Exposição de Melodias Populares: Individual
TOADAS
Cabocla Bonita
Toada
Senhora dona da casa Um favor eu vou pedir; Meia hora de relogio, Oh cabocla bonita, Pra seu nego divertir.
\’ocê diz que amor não doi No fundo do coração, Tome amor e viva ausente, Oh cabocla bonita, Veja si lhe doi ou não!
Canto Antigo R.G. DO NORTE.
li . nha
Por qua _ tro
mil
e q u i. nhen . tos, Quan-do
"7^
pe.guei na ga
.
l i . nha
Os p in -to s pia. a .ra m
Q uees.sa ga^U .nhae mi.nha!
Mal . d i.ta a
Eu comprei uma galinha Por quatro mil e quinhentos, Quando peguei na galinha Os pintos piaram dentro.
den . tro.
Sol
. te, se . nho - ra,
ho . ra Q u ecom .p rei es . sa ga . li.n h a l Solte, senhora, Que essa galinha e' minha! Maldita a hora Que eu comprei essa galinha!
S e g u n d o m e i n f o r m a A n t o n i o B e n t o d e A r a u j o L i m a , c o l a b o r a d o r in a p r e c i á v e l , e s t e d o c u m e n t o é a n t ig u ís s i m o , v in d o t a l v e z d o in ic i o d o s e e X IX o u m e s m o m a is l o n g e . N ã o s e t e m p o r o n d e p r o v a r is s o e a t é . . . o p r e ç o d a g a l i n h a p r o v a o c o n t r á r i o . M a s is t o p o d e s e r m o d if i c a ç ã o d e t e x to . O q u e é c e r t o p r a q u e m c o n h e c e a c a n t i g a , é q u e e l a j á e x i s t i a p e l o m e n o s n o s m e a d o s d o s e e . X IX .
Menina,teu pai num que' Que eu me case cum você; Aosdespois dos nove mêis Cumo ha de sê! (bis)
H— r
“
-----L0= "0T 0T ~é r 0 ^
S o-b e na p a .re .d e já !
O .lh ea b a .ra
.
J ----# # .
ta
S o .b e na p a .r e .d e
já !
M eu pa iC a .ju .
Meu pai Cajuê, Minha mâi Cajuáj Olhe a barata Sobe na parede já ! D if ic ílim o d e g r a fa r o r itm o . O s c o m p a s s o s d e
5 a 7 t ê m a s f u z a s m u i t o d i l u í d a s , q u a s i ig u a is
á s s e m ic o l c h e ia s p r o v e n i e n t e is s o d a p r o s o d i a . Q u a s i q u e s e r i a m i l h o r g r a f a r ;
O i n ic i o d o “ P a i C a j u ê ” o b e d e c e a u m e s q u e m a m e l o d i c o b a s t a n t e t r a d i c i o n a l e b a s t a n t e g lo s a d o n o B r a s i l . E c o m e le q u e p r i n c i p i a o “ M e u b a r c o é v e l e i r o ” q u e c o r r e p o r t o d o o n o r d e s t e .
75
A v e r s ã o d a P a r a í b a a p r o v e i t a a p e n a s o a r p e j o d o a c o r d e d e t ô n ic a :
Mou Barco é Veleiro Coco.
Meubarcoé v e. lei.ro
Lá fo.ratem
la .m a E u
am o a e ô rm o .
rena A cormo. renaéquerae
a.m a.
Meu barco é veleiro Lá fora tem l.ama; Eu amo a còr morena A côr morena é que me ama.
J á a v e r s ã o P e r n a m b u c a n a é m a is a p r o x i m a d a A lle g r e tt o .
A n d a n te
Papacapim Guriatã, rola galega, Eu pisei no pé da nêga Fiz a nêga se daná!
E c o m o a s c o is a s v i v e m n u m a l i g a ç ã o f r a t e r n a b e m c o m o v e n t e i n d a c a b e l e m b r a r q u e a e s t r o f r e d a v e r s ã o p a r a i b a n a a n d o u n o c e n t r o d o B r a s i l e t a l v e z p e lo p a i s to d o , c o n v e r t i d a lu n d ú f a m a n a d o “ A
c o r m o re n a ” .
num
I n f e l i z m e n t e m e u c o l a b o r a d o r n ã o s a b i a m a is o t e x t o . C o n t a v a p o r e m c a u so d e a m o r e s d e s i n f e liz e s , n o iv o s q u e n ã o c a s a r a m e c a la m id a d e s d e s s e g e n e r o . É p e n a n ã o se t e r g u a r d a d o o t e x t o p o r q u ê e s t a m e l o d i a d e s e r t a n e j o s m a n i f e s t a i n f l u ê n c i a p o r t u g u e s a e d e c e r t o c o n t i n h a a lg u m a d e fo rm a ç ã o d e ro m a n c e tr a d ic io n a l. I, '
íl '*
77
Tatú é Caboclo do Sul Toada.
GOIAZ.
•= 100.
Ta . tú
é cabo.clo du . sul,
Poi.xe - boi
é barão de Pa - rá,
PeLxe - boi
é do fun.do do
Pouco m enos. #»96
m 0, M u.la.ta b o -jii . t a
me qui. ze.ram man.dar-,
é da b a n .d a de
lá.
Man . dei
chamar
Ge.ne
. ro
.
sa,Não
Man .dei diamarMa.ri . qui.nha Dom-domSau.da . des quer me ma . tar! Tatú é caboclo do sul, Peixe-boi é barão de Pará, Peixe-boi é do fundo do rio. Mulata bonita é da banda de lá. Mandei chamar Generosa, Não me quiseram mandar; Mandei chamar Mariquinha, -D om -dom — Saudades quer me matar!
Zé Pum Toada.
CATAGUAZES, (Minas).
.S
78
Para te amar PIRACICABA.fS. Paulo).
J=:80
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Nas . ce a lu . a, nasce e s . trê . la
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nas.ci só p ratea, má!
Ai,
To . dos nasceu1com d es.
no céu a .lu .m i . á.
ai,
ai,
ai...
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E u n a s .c i
1
só p r a t e a .m á !
Nasce o tigre, nasce a fera, Pra no sertão habitá, Todos nascem oom destino, Eu nasci só pra te amá! Ai, ai, ai, ai... Eu nasci só p ra te amá!...
Nasce a lua, nasce estrela Pra no céu alumiá, Todos nascem com destino, Eu nasci só pra tc amá! Ai, ai, ai, ai... Eu nasci só pra te amá!...
Nasce o cravo, nasce a rosa, Pro jardim nos enfeitá, Todos nascem com destino, Eu nasci só pra te amá! Ai, ai, ai, ai... Eu nasci só pra te amá!...
Toada
d e V io le ir o
(d o v i o l e i r o N i t i n h o P i n t o r , d e P i r a c i c a b a ) . I
S. PAULO.
P o s s u ia l e t r a s e r e f e r i n d o a o g e n e r a l Is i d o r o D i a s L o p e s . I n f e l i z m e n t e n ã o r e g i s t r a d a .
Toada
d e V io le ir o (d o v io le ir o N it in h o P in t o r ) . •= 6 6
^
S. PAULO.
Toada de V io le ir o
S. PAULO.
(d o v i o l e i r o N i t i n h o P i n t o r . ) J-8 8.
Me . cê diz quevai ca . sá
Pui dcxe dessa lo . cura Ca. sácummuié ciumento Pra servi desuain. juria.
Home casado num pode Na festa fazê mesura Quando êle qué diverti A muié tá de oiadura.
Niun caso cum muié magro Que tuda gente censura, (Juero casá cum muié gordo, Quero morre na gordura.
Logo pega; Bamo,bamo! Nem que a noite teja escura, Adjunta os barrigudinho, Atravessa na cintura.
Meu sogro mata capado, Eu mando buscá fressura; Nois semo só nois dois, 0 mcno très dia dura.
Vò na casa do meu sôgro Mc passa discompostura Eu bem quero trabaiá Mai a priguiça me sigura. N a V e n e z u e l a ( J . M . F u r t , o p . c i t . , í g ; 5 / ) c o r r e u m a q u a d r a a s s im : “ N o v o y a lo s f a n d a n g o s P o r q u e m i z a m b a (o b rig a ç ã o , m u lh e r) n o q u ie r e P o rq u e d ic e q u e c a n ta n d o E n a m o r o Ia s m u j e r e s ”
d e V io le ir o .
Toaàa S. PAULO.
(d o v i o l e i r o N i t i n h o P i n t o r . ) J»96.
D e C a t a g u a z e s ( M i n a s G e r a i s ) p o s s u o a t o a d a d e “ S ô M a n é J o a q u im ”, m u it o a n t i g a e é i n t e r e s s a n te a ju n ta r a e s t a d e N it in lio .
Sô Mané Joaquim
CATAGUAZES, (Mina$).
80
li ;|i
Toada
Tem *^ vf í .
1 ' I W f 1 '/* ' ; ’i 1
PARANA'.
d e c u r i o s o t r a z e r a f r a s e d o “ G u a r a n i ”, q u a s i i n t e i r i n h a . C o in c i d ê n c i a ? I n f l u e n c i a d o “ G u a
r a n i ” ? O u f o i C a r lo s G o m e s q u e b o t o u f r a s e p o p u l a r t r a d i c i o n a l n a ó p e r a d e l e ? T u d o é p o s s iv e l p o r q u ê e s t a to a d a p a r a n a e n s e m e c o m u n ic a d a p o r a lu n a , o b e d e c e c o m o t ip o m e lo d ic o a u m v e r d a d e i r o n om os t r a d i c i o n a l , f r e q u e n t ís s i m o e m v a r i a n t e s i n f i n i t a s , d o t a d a s s e m p r e d a m e s m a m o n o t o n ia m e la n c ó lic a , e n tr e o s c a n ta d o r e s b r a s ile ir o s , e s p e c ia lm e n te d e M in a s e S . P a u lo . E a p a re c e a té n o R io G ra n d e do S u l. E p o s s u o m e s m o u m d o c u m e n to d a A m a z o n ia e m q u e
e s ta
m esm a
f r a s e a p a r e c e . N ã o d o u ê le a q u i p o r q u ê e n t r a n o u t r o e s t u d o d e in t e r e s s e m a is p a r t i c u l a r .
i
îïi'i;
Toada do Chico Sôrro
R. GRANDE DO SUL (Serra).
h ■ .aí'*
Eu en.trei num ga . l i
. n h ei.ro Pra co.m er
Abre-te campos e serras, quero correr com cautela, quero ver onde vai morrer a fama desta cadela.
ear.neá
far .
Corri leffua e corri quadra, pensando que ia solito. Quando eu olho pra traz, Ai, se vinha a cadela aos grito.
6 Eu saí a trotezinho no rumo do véio Estacio, me saltou quatro gaúcho de facão e bola e laço.
9 Vinha outro dos gaúcho Em um bagual tordilhinho. Este mc pegou um laçaço desde a cola até o focinho.
12 Antes de eu morrer tive um bonito regalo: distancia de quatro léguas Eu ouvi cantar o gálo.
S o r r o - z o r r o , r a p o s a , la d r ã o d e g a lin h e ir o . T a m b é m n o R io
G r a n d e d o S u l é c o s tu m e o c a n to e m c o m u m s e m p re b a s e a d o n u m f a ls o -
b o rd ã o de te rç a s e s e x ta s .
Toada do Lauro Louro /Id
____________________________________________ ------ 1s — ■ p— •
V e . lho Pau . li . no
tem um
r—
íi . lho qua . s i
ho . me, quan. do
tem rai . va nâo
82
Toada do Oneron
R.G. DO SUL. (Santiago do Boqueirão, Missões)
|í
Prenda minha R. G. DO SUL.
nr
fi
Vou-meejnbo .
ra, vou-me em . bo . ra, Prenda m i. nha, Tenho
3^ B' i.j!!
^i'í
Vou-me embora, vou-me embora^ Prenda minha, [iis. Tenho muito que fazer: ' Tenho de ir para Rodeio, \ Prenda minha, 5Ws. No campo do bem querer. )
mui
. toque
fa . zer;
~ IT " Noite escura, noite escura, ■ Prenda minha Jiis. Toda a noite me atentou Quando foi de madrugada Pi-enda minha Jbis. Foi-se embora e me deixou. I
O r e fr ã o é in s tr u m e n ta l. S i l v i o R o m e r o n o s “ C a n to s P o p u la r e s ” d á u m a v e r s ã o s e r g ip a n a d a ã ? e s t r o fe .
MARTELOS, DESAFIOS, CHULAS
Esperança
Martelo.
PERNAMBUCO.
J =112 Lá
bem de
no meu
cris.tão,
Fai
ser. tão
mas.sa
Tem
mui .ta
na mão, Dá
m orreenãobriga!Es.pe . ran . ça! É da
q u i . x a . b a , Queé
cu. mê
dô - de - bar. ri.ga... Tem
m a .t a vende!E s .po . ran
de ca.bra,
Tam .
do a . ço
que.
ca.bra
. ça! é
da
m a.ta verde!
Lá no meu sertão Tem muita quixaba, Que é cumê de cabra, Também de cristão, Fai massa na mão. Dá dô-de-barriga... Tem cabra do aço Que morre e não briga! Esperança! Ê da mata verde! ) O
M a r t e lo , in fo r m a J o ã o d c N o r t e
é u m a p o e s i a h i s t o r i a d a . O r e f r ã o e m m e tr o _ n o g e r a l m a is
c u r t o , c h a m a m c o m u m e n t e d e c a r r e tilh a , m e i n f o r m a A s c e n s o F e r r e i r a . E s t e m a r t e l o s e c o n fu n d e c o m a f o r m a g e n e r i c a d o c o c o n is s o d e p o s s u ir e s t r o f e d e m u s ic a s im p le s e r e f r ã o m a is m e lo d ic o e b e m c u rto .
84
Desafio
de Violeiro.
Cachorro que engole osso Nalguma coisa se fia Quando eu topo muié veia Dou benção e chamo tia Caititu de mato grosso Corre mais do que cotia.
Quando eu topo muié veia Ws. Dou benção e chamo tia.
Desafio NORDESTE. 69
SeuMané do Ri.a . chão Que pe.ca.dosãoos seu! U m a .n o tãobomd’in.ver.no Seu ri . a.chonãooor. reu! Cabeceira: Seu Mané do Riachâo Que pecado são os seu! üm ano tão bom de inverno Seu riacho não correu!
Riachâo: Meu riacho não correu Lhe digo, meu cavalheiro, E que as chuvas foram pouca Pra cima, prás cabeceira.
D e s a fio e n t r e o s c e le b r e s c a n ta d o r e s M a n é d o R ia c h â o
e C a b e c e ir a .
N o t a r a d e l ic i o s a e x t r a n h e z a m o d u l a t o r i a d a p e ç a , s e m q u e p o r is s o e l a p e r c a o c a r a c t e r b r a s i le ir o .
Desafio a Manué do Eiaohâo PERNAMBUCO.
Q u a s i r e c ita tiv o . »=72
Seu Manué do
R i .a .ch ã o,
--0
que é que os ó . io
vê
In.da
vou lhe
per.gun.tá,
Seu Manué do Riachâo, Inda vou lhe pergunta, O que é que os óio vê Que a mão não pode pegá?
pode pe . gá.
Ou é o Sol ou é a Lua. Ou as estrela ou a fumaça, Ou é qualquer obijeto Trancado numa vidraça.
-H Que a mão não
E s t a m e lo p e a m a g n if ic a d e m a lin c o n ia , p a r e c e t e r p e r t e n c id o a e s s e c a n t a d o r f a m a n a d is s im o q u e fo i M a n u é d o R ia c h â o . E
m u it o c o m u m d e a n te d e c e r t o s c a n to s d o n o r d e s te a p e r p le x id a d e
d o c o l e t o r , t a l a li b e r d a d e e a s u b t il e z a d o l a i s s e r a l l e r r i t m i c o c o m q u e a g e n t e d e l á c a n t a .C a n ta m c o m a s u b tile z a r it m ic a d e q u e m e s tá f a la n d o , c o m a m a x im a d e s p r e o c u p a ç ã o .
E
m u ito
p o s s i v e l q u e n e s s a g e n t e d o n o r d e s t e c a n t a n d o d e s s e g e i t o , e m c o n t r a s t e d e c i d id o c o m a r i t m i c a is o la d a m e n t e m u s ic a l e s t a b e l e c i d a p e l a m u s ic a e u r o p e a d e s q u e c r io u o s v a lo r e s d e t e m p o
m u s i
c a l e o c o m p a s s o , é m u it o p o s s i v e l q u e n e s s e s n o r d e s t i n o s a g e n t e v á e n c o n t r a r u m a r e p r o d u ç ã o c o n t e m p o r â n e a d a m a n e ir a d e c a n t a r d o s r a p s o d o s g r e g o s o u d o c a n t o c r is t ã o p r i m i t i v o .
Com
e f e i t o s e d á n e le s u m a u n i ã o a b s o l u t a d a m u s ic a e d a p a l a v r a f a l a d a , d e f o r m a s a t o r n a r i m p o s s ív e l u m a f ix a ç ã o r it m ic o - m u s ic a l is o la d a . d e t e r m in a á s v e z e s e m a b s o lu to a
É a m a n e ir a d e f a la r , n a t u r a l e d e s p r e o c u p a d a , q ue
s u c e s s ã o d o s s o n s d a m e lo d ia . O r a c o m o a f a la d e s p r e o c u -
p a d a n e m s e m p re se r e a liz a e x a ta m e n te d a m e s m a fo r m a a o r e p e t ir a m e s m a fr a s e
p e lo
fa to
m e s m o d e s e r d e s p r e o c u p a d a , s u c e d e p o is q u e r e p e t i n d o a m e s m a m e l o d i a c o m o m e s m o t e x t o , o c a n t a d o r j á n ã o r i t m o u e x a t a m e n t e d a m e s m a m a n e ir a d a p r i m e i r a v e z . Q u a n t o m a is s i o t e x t o v a r i a ! N a v e r d a d e a s e g u n d a q u a d r a q u e c o n s ig n e i m e lo p e a . S e d á p o is e m
O u é o s o l e tc . j á r e q u e r i a n o v a r it m is a ç ã o d a
m u it o s d e s s e s c a n t o s u m r u b a t o c o n s t a n t e e s u b t il , m a r a v ilh o s a m e n t e v a
r i a d o . A q u i é b e m e s s e , o c a s o . Q u a l q u e r e m in i m a r i g i d e z e s t r a g a p o r c o m p le t o u m a p e ç a a s s im . E v i d e n t e m e n t e s e t r a t a d u m a m u s ic a , p r i m i t i v a a in d a s o b o p o n t o - d e - v i s t a a r t i s t i c o , q u e r o d i z e r , a in d a in t e r e s s a d a e m q u e a s ig n if ic a ç ã o d a s p a l a v r a s é q u e t e m i m p o r t â n c i a d e c i s iv a e a b s o l u t a . O q u e n ã o im p e d e q u e j u s t a m e n t e p o r c a u s a d ê s s e d e s e q u ilíb r io o s n o s s o s n o r d e s tin o s c a n t a d o r e s t e n h a m a tin g id o u m a r iq u e z a p r o d ig io s a d e lib e r d a d e r i t m ic a .
Chula Paroara AMAZONIA.
re.zanãomepcgadesta
vez! SinM Te . r e . za me fez das suas. Pegou-me a roupa, jogou na
Senhora dona Tereza Fui ontem desempregado O feijão está muito caro i B a carne seca é fidalga! I
bis
ru . a!
Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe très, Sinhá Tereza não me pega desta vez! Sinhá Tereza me fez das suas. Pegou-me a roupa.jogou na rua!
86 As mulheres por natureza \ ™ «. (Ws Carrega sua fe segura; ) Quanto mais mente mais fala bis Quanto mais fala mais jura. Dou-lhe uma, etc.
As mulheres quando resolvem; bis Falar da vida alheia Principia na lua-nova bis Acaba na lua-cheia. Dou-lhe uma, etc.
Moça feia quando casa Ws. Julga logo por feliz; Passa uma pela outra [bis. Arrebitando o nariz. Dou-lhe uma,etc.
C o l h i d a p o r m im d u m p a r o a r a . D e s s e s q u e d e p o is d e i r e m g a s t a r n a t e r r a d e l e s
o
d in h e ir o
g a n h o n a b o r r a c h a , v o lta m d e n o v o p ro s s e r in g a is . A s s im ê le ... E r a m o re n o , c o r p o r ijo ,e d e p a l i d e z p r a n u n c a m a is . C a n t a v a p o u c o , q u a n t o
f a la v a , m a s tu d o b e m . E r a d e lic io s a a m a n e ir a r u -
b a t i s a d a , c h e i a d e a c e n t o s e p r o l o n g a m e n t o s in e s p e r a d o s c o m q u e d i z i a e s t a c h u l a d e t a n t a
m a-
lin c o n ia , A s e g u n d a e s tr o fe le m b r a P o r t u g a l: “ L i n d o s o lh o s t e m a c o b r a Q ’ a n d o o lh a d e re p e n te ; N i n g u é m s e f i e e m m u lh e r e s . Q u a n t o m a is j u r a m a is m e n t e ” . L e i t e d e V a s c o n c e l l o s ( “ T r a d i ç õ e s P o p u la r e s d e P o r t u g a l ”
P o r t o , e d . C l a v e l e C i a . p g . 143.)
LUNDÚS E MODINHAS
Lundú com Ganzá
NORDESTE.
J=84
I
C a n t a d o p o r p r e t o c o m a c o m p a n h a m e n t o d e g a n z á , o q u e a p r o x i m a e s t e l u n d ü , t ã o p r o v a v e l m en te a f r o a m e r i c a n o , d o s c o c o s d e g a n z á . O c o l a b o r a d o r i g n o r a v a a l e t r a e n ã o p r e c i s o u o E s ta d o n o r d e s tin o e m q u e e s c u t a r a o d o c u m e n to .
Vi','
87 Este lundu tem um movimento muito coreografico. A palavra “lundú” esta desaparecendo. Aqui no centro do país indica especialmcnte uma cantiga praceana de andamento mais vivo que o da modinha e com texto de caracter comico, ironico, indiscreto. O “Gosto da Negra”-que segue, corresponde bem ao que .chamamos por aqui de “lundú” . No norte lundú inda permanece mais pro ximo da dança. No interior do Estado do Pará “lundú” é ainda uma dança, me informa o p ro f. José Domingues Brandão, de Belem, autor de duas Rapsódias Brasileiras pra orquestra.
Gosto da Negra
Lundú
BRAGANÇA. (S.Paulo).
«í =100
tJ
ne .gra, cor-de - car . vão,
Eu gos . to
xão. Que bemm’ ini . por.ta
que fa.lem de
Eu te.nho
mim, E u g os.to
da
por
e
.
la grande
pai .
ne . gra mes.moas .s im !
Que bem m’importa Que falem de mim, Eu gosto da negra Mesmo assim!
Eu gosto da negra Cor de carvão, Eu tenho por ela Grande paixão.
A aluna que mc comunicou este lundú, ignorava a continuação dos versos. Ta^nto pela forma e expressão musicais como pelo simples facto de ser caracteristicamente lundú, este documento parece provir do sec. XIX.
Lundú de negro velho.
Ma M alia FRANCA. (S. Paulo).
eB Ma M a. li
-
a,mi . a mm . e
di Um fa . vo eu vai
ti pi . di;
Ma Ma . l i
Qua.no
. a, m i. a mui . é,
ronda vié mi busun . cã,
Um fa
. vô eu vai ti
pi
Quano ron.da vié mi busun . oá,
.
F ?d ä j
#y O .c ê
L i.v a
f a . la quieunumtá
S a . l a - cu - s a . CO, Ma M a . U . a , mia mui . é , P e .l o si . na di San .la Cruiz,li . va num Deu L i.v a San.to tá nu li . vo zi ma . iô
san.to tá nu li.v o zi me . nó Tá p i n . du .
la.do,Sào Ju-ào di Ba.pi .
ma
ai
t i . ta!
Ten . gô
la .d o São Migué di Ca.la . ca n joîT à
ten.gô ma fa . má
M a . l i . a , m i. a mu . ié, nummi fa.racum sor . da.do! M a .li. a
Ten . gô
du
pin.du
tengô
ma fa
Congo,num mi fa . ra di pe
m ea.do!
hê
hê
ha
ça
fui
zo.áá
pala
e . la
mi
ha!-.
Lá
ron .
Quanoeu fui
nus
oa.minho ri
M i.n a
La
nus
c a . mi nho ri
ron
. oô
Quanoeu
ração pa
. la .p i .
cô
U - ma on
.
ça mi
z o .ià
p a ja
la
Meu
e
-etc. Sa. la-eu Z o .io N a -li-z i Pe»lo Pa. ta
sa.CO ma Ma . li . a ma fa de.la cu .m o tá r i-g a de.la cu.m o tá ri .b i de.la cu .m o tá l i . pi de. la eu .mo tá ca . la . pa
. má . lado . tado . ado . çado (etc)
Sala-cu-saco, ma Malta, mia mule, Pelo sini di Santa Cruiz, liva num Deu Liva santo tA nu live zi maid Liva santo t4 nu livo zi mend Tapindulado sao Migue di Caiacanzo!
(its) LA nus caminho ri Mina (Us) Uma onça mi ronoô (Us) Quano eu fui zoiá pava cia (Us) Meu ouraçâo palapitô.
TA pindulado sao Juao di Bapitita! (its) Tengo tengo ma fama Malia, mia muie,num mi fara cum sordado! Malia du Congo, num mi fara di pecado! Hehe!... haha!...'
Sala-cu-saco, ma Malia, ma famà, Zôio delà cumo tá rigalado, Nalizideia cumo tá libitado, Pelo delà cumo ta lipiado, Pata delà cumo tá calapaçado! fWslTengô, tengè, ma famà,(«
(Ws) Quando eu era nu meu tera (iis) Era rei de Zinangnra, CAngolaJ (iis) Gora tô in tera di blanco (iis) Zoga cabimgo fora! Sala-cu-saco (etc.) (corns da K oez)
O R é sempre brando. Algumas coisas, como “sala-cu-saco” não compreendo. Cabungo,nos lugares sem latrina de geito nenhum, é o barril onde jogam as fezes que depois o empregado vm atirar longe. Grafei pedaço mais longo da musica, embora repetição, pra mostrar a variedade ritmicaocar sionada pela prosodia em parte,pela irregularidade do verso mal feito, e em grande parte tam bém pela fantasia que vai se libertando* e se manifestando mais, á medida que a peça continua. Com efeito na 1» estrofe o ritmo está bem batido e sob o ponto-de-vista brasileiro é simples. De pois se complica extraordinariamente, as sincopas se multiplicam, aparecem antecipações ritmicas, pequenos apressados, rubatos subtis, dificilimos, impossiveis de gp'afar com exatidão absoluta. O refrão da 2® estrofe repete a musica do refrão da primeira e vai sempre assim.
Modinha.
A palmilhar longas Estradas
A palmilhar longas estradas De longe vim para te ver Ouvindo as tristes arapongas Nas matas tristes a gemer.
B. G. DO NORTE.
Esteia =116
S. PAULO.
rr Que
noiteoplenUunioé comoum sonhoassim ri.sonho BoLan.
T Ases
Em teu leito de sedas Dormes quieta, 0 teu poeta Canta para teu sono Suavisar. Dorme! Cantarei Como suave
Que noite! o plenilúnio É como um sonho, Assim risonho, Boiando lá no céu, Beijando o mar! As estrelas pelo azul Vagam sorrindo. Estás dormindo. Eu venho meu amor Te despertar!
Canto de ave, Que gorgeia no céu Fitando o luar! Ai, como beija o mar O luar! O mar suspira, geme E treme! E do alto do céu sorrindo Lindo, Acorda abre a janela. Esteia!
Registro a poesia que nem escutei, deformada.
Faz hoje um Ano
Faz ho.jeum
to.nho, íá z hojoura
a , no
a _n o
bem melem broa. in . d a
S. PAULO.
Quees.ta-vas
bem me lembro a. go . ra Q u e a e s.ta
lin . d a com êsse o.lhar tris .
h o. ra mea.pa.recesteem
so.nho!
Faz hoje um ano bem me lembro ainda Que estavas linda com êsse oUiar tristonho, Faz hoje um ano bem me lembro agora Que a esta hora me apareceste em sonho!
É modinha bem antiga. A escutei piasote e vem pois .do sec. XIX. Não me lembro do resto dos versos ou nunca sube mesmo.
li
9«
PREGOES
1 Amendoim Andante.
s. PAULO.
t” ’ í Pas. so . ca,a. men.doim
tor . rá
.
(do)!„.
2
M arcela
Andantino.
Eu
te.nho mar. ce . la pra
PERNAMBUCO.
Ira
. ves . sei
.
(ro)f...
3
Cocada
Lento recitado
Co . ca
-
da!
P re .ta e
bran
. ca!
CA PITAL FEDERAL.
P r e .t a e b r a n .ca
cor - de - ro
.
(sa)!...
4
Pinhão
Andantino.
Pi.nhãoquen
.
te, que quei . ma a
gen
.
S. PAULO.
te! Stá quen
. te, mu . la
5
A n dai^ .
Sor . v e . te,
Sorvete Ia . lá,
S. PAULO.
é
de
co
_ coL.
.
ta! Stá quen . te!...
I
Empadas s . PAULO.
Andante, ritmado
«A
prp^j Senho . ra do.na de c a . sa, Venha na ja.n elaa.per.ci . á!
^
ri r
Tenhoaem . pa.da
/T\
quen.tiJiha, Ca . ma.râo a r . re.chei. á.(do)!„
Senhora dona de casa. Venha na janela aperoiá! Tenho a empada quentinha. Camarão arrecheá (do)!...
7 0 Cego
NORDESTE.
Lento, recitado.
f j if rr'rn^'Lni
ß
P-
ß
0-
Este canto maravilhoso me comunicado por Lionel Silva esquecido do texto, é o único dcxnimento brasileiro que conheço em qué o hipolidio está sistematisado. Porem este se acomoda perfeitamente com a
psicologia musical do brasileiro e sobre isso temos uma anedota que é bem
fina. Quando L. Gallet publicou a 1? edição das “ 6 Melodias Populares Brasileiras” (ed.cit.lum erro feliz de impressão fez com que a peça “A Perdiz piou no Campo” em lá maior, saisse com 4 sustenidos na armadura de clave. A peça ficava em hipolidio... Ninguém quasi não percebeu o engano, a melodia ganhou muito sem perder o caracter e foi assim que O. Respighi a empregou na “ Suite Brasiliana” . A honestidade de L. Gallet o obrigou a restabelecer a armadura de lá maior na 2^ edição. Honestidade feito muitas outras: louvável porem lastimável...