus-daguas sou o rei, sou coroado E na tendinha sou freguês considerado.

IV. Quando eu morrer quero em minha sepultura Uma das pipas das maiores, sem mistura; 0 encanamento que me venha atê a boca Em pouco tem po deixarei a pipa oca.

V.

Ninguém repare, este é meu natural. Ninguém repare, êste é o meu moral. Ninguém repare eu andar cambaleando. Adeus adeus que já são horas, vou chegando!

Escutada no rio Madeira, de gente que sabia ler, se percebe logo. É vulgar, porem espressa bem, texto e musica, esta malinconia paciente, meio irônica do nosso povo.

59

Lá vem seu Juca J=138.

ARAEAQUARA (S .P atilol

E de Domine E de hravos Pirão, pirão, pirão! E viva a pandega Do garrafão!

Lavem seu.Tuca Dos Cavalinhos, Dono da casa, Seu Manequinho!

A mistura de latinorio em cantiga-de-beber nos veio tradicionalmente de Portugal.

COCOS

Capim da Lagoa

C oco

Meni . na,siqueres

p a r a íb a

vamos,Nâote ponhaamagi . ná Quemma-gümcri.a me.doQuemtemmedonãovailá

nr - -m

— C iro

ca .p im d a

la . goa vi . ado

nr

meu

Ai Solo

O v i. ado CO . meu Menina, si queres vamos, Não te ponha a magina; Quem magina cria medo, Quem tem medo não vai lá!

co . meu

O ca.pim da

la . goa v i . ado

eo . meu

rr

TZ.

O ca.pim da la . goa v i.a d o co - meu

iiaT

I

meu D.C.

Coro O capim da lagoa O veado comeu... A ü... O veado comeu...

O que caractérisa o coco é o determina em geral e o refrão. A s estrofes ou são irrprovisadas no momento ou são tradicionais. A estrofe que vai aqui por exemplo, foi me dada também no co co norte-riograndense “ Olê Lione

60

C oco

Maria Mulé R. G. DO NORTE.

!í

Solo Côro his,osolo (Solo iniciado

Na carreira de Goiana, mule'!... Ole, Maria, mule! Ninguem pode mais passa, ôh mulél... Ole, Maria, mulé!

Solo Coro biSfO s o 1lo Solo ^0(, Soi« tntciado i

/or“Ai” ^C6ro

Mode O cheiro da menina.mulel. Ole, Maria, mule! B a fulô do m acassâ,ôh mule!... .. . OIG) Idarisi) hiuIgI

NORDESTE Coro

e i

Mulher não vá Mulher, não vá! {bis) Mulher, você não vá la! Marido, eu voul (bis) Que papal mandou chamá!

k|

“Mulher não vá” se aparenta bem ao “ Mineiro Pau”. Este corre já por muitas partes do Bra sil. É bem antigo e Pereira da Costa registra êle com variante da estrofe que é espalhadissima e de origem portuguesa. Também o refrão ás vezes e' trocado por “Maneiro pau”. Quanto ao“MuIher não vá” não sei esclarecer si o cantam dialogando. E possivel, porquê outro coco em dia logo que possuo e fica pra outro livro, sei que e' cantado por duas pessoas se respondendo.

Onde vais, Helena

C oco de g a n z á

R.G . DO NORTE.

J:84.

Solo

Coro

Pr’onde. vais, He.le.na,Pr’onde

vais

a8.smi?Vai pra trás, He. le.na,Te.nha

do

de mim! Es.sa

O.

noite eu não drumi

Somen . te pensando emti Vou dei. xar de te

Coro Pr’ onde vais. Helena Pr’onde vais assim? Vai pra trás. Helena, Tenha do de mim!

Selo Essa noite eu não drumi Somente pensando em ti Vou deixar de te amar Que é pra eu podê drumi. Coro (Refrão)

a.mar Que pra

eu

po . dê dru.mi.

Solo Menina, diga a seu pai Que im.0 coma de colher, Que êle tem de ser meu sôgio E você minha mulher. Coro

Observar a confusão entre “este” e “esse”. A 3 %quadra citada e variante ou fonte inspiradora daquela uma de maxixe famanado; “ Menina diga a seu pai Que eu sou o teu namorado> E avisa teu irmão Que me chame de cunhado”. Quanto á musica reparar como o geito improvisante com que ela é construida é que leva as vezes as subtilezas ritmicas. A peça vai seguindo ritmicamente bem simples e e no momento de acabar o solo,pra àar certo, que surgem subtilezas e complicações ritmicas. Ja no coco do “ Balão Mane Mirá” se dá a mesma coisa. ^ . Musicalmente, sem que tenha descendencia objetivamente perceptivel, este coco se aproxima bem das rodas coreograficas portuguesas pra adultos. De fato na musica do nordeste a ascendência portuga se percebe. A nossa musica do nordeste e como que um desenvolvimento da fonte por tuguesa. Duma variedade, duma riqueza e sobretudo duma boniteza que os portugueses não so nharam.

62

Nunca mais eu vi Coco de g a n zá lu

R. G. DO NORTE.

■ m

--- €oro Ai,nunca

mais eu

vi!

B e.la

mandou me cha.marlAi, nun_ca

mais

eu

>

J : 88.

. vi!

Solo _ Olê-lê Côro

lê ca .v a .lo

I

pampo C a .v a . loala.zão-ca . xi.alM euca .v a lo é fer . radoCom fer.rodaCoippanhia Ai, nunca

Coro. Ai, nunca mais eu vi! Bela mandou me chamar! Ai, nunca mais eu vi!

Solo. Olêlê, cavalo pampo. Cavalo alazão-caxia! 0 meu eavalo é ferrado Com ferro da Companhia.

Solo. Olêlè, cavalo preto. Cavalo alazio foveiro, Que chegou no atoleiro, Refugou,não quis passá!

Côro. (Refrão)

Côro. (Refrão)

O refrão talvez se tenha adulterado com o tempo e seja “vim” em vez de “ vi” . Torna mais compreensivel o refrão. Aliás o solo parece indicar mesmo a idea de viagem a cavalo.

Balão, Mane Mirá

Coco

.»il* lê

0 .lê !

Lá. vai

a

Lu.a s a .in .d o Lavai

a

Lu. a s a .in .d o Na.que . le sa.lão de lá Quando

Solo. Lá vai a Lua saindo (bis) Naquele salão de lá; Quando dá da meia-noite ^ r a o dia quilariá E que começo a cantá! (Refrão)

Quilariá - clarear

C oco de g a n zá . J : 66.

tu . ba,Bom-Jar. dim

e G o .y a

.

ni.nha,

Be . lem

e

Pi . p i.r i . t u .b a , v e .ja

la!

Solo. Ai, Chico Antonio quando canta Estremece èsse lugá: Timbaúba do Pilar Até a barra de Natuba, Bom-Jardim e Goyaninha, Belem e Pipirituba, Veja lál

Côro. Papapapà meu rim a, Papapapà veja lá!

Rimá =rimar, substantivo. Grafei o ritmo bem como foi cantado pra mostrara comodidade com que se canta. Os 5 p r i meiros compassos do solo correspondem evidentemente aos seguintes como esquema ritmico, po rem estão mais diluídos fazendo do movimento n um característico coisa que na enumera ção desaparece em seguida. Até nesta enumeração se emprega a seguinte variante ritmica,me dis se meu c o l a b o r a d o r : _______________________ Tim-ba . ú

.

ba do Pi . lá

A .t é

a

bá

A enumeração de terras e engenhos se prolonga á vontade, dentro do ritmo repetido

Coco do Aeroplano Jaú

R.G. DO NORTE.

Pouco menos.

Eu vi \im ae.ropla. no

a .vo.an.do... De.vagarcomamesa! E eu

__

fu .i no J a .ú ,

1----MM

Pouco menos.

A .r i.b ú ,

De . v a . garçom a me . sa!...

Pena meu colaborador não ter pegado o texto inteiro.

Solo

Solo. Eu vi um aeroplano Avoando... C&ro. Devagar com a mesa!., So/o. Eeufui no Jau, Aribú... Coro. Devagar com a mesa!.

h

r>4

Coco do Engenho Novo

Coco de engenho

NORDESTE (R, G. do Norte),

iJ

Côro En.ge.nho

-# —

-------------En.ge.nho

n o-vo

pu-lo deidois pu.lodci tres Coro Engenho Novo (bis) Engenho Novo Bota a roda pra rodá!

no .v )

En.ge nho

pu_lo des.ta vez puJei o

V • ml m no.vo botaa ro.da pra ro . dá!

Eu dei um

mu.ro quaje mor.ro de pu . lá.

Solo Eu dei um pulo Dei dois pulos, dei tres pulos Desta vez pulei o muro Quaje morro de pulá.

Solo Minha menina Quem te dou tamanha sorte? Foi um soldado de linha Do Rio Grande do Norte.

Coro (Refrão)

Eis a versão paraibana deste coco: Côro

____ ,

Engenho

no .

voen.genho

—

^

«B Ö S

no

. voen.genho

no.vo bo.taarodapra ro . dá!

Solo

Capim de

lé il 'I »ill

r

planta, xi.qxie- xi.que me . la

m e.Ia;E u passei

p e .la

oa . p e .la v i dois padres no al

Solo Capim de planta, Xique-xique mela mela; Eu passei pela capela V i dois padres no alta'.

C ocos de L a m p e ã o

E Lamp, é Lamp, é Lampa NORDESTE.

J:76. j/| tf

' "j, n ~

^

joto.

-— 1— 1_ gi----------------- w

í Solo

A mulher de Lampeão Não anda de pé no chão. Anda de meia e sapato Lenço de seda na mão.

Côro

B Lamp, é Lamp, é Lampa, É Lamp, é Lampeão, 0 meu nome é Virgulino, 0 apelido é Lampeão!

Solo. Minha mãi me dê dinheiro Pra compra um cinturão Pra enche de cartucheira Pra brigá mais Lampeão. ( Côro),

Solo. Minha mãi me dê dinheiro Pra comprá um caminhão Pra enchê de moça velha Pra mandá pra Lampeão (Côro).

Solo. Minha mãi me dè dinheiro Pra compra um cinturão Que a milhor vida do mundo K andá mais Lampeão! (Côro).

Solo. A mulher de Lampeão É pra dentro e é pra fora, Com a criança no braço, Valha-me Nossa Benhora! ( Côro).

O refrão deste coco é uma variante apenas do grito dos companheiros de Lampeão; E Lamp, é Lamp, é Lamp, É Virgolino Lampeão, já registrado na musica, dentro do “Catimbó” de Ascenso Ferreira.

C ocos de L a m p e ã o

Mulher Rendeira

NORDESTE.

Solo.

I

J

J : 100 Lampe, ão des.ceu a ser.ra Bo.tou as m o.ça don . ü e . l a

dei.ra!

. lê, mulherren . d á !

Solo. Lampeão desceu a serra Deu um baile em Cajazeira, Botou as moça donzela Pra cantá“ Mulher Rendeira’.’ Côro. Olê, mulher rendeira! Olê, mulher rendá! Tu me ensina a fazê renda Que eu te ensino a namorá! Solo. As moças de Vila Bèla Não têm mais ocupação; É sú vive na janela Namorando Lampeão.

Deu um baileem C a.ja . ze i.ra , Pra can . t á Mu.lher ren . dei.ra.

Tu meen. si.naa fa.zê

Côro. :108

. lê, mulher ren .

ren.da Queute en. si.no a na.mo . rá!

Solo. Lampeão subiu a serra Com apragata de algodão, Apragnta pegou fogo, Quaje morre Lampeão. (Côro) Solo. Lampeão diz que não corre, Mas correu lá da Varginha; Deu um pulo pro lado E saltou almofadinha. ( Côro)

(Côro)

Coco cantado por Lampeão com o pessoal dele quando atacaram Mossoró. Como já corre nos engenhos e cidades do nordeste é licito a gente imaginar que as 3 ultimas quadras não pertencem pro pessoal de Lampeão.

I f/ í’

Ai bo.a -n oi.te,bo.a - noLte, B o.a-n oi. te Ihedè Deus!Cadê a

donada

c a .s a R ir e .la padeço

eu!

Boa-noite, boa-noite. Boa-noite lhe dê Deus! Cadê a dona da casa? Por ela padeço eu!

Este é um dos chamados “cocos de zambê”, coco dançado. Zambê é dança, aproximadamente o batuque ou o jongo. Ou a mesma coisa que êles. O compasso quinario também dá certo pra dan ças binarias ou quaternarias no compasso desque tenha quadratura estrofica talequal aqui.

Olê Lioné Lento quasi recitative, ardente e molengo. Solo,

R.G. DO NORTE.

___

D a B a .í.a

mô mandatam Còyo,

ü-maca_mi

,

«abordada, N aa-borturadaca. m i.sa

Tinhao nomedasa.

Solo. Balancei um pé de Uma Que nunca foi balançado Namorei uma menina Que nunca foi namorado, Lioné! (Refrão)

Este COCO maravilhoso deve ser cantado molengo porem sem malinconia. Uma grande c a l ma ardente. É tão livre que hesitei em lhe botar indicação de compasso e pus em pontuado as barras de divisão do dois-por-quatro que parece ter servido de metro na criação. Porem canta do, êle é livre de qualquer compasso possivel, um recitativo legitimo. O 19 verso da

estrofe é

tradicional e serve de abertura pra muita quadra brasileira. O mesmo se dá com o 19 verso das ultimas estrofes. Em S. José do Rio Pardo (S. Paulo) corre a quadra: “ Q u e c o q u e i r o t ã o a lt o . . . D e u c a c h o n a r a iz ! Q u e m o ç o m a is b o n i t o C o m d o is p a l m o s d e n a r i z ! ”

O r e f r ã o d o c o c o c o r r e n o n o r d e s t e . P o s s u o a v a r i a n t e s e g u in t e q u e é p a r a i b a n a :

L i. o

. né, .41

Coco

L i . o . nô Eu es .ta .va na v a . ran . da Quando am o . r e n a passo!

Vapor de seu Tertuliuo 0 va . por

ã i .x a ,

l.le

de seu

Ter.tu . li.n o , seu m a .n o . Só na

tem um r e . g u . l a

R. 6 . DO NORTE.

. v e . , ga cum a . gua

. dò ai, seu mano, E bo . oi.ro e cinzei .r o e fu . ma.ça.

0 vapor de seu Tertulino, -S e u mano. Só navega cum agua na caixa, Ele tem um regulado, —Ai, seu mano, E boeiro e cinzeiro e fumaça.

68

Maria Coco

PERNAMBUCO.

J : 120 ^

zf

Mari . á, euvouníem.bo.ra,voum’embora pro Ceará, Ma_ri . á. T. Mariá, eu vou me embora, Vou me embora pro Ceará, Mariá. Eh Mariá! (bis)

[

•

-»

Eh Ma.ri . á! Eh Ma. ri . á!

n. Mariá dá cá um beijo, Que eu te quero carrega, Mariá. Eh Mariá! (bis)

Eu VOU, você não va i

C oco

R.G. DO NORTE.

Coro.

• =76 .

Solo.

Eu vou,

v o. cê não vai, òh mu . lé

Be.la man.dô me ohamá ôh rau . lé

E .t a

lá q u ea .go.ra Coro.

mesmome lem.brei de ChicoAntonio,Espin.gardatemcoronhaEéda . nadapraati.rá, ôh mu . lé... Eu vou, você não vai —òh mulé — Bela mandou me chamá, —oh mulé—

«■ ■ li

Um

Eu vou

Solo Eta lá que agora mesmo Me lembrei do Chico Antonio, Espingarda tem coronha E é danada pra atirá —ôh m u lé -

r e f r ã o p a r a i b a n o c a n t a a s s im ;

Jz 48

__ _

* Ia .

iá,

Io.iô, ai, Be.la mamdou me chamar!

Ia . iá,

lo .iò , ai, Be, la

diz que lá não vou!

laiá Ioiô Al Bela mandou me chamar! laiá Ioiô Ai Bela diz que eu iá não vou! U m d o s e f e i t o s d o e x c e s s iv o in d iv i d u a l is m o n o s s o é q u e a s v a r i a n t e s d u m c a n t o t r a d ic i o n a l m a is p a r e c e m c a n to s n o v o s .

69

Rochedo, Sinhá C oco

R. G. DO NORTE.

»■ in Solo - Menina,teu pai não quer... Côro- Olha o rochedo, Sinhá! Solo- Que eu me case eom você; Bote-lhe terra nos olhos Que o homem cego não vê. Coro- Olha o rochedo, Sinha!

MUSICA INDIVIDUAL E S T R IB IL H O S

( s o lis ta s o u c o r a is )

ti! íA c a la n to

Sapo Cururú

ARARAQUARA.

j : 60

Diz que está com frio.

E s.ti.lin .gu eé bom Praquemquerjo . gá A mulher do sapo Diz que está lá dentro Fazendo rendinha -Baiana Para o casamento. Estilingue e bom etc.

Ca.moeunão que.ro quemlnporta

lá!

70

Refrão do Mutum

Na mata do São Migue Ouvi dois mutum gerne Ele geme assim; “Araraxara, uhm, uhm, uhm! Arararara,uhm,uhm, uhm,uhm! Arararara eh ãh” !

Este refrão foi colhido por mim da boca de violeiros baianos vindos pelo sertão pra S. Paulo, gente bruta. Improvisavam sempre e tudo, letra e musica. Com muito geito fui vendo si conseguia uma toada que já fosse cantada por outros, Não sabiam de nada. Lhes parecia meio incrivel que musica fosse repetir coisa já cantada. No meio da cantoria monotona, cujo interesse estava só nos versos, um tirou uma moda e fez ela seguir deste refrão. Pelo caracter mais musical do re frão imaginei que era uma coisa tradicional. E era mesmo. Depois pedi, passadas várias cantigas mais,que repetissem a moda da “Mata de S Mjguel”. Repetiram porém só o refrão. A melodiaes trofica já era outra! E das outras cantigas nenhuma não possuia refrão. Entre elas um A B C . As outras: martelos mais ou menos h is to r ia s , melopeas melancólicas vulgares, variantes umas

Coros de Cocos ( r .G . DO n o r t e ).

As.so

. viaês.se coooea.me

,

rá Asso .v i- o !

As.so.

Assovia êsso coco esmera (do) Assovio!

3

Ca.ju . e i. r o a . b a . lou,

A - b a . lou dei.xaa.ba .

Cajueiro abalou, Abalou deixa abalá!

lá

72

4 (bis) J. 76

Ca-ju . e i . ro a .b a . lou

A -b a . lou .d eixa a.ba -

la'!

O n? 4 (primeira versão) é variante da roda infantil “ Marcineiro faz assim,faz assim,tambem assim” do Surupampo da Vingança. Isso comprova a observação que fiz noutro coco da ambiencia de roda que a gente percebe em certos cocos, e a proximidade de que alguns estão da roda adulta portuga.

Chula

:■

«f

lá!

Não

sei s iis .t o é

bom, si não e'.

vi . ra is . so pra

lá!

Vira a bombordo A boreste E áp roa E á ré Vira pra aqui, Pra acolá! Não sei si isto é bom, Ei não é, Vira isso pra lá!

Gavião Peneirou

R e frã o

NORDESTE. 60

Ga.vLão pe.ne.rô, pe.ne.rôj pe.ne-, rô...Ga.vi.ão p ejie.rô, pene.rô, pe.ne . rô... (bis)

í 'lí)

Gavião penerô penerô penerô...

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